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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Tornado em Chapecó danifica aeroporto e expõe risco no Sul

Rajadas acima de 90 km/h danificaram o Aeroporto Serafim Enoss Bertaso; registros disponíveis não permitem confirmar se tornados estão mais frequentes.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estrutura danificada de um aeroporto após a passagem de uma tempestade. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estrutura danificada de um aeroporto após a passagem de uma tempestade.
Resumo em 30 segundos

Um tornado atingiu Chapecó e danificou o aeroporto da cidade, onde pousos e decolagens foram suspensos temporariamente. O episódio ocorreu em uma região propícia a tempestades severas, mas a falta de uma base nacional consistente impede afirmar se os tornados estão se tornando mais frequentes ou qual é a influência das mudanças climáticas.

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou na terça-feira (4) que um tornado atingiu Chapecó e danificou o Aeroporto Serafim Enoss Bertaso. Rajadas de vento acima de 90 km/h arrancaram parte da estrutura e quebraram vidraças; pousos e decolagens foram suspensos após a passagem do fenômeno.

O episódio chamou atenção para a exposição do Sul do Brasil a tornados. A região é considerada a segunda área mais propícia do mundo para esses fenômenos, atrás apenas da porção central dos Estados Unidos. A faixa de maior risco na América do Sul, conhecida como “Corredor de Tornados”, inclui também partes da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia.

No Brasil, essa área compreende Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A localização entre massas de ar quente e úmido vindas do norte e ar frio e seco do sul favorece instabilidade. A mudança de direção e velocidade dos ventos com a altitude, a topografia predominantemente plana e a passagem de frentes frias e ciclones extratropicais também contribuem para tempestades severas.

Um tornado é uma coluna de ar em rotação intensa que se estende da base de uma nuvem de tempestade até a superfície. Sua formação pode envolver alta umidade, instabilidade atmosférica, correntes ascendentes fortes e ventos que mudam de intensidade ou direção conforme a altitude. A coluna costuma ser concentrada e pode deixar danos em uma faixa estreita, ao contrário de sistemas maiores, como ciclones.

Os registros disponíveis apontam ocorrência frequente no Sul, mas não permitem determinar com segurança se os tornados estão se tornando mais comuns. Um estudo da Universidade Estadual de Ponta Grossa identificou 581 casos no país entre 1975 e 2018, dos quais 411 ocorreram na Região Sul. Em 2024, pesquisadores contabilizaram 28 tornados no Brasil: 23 no Sul, sendo dez no Paraná, dez no Rio Grande do Sul e três em Santa Catarina.

Outro levantamento, feito pelo grupo PREVOTS, que reúne meteorologistas e documenta tempestades severas, contabilizou cerca de 800 tornados no Brasil entre 1898 e 2020. Os números não compõem uma série oficial única: órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) não mantêm uma contagem nacional dos fenômenos.

A falta de uma base consistente dificulta a identificação de padrões e o planejamento de alertas e medidas para reduzir danos. Tornados se formam rapidamente e atingem áreas pequenas, o que torna difícil prever qual município será afetado. Meteorologistas podem apontar regiões com condições favoráveis a tempestades severas, mas não determinar com precisão onde um tornado vai tocar o solo.

A confirmação também é complicada quando o fenômeno ocorre em locais rurais ou pouco habitados, sem testemunhas ou imagens. A expansão de câmeras e dos meios de comunicação, além do trabalho de monitoramento, contribuiu para o aumento dos registros e da percepção de que os eventos estão mais frequentes. Sem uma climatologia oficial de longo prazo, pesquisadores dizem que não é possível concluir se houve aumento real.

Também não há dados suficientes para estabelecer o grau de influência das mudanças climáticas na formação de tornados no Brasil. Alterações no clima podem modificar condições atmosféricas relacionadas a tempestades, mas isso não significa, por si só, que haverá mais tornados. Pesquisadores apontam ainda que a retirada de árvores pode deixar áreas mais vulneráveis aos impactos de ventos intensos, ao reduzir barreiras naturais e expor construções e vegetação.

Tornados, ciclones e furacões não são termos equivalentes. Ciclones são sistemas de grande escala que podem provocar chuvas e ventos fortes; furacão é um ciclone tropical cujos ventos superam 119 km/h. Já tornados são menores e concentrados, embora possam apresentar ventos muito intensos. No caso de Chapecó, a Defesa Civil confirmou a ocorrência, e os danos no aeroporto levaram à interrupção temporária das operações aéreas.

Para entender

Corredor de Tornados
Nome dado à faixa da América do Sul com condições favoráveis à ocorrência de tornados. Ela inclui partes do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia. No Brasil, abrange estados do Sul e outras áreas do Centro-Sul.

Fontes: Zero Hora

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