Debate da Globo entre Lula e Flávio vai ao ar nesta sexta-feira
O encontro começa às 21h20, após o Jornal Nacional, e terá transmissão ao vivo pela GloboNews e pelo G1; a eleição será no domingo.
Resumo em 30 segundos
Lula e Flávio Bolsonaro participam nesta sexta-feira, às 21h20, do primeiro debate entre os dois no segundo turno. O programa da TV Globo terá três blocos: perguntas sobre as regiões do país, escolha de temas pelos candidatos e discussão livre, além das considerações finais. A votação ocorre no domingo.
O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o último previsto antes do segundo turno da eleição presidencial, será realizado nesta sexta-feira (23), às 21h20, na TV Globo, depois do Jornal Nacional. O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, também terá transmissão ao vivo pela GloboNews e pelo portal G1. A votação está marcada para domingo (25).
A programação prevê três blocos, com regras diferentes das usadas no debate da Band, realizado no último domingo (18). No primeiro bloco, as cinco regiões do Brasil serão tema de perguntas definidas por sorteio: o candidato sorteado fará uma pergunta ao adversário sobre a região indicada. A dinâmica prevê que todas as regiões sejam abordadas.
No segundo bloco, cada presidenciável escolherá seis entre dez temas preparados pela produção da Globo e apresentados em um telão. Entre os assuntos citados estão o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ensino integral nas escolas. No terceiro bloco, os candidatos poderão discutir temas livres e, ao final, terão espaço para fazer suas considerações finais.
As regras foram apresentadas na segunda-feira (19), depois que as campanhas de Lula e Flávio assinaram os termos do confronto. Ainda pode haver novos entendimentos entre os candidatos e a emissora até a realização do programa.
Este será o primeiro debate entre os dois no segundo turno. Antes da votação do primeiro turno, em 4 de outubro, Lula e Flávio não participaram de nenhum confronto entre si. Os dois deixaram de comparecer a um debate previsto pela Band, enquanto o encontro programado pela Globo foi cancelado cerca de uma hora antes do início.
Lula havia decidido não ir ao debate da Globo no primeiro turno e participou, no mesmo horário, de uma entrevista ao Flow Podcast. Flávio inicialmente disse que compareceria mesmo sem o adversário, mas desistiu após uma liminar concedida pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, por volta das 18h30 daquele dia.
O resultado do primeiro turno deixou Flávio à frente: ele recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença superior a 2,2 milhões de votos. Pesquisa PoderData divulgada nesta quinta-feira (22) mostra o senador com 51% dos votos válidos no segundo turno e o presidente com 49%. Esse cálculo exclui votos brancos, nulos e indecisos.
O levantamento também apontou que 47% dos eleitores dizem que não votariam em Lula “de jeito nenhum”, enquanto 45% afirmam o mesmo sobre Flávio. O cenário torna a busca por eleitores indecisos e por pessoas que não votaram no primeiro turno um dos focos da reta final das campanhas.
As avaliações dos candidatos sobre o debate da Band devem orientar a preparação para o encontro desta sexta-feira. Na campanha de Flávio, parte dos estrategistas considerou que ele poderia ter explorado mais temas vistos como vulnerabilidades de Lula, especialmente segurança pública, além de aproveitar melhor as respostas do presidente. Integrantes do grupo também criticaram falas de Lula sobre cariocas, a defesa das chamadas “saidinhas” de presos e explicações sobre programas sociais.
Aliados de Flávio avaliaram que as perguntas sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger ajudaram a abalar o presidente. Os dois são investigados no caso de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na visão de integrantes do PL, o senador pode adotar uma postura mais incisiva, já que a campanha busca ampliar a vantagem na disputa.
No entorno de Lula, a avaliação foi que o presidente teve dificuldade para concluir a mensagem final e pedir votos diretamente. Seus aliados consideraram positiva a oferta de abertura de sigilos bancário e de mensagens feita por Lula e criticaram Flávio por não aceitar abrir os próprios sigilos. Também disseram que o presidente se saiu melhor depois do trecho inicial de troca livre de acusações.
A professora da Fundação Getulio Vargas Lilian Carvalho, especialista em marketing, afirmou que os candidatos também precisam levar em conta a repercussão dos debates nas redes sociais. Trechos curtos das falas podem circular depois da transmissão, mas provocações que agradam a eleitores já convencidos nem sempre atraem novos votos. Para Carvalho, uma limitação é que os candidatos acabam “pregando para convertidos”.
O cientista político Elias Tavares avaliou que a disputa na reta final envolve também a rejeição aos dois concorrentes. Segundo ele, parte do eleitorado não se identifica plenamente com nenhum dos nomes e pode escolher aquele que considera “menos pior”. Tavares afirmou que ataques ao adversário podem mobilizar apoiadores, mas não necessariamente convencem eleitores que ainda estão decidindo o voto.