Janja participa de quase 30 comícios e atua nos bastidores da campanha
Janja participou de quase 30 comícios entre agosto e outubro e atuou nos bastidores da campanha de reeleição de Lula, sem ocupar cargo formal.
Resumo em 30 segundos
Janja participou de quase 30 comícios de Lula entre 16 de agosto e 3 de outubro e, embora não tivesse cargo formal, envolveu-se em reuniões, decisões e organização de atos. A primeira-dama também buscou diálogo com o público evangélico, fez declarações religiosas em defesa do presidente e criticou o deputado Nikolas Ferreira.
A primeira-dama Janja da Silva participou de quase 30 comícios da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 16 de agosto e 3 de outubro. Sem cargo formal na campanha, também esteve envolvida em decisões estratégicas, na organização de eventos e na defesa pública do marido durante controvérsias da reta final do primeiro turno.
Janja participou de reuniões internas, tratou diretamente com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o marqueteiro Raul Rabelo, e interferiu na organização dos atos. Entre as iniciativas atribuídas a ela está o convite à cantora Fafá de Belém para o lançamento da campanha, em São Bernardo do Campo.
A primeira-dama também manteve uma agenda própria. Dos 48 compromissos divulgados entre 16 de agosto e 3 de outubro, sete estavam ligados diretamente às mulheres. Nos eventos eleitorais, discursou com frequência e procurou aproximar a campanha de diferentes segmentos, incluindo o público evangélico.
No lançamento, em 16 de agosto, Janja cantou com o cantor e pastor Kleber Lucas o jingle “Tapete Vermelho”, feito para a campanha. A música apresenta Lula como “filho do Nordeste” e diz que ele não precisa de trono porque “é do povo”. Os dois voltaram a cantá-la em um ato no Rio de Janeiro, em 22 de agosto.
A aproximação com temas religiosos também apareceu em declarações e gestos durante a campanha. Em setembro, em um ato em Teresina, Janja chamou Lula de “verdadeiro ungido de Deus”, em resposta ao apoio de Michelle Bolsonaro ao ministro André Mendonça, a quem a ex-primeira-dama havia descrito como “escolhido e ungido do Senhor”. Na controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida, Janja publicou uma imagem de Lula com a santa e, dias depois, apareceu no Planalto usando uma medalha da padroeira.
A primeira-dama também rebateu críticas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Depois de Lula falar, em Belém, sobre mulheres aprenderem a “tomar toque desde pequenas” — expressão que ele posteriormente explicou como referência a exames ginecológicos —, Janja chamou o parlamentar de “piá de b*sta” em Salvador e disse que ele precisava “lavar a boca” para falar do presidente. Dois dias depois, em Minas Gerais, voltou a criticá-lo e o chamou de “mentiroso”.
A atuação religiosa de Janja antecede a campanha. Ela já disse que se emociona “na missa, com a fala do padre”, mas também “com o tambor” e “com um hino de louvor a Deus”. Em entrevista de 2022, ao comentar uma fotografia ao lado de imagens de orixás, afirmou que aquela representação também dizia respeito a ela.
Para entender
- Janja da Silva
- Socióloga e primeira-dama do Brasil, Janja da Silva é casada com Luiz Inácio Lula da Silva. Participou de atos e atividades de campanha, além de se manifestar publicamente sobre temas políticos e sociais.
- Luiz Inácio Lula da Silva
- Político brasileiro e presidente da República. Foi candidato à reeleição na campanha mencionada na notícia e é uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT).
- Partido dos Trabalhadores (PT)
- Partido político brasileiro fundado em 1980. Luiz Inácio Lula da Silva é uma de suas principais lideranças; Edinho Silva ocupava a presidência do partido no período citado.