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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Granizo danifica 2,7 mil casas e atinge 70% de Nova Prata

O temporal deixou 26 feridos, desalojou 429 pessoas e mobilizou equipes de emergência; moradores seguem limpando casas e cobrindo telhados com lonas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Casas danificadas pelo granizo em Nova Prata, com telhados cobertos por lonas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Casas danificadas pelo granizo em Nova Prata, com telhados cobertos por lonas.
Resumo em 30 segundos

A tempestade de granizo atingiu Nova Prata, na Serra gaúcha, na madrugada de quarta-feira (4), e danificou 2,7 mil residências. O balanço municipal registrou 26 feridos, mais de 3 mil pessoas atendidas e 429 desalojados. Moradores recebem apoio e equipes seguem mapeando as áreas afetadas e cadastrando famílias.

O granizo que atingiu Nova Prata, na Serra gaúcha, na madrugada de quarta-feira (4), danificou 2,7 mil residências e afetou cerca de 70% do município. Nesta quinta-feira (5), moradores retiravam água dos imóveis, tentavam recuperar móveis e roupas e cobriam telhados com lonas, enquanto equipes de emergência e voluntários prestavam atendimento às famílias.

O balanço da Defesa Civil municipal, divulgado até a noite de quarta, contabilizava 26 feridos. Mais de 3 mil pessoas haviam sido atendidas pelas equipes, e mais de 70 mil metros de lona foram distribuídos nos bairros São João Bosco, Citadela, Basalto e São Peregrino. Uma das pessoas feridas foi transferida para um hospital de maior porte em outro município.

A prefeitura informou que mais de 880 pessoas receberam atendimento da assistência social e que 429 ficaram desalojadas — ou seja, tiveram de deixar suas casas, sem necessariamente perder a moradia. O levantamento também registrava 185 crianças e 33 pessoas com deficiência entre os moradores atendidos. A prefeitura estimava que entre 12 e 17 pessoas passariam a noite de quarta-feira acolhidas no ginásio do bairro Santa Cruz; a Defesa Civil, por sua vez, informou que ninguém precisou dormir no abrigo disponibilizado no bairro São João Bosco.

No bairro São João Bosco, um dos mais atingidos, Jéssica Vieira Novatky, de 33 anos, contou que perdeu quase tudo o que havia dentro de casa. Durante a tempestade, ela, o marido, Luiz Carlos Ribeiro Telles, de 28, a filha de sete anos e a enteada de oito se protegeram no banheiro. Por volta das 4h, quando o temporal começou a diminuir, o casal foi à Casa da Cultura buscar lona para cobrir o telhado.

Na manhã seguinte, Telles tentou instalar a lona, mas caiu junto com parte do telhado. Ele fraturou a clavícula e foi levado ao hospital. “Está sendo bem complicado, primeiramente porque a gente perdeu tudo. A gente só tentou se proteger, na verdade”, disse Jéssica, que recebeu ajuda de familiares para limpar o imóvel e separar o que ainda pode ser aproveitado.

Romilda Grotto, de 63 anos, mora no mesmo bairro há 45 anos e também enfrentou danos dentro de casa. O forro do quarto desabou, o assoalho começou a levantar e roupas ficaram encharcadas. Com fibromialgia, uso de muletas e medicamentos, ela teve dificuldade para se movimentar e encontrar um lugar seguro durante o granizo. “Foi assustador, veio tudo abaixo. Caiu o forro e eu acordei no susto, não sabia o que estava acontecendo”, relatou.

Na casa de Francisca Lucélia Machado do Amaral, de 63 anos, as pedras perfuraram o telhado e a água invadiu os cômodos. A família retirou alguns pertences e os colocou em uma caminhonete para tentar protegê-los. Sofás, camas e colchões ficaram molhados, e o carro do genro teve o para-brisa quebrado. “A água começou a entrar e parecia um rio dentro de casa”, disse.

Roseli Pereira da Silva, de 50 anos, relatou que a água atingiu a cama, a televisão e outros objetos. O filho precisou dormir no carro na noite de quarta-feira porque a residência não oferecia condições adequadas. “Agora, fazer o quê? Trabalhar e construir de novo”, afirmou. Ela também disse que a família recebeu ajuda de outras pessoas.

O temporal danificou prédios públicos e interrompeu as atividades da Escola de Educação Infantil Primeiros Passos. Parte do telhado da unidade foi atingida, vidros quebraram e a infiltração comprometeu o forro de gesso do dormitório do berçário, que desabou depois de ficar molhado. A Defesa Civil e a Cruz Vermelha ajudaram a cobrir o prédio com lonas, em um trabalho concluído por volta das 23h de quarta-feira.

Funcionários fizeram a limpeza e organizaram os espaços nesta quinta, enquanto a escola recebia telhas para os reparos. A direção esperava retomar o atendimento às crianças nesta sexta-feira (6), se a limpeza terminasse e o prédio oferecesse condições de segurança. As demais aulas da rede municipal foram retomadas nesta quinta, segundo a prefeitura.

A Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e equipes municipais continuam o mapeamento das áreas atingidas e o cadastramento das famílias, com apoio da assistência social e da Defesa Civil estadual. O registro permite organizar o atendimento e a distribuição de materiais. A prefeitura orientou que moradores ainda não cadastrados procurassem a UBS Central ou as unidades de saúde São Cristóvão e São Peregrino.

A Casa da Cultura concentra o cadastro das famílias e a organização do trabalho voluntário. Há pontos de arrecadação de colchões, cobertores e travesseiros no ginásio do bairro São João Bosco, e de roupas e alimentos na Secretaria Municipal de Assistência Social. O Hospital São João Batista também passou a receber doações de alimentos, roupas e utensílios.

A Defesa Civil recomenda que moradores não subam nos telhados para fazer reparos por conta própria e aguardem o atendimento das equipes, diante do risco de novas quedas. O abrigo do bairro São João Bosco permanece disponível e oferece lanches a quem precisar.

Fontes: Zero Hora

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