Feminicídio no Recife mata servidora durante festa de apuração
O ex-companheiro é apontado como principal suspeito; a Polícia Civil investiga a motivação e afirma que, inicialmente, não vê relação com a eleição.
Resumo em 30 segundos
Juliana Kamila Pinto Ribeiro, servidora da Ouvidoria do Recife, foi morta a tiros na noite de domingo (25), durante uma festa de apuração de votos no Ibura. O principal suspeito é seu ex-companheiro, que morreu por suicídio após os disparos. A Polícia Civil instaurou inquérito e investiga o caso.
A servidora pública Juliana Kamila Pinto Ribeiro, de 39 anos, foi morta a tiros na noite de domingo (25), durante uma festa de apuração de votos em uma residência no bairro do Ibura, na zona sul do Recife. O principal suspeito é seu ex-companheiro, Josenildo Gomes de Souza Junior, de 44 anos, que morreu por suicídio após os disparos, segundo a Polícia Civil de Pernambuco.
A polícia foi chamada às 20h46, após receber a informação de um feminicídio e de um suicídio, conforme o registro da ocorrência no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciods). O filho de Juliana ouviu os tiros e, ao entrar no imóvel, encontrou os dois caídos no chão.
Testemunhas relataram à Polícia Civil que Josenildo atirou contra Juliana e, em seguida, tirou a própria vida. A corporação instaurou um inquérito para investigar o caso e apura a motivação do crime. Segundo familiares, o casal havia se separado cerca de um mês antes.
A ocorrência aconteceu enquanto pessoas acompanhavam a apuração dos votos na casa. Uma gravação feita na calçada registra os disparos e a reação de quem estava do lado de fora. É possível ouvir oito tiros; em seguida, as pessoas olham para o quintal e demonstram desespero.
De acordo com a Polícia Civil, os investigadores inicialmente não trabalham com a hipótese de que o crime tenha relação com a eleição. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte e reunir os depoimentos e demais elementos sobre o caso.
Juliana trabalhava havia 12 anos na Ouvidoria do Recife. O prefeito da cidade, Victor Marques (PCdoB), lamentou a morte em uma publicação nas redes sociais. “É revoltante que mais uma mulher tenha sua vida interrompida de forma tão brutal”, escreveu. Ele também afirmou que a dedicação da servidora ao serviço público e sua memória devem ser lembradas “com carinho e respeito”.
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido por razões relacionadas à condição do sexo feminino, como em situações de violência doméstica e familiar. A investigação policial deve apurar os fatos e determinar o enquadramento do crime.