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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Golpe com falso Brad Pitt leva francesa a perder quase R$ 5 milhões

Criminosos usaram inteligência artificial para sustentar a falsa relação; o caso também reacendeu dúvidas sobre erotomania e seus sintomas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Celular com uma chamada virtual desfocada sobre a mesa e uma mulher preocupada ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Celular com uma chamada virtual desfocada sobre a mesa e uma mulher preocupada ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Uma decoradora francesa na casa dos 50 anos perdeu quase R$ 5 milhões após criminosos se passarem pelo ator Brad Pitt e simularem um relacionamento com ela. O episódio não permite diagnosticar erotomania, condição que exige avaliação clínica. Especialistas distinguem o transtorno de uma paixão ou fantasia e explicam sinais, tratamento e formas de apoio.

Uma decoradora de interiores francesa, na casa dos 50 anos, acreditou que mantinha um relacionamento com o ator Brad Pitt e perdeu o equivalente a quase R$ 5 milhões em um golpe aplicado por criminosos que usaram inteligência artificial. O caso também levou a mulher a sofrer assédio on-line e chamou atenção para a erotomania, condição delirante em que alguém tem a convicção de ser amado por outra pessoa.

Na fraude, os golpistas se passaram pelo artista e sustentaram a falsa relação para obter dinheiro. O caso não permite concluir, por si só, que a vítima tenha erotomania: a condição exige avaliação clínica, e acreditar em um romance falso criado por criminosos não é suficiente para estabelecer um diagnóstico. Especialistas apontam, porém, que fraudes românticas podem explorar ou reforçar crenças de reciprocidade amorosa.

A erotomania é um tipo de transtorno psicótico. A pessoa acredita com firmeza que alguém está apaixonado por ela, frequentemente alguém de destaque, como uma celebridade, um artista, um médico ou uma pessoa conhecida da mídia. Na prática, interpreta gestos ou conteúdos sem intenção romântica como sinais pessoais de interesse.

A diferença em relação a uma paixão platônica ou a uma fantasia é a certeza de que o sentimento é correspondido. Quem tem uma paixão pode desejar que a outra pessoa goste dela, mas reconhece que esse interesse talvez não exista. Na erotomania, a crença é vivida como realidade, sem a dúvida habitual sobre a reciprocidade.

A descrição clássica do quadro foi formulada pelo psiquiatra francês Gaëtan Gatian de Clérambault, no início do século 20. Ele organizou a evolução em três etapas: esperança, desprezo e rancor. Primeiro, a pessoa espera que o suposto interesse se revele; diante da falta de resposta, pode reinterpretar o silêncio para manter a crença; depois, pode entender a situação como uma injustiça e reagir com irritação ou, em alguns casos, agressividade.

A ausência de contato ou uma rejeição explícita nem sempre encerra a convicção. A pessoa pode criar novas explicações para preservar a narrativa, como interpretar uma imagem do suposto parceiro com outra pessoa como uma tentativa de provocar ciúmes. Esse mecanismo ajuda a entender por que discutir repetidamente se o romance existe pode não mudar a crença.

Redes sociais não são consideradas, por si só, causa da erotomania. Conteúdos públicos, mensagens e interações on-line, no entanto, podem ser entendidos como sinais dirigidos especialmente à pessoa e reforçar uma ideia já existente. Um estudo publicado em 2024 descreveu uma mulher de 70 anos que apresentou o quadro após ser vítima de fraude romântica pela internet. Os autores relataram uma relação temporal entre o golpe e o aparecimento dos sintomas, confirmada pela paciente e por familiares.

O relato do estudo não prova que a fraude tenha causado a condição em todos os casos. Pesquisadores também observaram que atividades em redes e aplicativos podem facilitar ou desencadear sintomas em algumas situações, sobretudo entre idosos. Ao mesmo tempo, a exposição on-line pode fornecer informações que contradigam a crença, embora isso nem sempre leve a pessoa a abandoná-la.

Gostar muito de uma celebridade, fantasiar sobre ela ou imaginar um relacionamento não é, isoladamente, sinal de transtorno. A preocupação aumenta quando a fantasia se transforma em certeza inabalável, afeta as relações ou leva a comportamentos como insistência em mensagens e dificuldade de aceitar negativas. Em alguns casos, a pessoa pode parecer bem em outras áreas da vida, pois o delírio se concentra no suposto vínculo amoroso.

O diagnóstico é clínico e depende de avaliação psiquiátrica ou psicológica, que considera a história da pessoa, a natureza da crença e sua duração. Também é preciso diferenciar a erotomania de outras condições, como a esquizofrenia, em que delírios podem aparecer junto de alucinações, pensamento desorganizado e alterações de comportamento. Na erotomania, o funcionamento pode permanecer relativamente preservado fora do tema central.

O tratamento é definido caso a caso e pode incluir medicamentos antipsicóticos, psicoterapia e acompanhamento multiprofissional. Estabilizadores de humor podem ser associados em algumas situações. Em um caso relatado por pesquisadores, uma paciente recebeu antipsicótico e antidepressivo, além de terapia individual e em grupo; quatro semanas depois, o delírio havia entrado em remissão. Esse resultado não garante a mesma resposta para outras pessoas, e o acompanhamento psicológico pode ser prolongado e gradual.

Um obstáculo é que a pessoa pode não reconhecer a crença como um problema e procurar ajuda para convencer o profissional de que está certa. Para familiares e amigos, a orientação é preservar o vínculo e demonstrar preocupação, em vez de tentar desmontar o delírio com confrontos repetidos. O apoio pode facilitar a busca por atendimento profissional e, conforme a situação, por orientação jurídica, especialmente quando há exploração financeira ou risco de perseguição.

Para entender

Erotomania
Condição delirante em que a pessoa tem a convicção de que outra está apaixonada por ela, muitas vezes alguém conhecido ou de destaque. O diagnóstico depende de avaliação clínica; gostar de uma celebridade ou imaginar um romance, por si só, não caracteriza o quadro.

Fontes: Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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