Fumaça de incêndios é ligada a risco de câncer de cabeça e pescoço
Análise de 16 anos encontrou risco 6% maior entre expostos à poluição e aumento de 41% entre quem teve exposição anual.
Resumo em 30 segundos
Um estudo de pesquisadores de Harvard identificou uma associação entre a exposição à fumaça de incêndios florestais e maior incidência de câncer de cabeça e pescoço. O aumento estimado foi de 6% e chegou a 41% entre pessoas expostas todos os anos. Os resultados não provam que a fumaça cause câncer em cada indivíduo.
A exposição à fumaça de incêndios florestais pode estar associada a um aumento no risco de câncer de cabeça e pescoço, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade Harvard. A análise de 16 anos de dados identificou um risco 6% maior ligado à poluição da fumaça; entre pessoas expostas todos os anos, o aumento chegou a 41%.
Os pesquisadores publicaram os resultados na revista científica The Laryngoscope. Eles afirmam que as conclusões ampliam as evidências sobre os efeitos da poluição provocada por incêndios na saúde e apontam a necessidade de medidas para reduzir esses impactos. O estudo observou uma associação entre exposição e incidência de tumores, mas os dados apresentados não estabelecem, por si só, que a fumaça cause câncer em cada pessoa exposta.
A fumaça contém partículas microscópicas chamadas PM2,5, que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A pesquisa citada descreve a poluição de incêndios florestais como dez vezes mais prejudicial à saúde do que a poluição de veículos, devido à maior concentração dessas partículas. O material não detalha quais fatores foram considerados nessa comparação.
O câncer de cabeça e pescoço é um conjunto de tumores que pode atingir a boca, a língua, a garganta, a laringe, a faringe, o nariz, os seios da face e as glândulas salivares. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 39 mil novos casos desse grupo por ano.
Entre os sinais que podem exigir avaliação médica estão rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam após duas semanas, dificuldade para engolir e caroços no pescoço. Manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, sangramentos sem causa aparente, dor de garganta contínua e gânglios aumentados também merecem atenção. Esses sintomas podem ter outras causas, mas a persistência por duas ou três semanas justifica procurar atendimento.
O tabagismo é apontado como o principal fator de risco, sobretudo quando combinado ao consumo excessivo de álcool. A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) também está relacionada a casos, principalmente de tumores na orofaringe, região que inclui partes da garganta. Exposição solar sem proteção pode contribuir para o câncer de lábio, e a higiene bucal inadequada também é citada entre os fatores associados.
O estudo não apresenta uma forma de diagnosticar a doença nem permite concluir que uma pessoa exposta à fumaça desenvolverá câncer. A investigação depende de avaliação médica diante de sinais persistentes; reconhecer alterações e buscar atendimento pode ajudar a identificar tumores mais cedo.
Para entender
- PM2,5
- Partículas finas de poluição com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, podem penetrar profundamente no sistema respiratório quando inaladas.
- Câncer de cabeça e pescoço
- Nome dado a um grupo de tumores que pode surgir em regiões como boca, garganta, laringe, nariz e glândulas salivares. Os tipos variam conforme o local de origem.