Eleitores de Alberta rejeitam início de processo para independência
A consulta não decidiu a separação: a proposta permitiria abrir um trâmite legal e, depois, realizar uma votação vinculativa sobre a secessão.
Resumo em 30 segundos
Com cerca de 76% dos votos, os eleitores de Alberta rejeitaram iniciar um processo que poderia levar a uma votação sobre a independência da província. A primeira-ministra Danielle Smith afirmou que a discussão deve ser considerada encerrada por ora. A consulta ocorreu em meio à insatisfação com a gestão federal do setor energético.
Eleitores de Alberta, província do oeste do Canadá, rejeitaram a proposta de iniciar um processo que poderia levar à independência, em votação realizada na segunda-feira. Com mais de 1 milhão de votos apurados, cerca de 76% escolheram permanecer no país, enquanto 23% apoiaram a abertura do trâmite separatista, segundo os resultados divulgados na madrugada desta terça-feira.
A cédula oferecia duas opções: manter Alberta como parte do Canadá ou iniciar um processo legal que poderia conduzir a uma segunda votação, desta vez sobre a separação. Portanto, o referendo não decidia diretamente a independência. A primeira-ministra provincial, Danielle Smith, havia dito que, se a maioria apoiasse o início do processo, convocaria uma votação vinculativa sobre a secessão; diante da vitória da unidade, afirmou que a questão deveria ser considerada encerrada.
O resultado é uma derrota para os separatistas e uma vitória para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que cresceu em Alberta e pediu aos eleitores que se manifestassem pela unidade. Ele avaliou que a consulta ocorreu em um momento especialmente delicado, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conduzindo uma guerra comercial contra o Canadá e fazendo ameaças de anexação.
A divulgação dos resultados foi atrasada após a abertura de mais de cem seções eleitorais ser adiada. O horário de votação foi estendido na segunda-feira. Mais de 1,35 milhão de pessoas participaram da votação antecipada ou especial, cerca de 43% do eleitorado, segundo os dados divulgados. A autoridade eleitoral havia informado anteriormente que 1,4 milhão dos 3,1 milhões de habitantes aptos a votar participaram da votação antecipada.
Smith se opõe à independência, mas convocou a consulta em meio à pressão de separatistas ligados ao Partido Conservador Unido, que governa a província. Ela afirmou que queria encerrar um debate que divide Alberta e citou uma pesquisa segundo a qual 22% dos moradores apoiavam a separação. O descontentamento com a forma como o governo federal administra o setor energético está entre os fatores que alimentam o movimento.
Alberta concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo e tem uma economia fortemente ligada à produção de energia. Parte dos moradores critica políticas federais que considera prejudiciais ao setor. A insatisfação com o ex-primeiro-ministro Justin Trudeau também foi apontada por Smith como uma das razões para o sentimento separatista.
A campanha pela permanência, chamada Forever Canadian, foi liderada por Thomas Lukaszuk, ex-vice-primeiro-ministro de Alberta. “Somos um país sólido, unido de costa a costa”, declarou ele a apoiadores após o resultado. Carney também fez campanha pela unidade em Edmonton, onde cresceu, e disse que a votação era importante para o futuro do país.
A mobilização separatista recebeu atenção de aliados de Trump. Elon Musk publicou no X que Alberta “deveria se separar”, e líderes do movimento se reuniram com autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos e articuladores republicanos. Apesar da derrota, representantes separatistas afirmaram que a causa ganhou força e não deve desaparecer.
A consulta também incluiu outras perguntas, várias sobre imigração. A rejeição ao processo de secessão, porém, foi o resultado central e, segundo Smith, deve encerrar por ora a discussão sobre uma nova votação para decidir a independência.
Para entender
- Alberta
- Província do oeste do Canadá, cuja economia tem forte ligação com a produção de energia. A região abriga grandes reservas de petróleo, e divergências sobre políticas federais para o setor estão entre os fatores associados ao movimento separatista.