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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Famílias de vítimas denunciam letalidade policial na Bahia

Relatos de mães e viúvas incluem mortes em operações, dificuldades para obter justiça e pedidos de assistência; a Bahia registrou 1.570 mortes em 2025.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulheres se apoiam em uma rua de bairro de Salvador. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulheres se apoiam em uma rua de bairro de Salvador.
Resumo em 30 segundos

Familiares de pessoas mortas em ações policiais na Bahia relatam obstáculos para obter investigação, julgamento e reparação. Entre elas estão Vilma Alves de Oliveira, que busca justiça pela morte do filho em Salvador, e Rita Cássia Souza dos Santos, que aguarda há 13 anos o julgamento de policiais acusados de matar seu filho. Um projeto de lei estadual prevê assistência às vítimas.

Vilma Alves de Oliveira busca justiça pela morte do filho, João Vitor, de 20 anos, durante uma ação policial em 2023, no Nordeste de Amaralina, em Salvador. O caso é um dos relatos de familiares que denunciam a letalidade policial na Bahia, estado que registrou 1.570 mortes em operações das forças de segurança em 2025, o maior número do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

João Vitor trabalhava como pizzaiolo e havia saído para tomar uma cerveja com um amigo quando, de acordo com testemunhas, policiais chegaram atirando. Vilma afirma que imagens de câmeras de segurança desapareceram, que testemunhas desistiram de depor por medo e que não houve perícia balística. “É a minha palavra contra a deles. Mas eu vou continuar lutando pela verdade e por justiça pelo que fizeram com meu filho”, disse.

Vilma, hoje desempregada, afirma que ainda não consegue passar pela rua onde o filho morreu. Ela integra um grupo de mulheres, em sua maioria negras, que se apoia e se organiza para cobrar investigação, reparação e mudanças na atuação policial. O Nordeste de Amaralina reúne cerca de 80 mil moradores e é uma área de Salvador onde facções criminosas disputam território.

Rita Cássia Souza dos Santos, empregada doméstica de 59 anos, espera há 13 anos pelo julgamento de três policiais acusados de matar seu filho, Carlos Alberto, em 2013. Ele tinha 21 anos. Rita afirma que agentes tentaram associá-lo ao tráfico para justificar a morte e relata que mães de vítimas são insultadas e chamadas de “mulheres de bandidos”.

Elisângela Souza Santos, de 37 anos, também cobra respostas pela morte do marido, Marivaldo, de 29 anos. Ela estava grávida quando policiais invadiram a casa do casal e o mataram, há seis anos. “Tenho mais medo da polícia do que dos traficantes”, afirmou.

A advogada Bianca Souza, do Instituto Odara, que presta assessoria às famílias, relaciona a violência policial ao racismo estrutural. “O jovem negro e da periferia é alvo histórico” das operações, disse. No Brasil, mais de 80% das pessoas mortas em ações policiais em 2025 eram negras, em sua maioria homens de 15 a 29 anos, conforme o Anuário.

A mobilização das famílias contribuiu para a tramitação, na Bahia, do projeto de lei Ana Luiza. A proposta prevê assistência médica, econômica e psicológica a vítimas de operações policiais. O texto homenageia uma jovem de 19 anos morta durante uma ação em Salvador. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que planeja implementar 1.300 câmeras corporais para monitorar a atuação policial e confirmou que não oferece assistência social às vítimas da letalidade dos agentes.

A Polícia Militar da Bahia não respondeu a uma consulta sobre as denúncias. Casos de mortes em ações policiais podem ser investigados e levados à Justiça, mas familiares citam obstáculos como o medo de testemunhas e a falta de provas técnicas. No caso de Carlos Alberto, o julgamento dos três policiais acusados ainda não ocorreu.

A disputa sobre segurança pública também aparece no debate político nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar um Ministério da Segurança Pública e combater as facções por meio de ações contra sua base econômica. Flávio Bolsonaro defende uma política de endurecimento e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Elisângela disse não confiar em políticos e afirmou temer uma piora da situação caso Flávio seja eleito.

Fontes: Folha de S.Paulo

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