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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro desiste do debate da Globo após decisão do TSE

Flávio Bolsonaro anunciou que não irá ao debate presidencial da TV Globo nesta quinta-feira, após decisão do TSE sobre a ausência de Lula.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Estúdio de debate presidencial com púlpitos vazios e iluminação de televisão. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estúdio de debate presidencial com púlpitos vazios e iluminação de televisão.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro desistiu de participar do debate da TV Globo após a ministra do TSE Estela Aranha proibir a exibição do púlpito vazio identificado com Lula e perguntas direcionadas ao presidente. Lula também não comparecerá e participará do Flow Podcast. A decisão judicial foi submetida ao plenário do tribunal e prevê multa em caso de descumprimento.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, desistiu de participar do debate da TV Globo marcado para esta quinta-feira (1º), às 21h30. Ele anunciou a decisão nas redes sociais após a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha proibir a emissora de exibir o púlpito vazio com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir perguntas dirigidas especificamente ao candidato ausente.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu Flávio no X. Em vídeo publicado nas redes, afirmou que não compactuaria com o que chamou de censura e interferência do Judiciário nas eleições.

A decisão de Estela Aranha atendeu a um pedido da campanha de Lula. A ministra avaliou que a exposição repetida do espaço vazio identificado com o presidente poderia desequilibrar o confronto e ultrapassar a função de informar que ele não compareceria. Também considerou que permitir perguntas a um candidato ausente, sem possibilidade de resposta durante o debate, poderia afetar a igualdade entre os concorrentes.

A ministra afirmou ainda que a participação em debates é facultativa e que a previsão de consequências negativas para quem faltasse poderia pressionar os candidatos a comparecer. A determinação foi comunicada à Globo e submetida à análise do plenário do TSE, inclusive em sessão virtual, caso houvesse tempo. A liminar prevê multa se a emissora descumprir as medidas.

A regra que previa o púlpito vazio havia sido acordada com representantes das campanhas, inclusive a de Lula. No primeiro debate presidencial deste ciclo, realizado pela Band em agosto, os espaços reservados a Lula, Flávio e Romeu Zema também ficaram vazios, porque os três não participaram.

A campanha de Flávio havia preparado o senador para o debate e pretendia usar a ausência de Lula como tema. Aliados avaliavam que o espaço vazio poderia reforçar críticas ao presidente. Depois da decisão do TSE, integrantes da campanha defenderam que Flávio não comparecesse. O senador deve fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais durante o horário do debate.

Lula comunicou à Globo na quarta-feira (30) que não iria ao encontro. No horário previsto para o debate, ele participará do Flow Podcast, às 20h45. O presidente decidiu não comparecer diante da possibilidade de ser alvo de ataques dos adversários, segundo relatos sobre as razões consideradas pela campanha.

A ausência de Flávio também altera o cenário do último debate presidencial antes do primeiro turno. Além de Lula, eram esperados Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes autorizou a participação de Renan, enquanto o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, decidiu que a exigência de cinco parlamentares para convidar um partido deveria considerar a bancada atual, o que garantiu a presença de Zema.

Flávio e aliados criticaram as decisões judiciais. O coordenador político da campanha do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a determinação sobre o púlpito demonstraria “parcialidade e preferência por um candidato”. Ele também criticou a autorização para Renan participar do debate e disse que a decisão representava interferência do Judiciário. As declarações são críticas feitas pela campanha; o TSE justificou a restrição como medida para evitar desequilíbrio entre candidatos.

Quem é quem

Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar e fiscalizar as eleições e julgar questões eleitorais, inclusive pedidos relacionados à propaganda e aos debates entre candidatos.
TV Globo
Emissora brasileira de televisão que integra o Grupo Globo. A empresa promove debates eleitorais e outros programas jornalísticos, sujeitos às regras da legislação eleitoral e às decisões da Justiça Eleitoral.

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