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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Escala 6x1 pressiona ações de varejistas por risco de custos maiores

A redução da jornada para 40 horas pode elevar despesas com pessoal e afetar margens; supermercados e redes de vestuário estão entre os mais expostos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários trabalham em caixas e repõem produtos em um supermercado movimentado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários trabalham em caixas e repõem produtos em um supermercado movimentado.
Resumo em 30 segundos

A perspectiva de redução da jornada semanal para 40 horas e de fim da escala 6x1 pressionou ações de varejistas e prestadoras de serviços. Analistas apontam que empresas intensivas em mão de obra podem ter custos maiores e margens menores, mas o impacto dependerá da adaptação de cada companhia e de mudanças regulatórias.

A perspectiva de aumento dos custos com pessoal diante de uma eventual redução da jornada semanal para 40 horas e do fim da escala 6x1 pressionou ações de varejistas e prestadoras de serviços nesta quinta-feira. Analistas avaliam que empresas com muitas despesas de pessoal podem ter as margens de lucro afetadas, embora o impacto dependa de como cada companhia se adaptar e de eventuais mudanças regulatórias.

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. Com menos dias trabalhados por funcionário, empresas que precisam manter operações durante toda a semana podem ter de ampliar equipes ou reorganizar turnos. Se a remuneração mensal não cair, o custo por hora trabalhada também tende a subir.

Lucca Silva, gestor de ações da Persevera Asset, estima que, se a folha representar 10% das despesas de uma empresa e esse gasto subir 10%, a pressão sobre as margens pode ficar entre um e dois pontos percentuais. Supermercados e redes de vestuário estariam entre os mais expostos, por terem uma parcela relevante de gastos com pessoal.

A corretora Monte Bravo também aponta risco de pressão nos custos em setores intensivos em mão de obra, caso a jornada seja reduzida gradualmente sem corte salarial. Já Andréa Angelo, estrategista de inflação na Warren Rena, calcula que a mudança pode provocar um choque equivalente a 6% de aumento real do salário mínimo nos próximos 14 meses. Na avaliação dela, parte desse custo pode ser repassada aos preços, sobretudo em serviços domésticos, alimentação, turismo, lazer e planos de saúde.

A necessidade de contratar trabalhadores para cobrir folgas adicionais é outro fator citado por analistas. Régis Chinchila, da Terra Investimentos, observa que supermercados precisam manter equipes em áreas como caixas, reposição, açougue, padaria, logística e atendimento. Como operam com margens relativamente estreitas, aumentos de despesas podem ter efeito relevante sobre a rentabilidade, segundo ele.

Chinchila citou SmartFit, RD Saúde, C&A, Renner, Grupo Mateus e Assaí entre as ações potencialmente mais expostas. Ele ressalvou que o efeito não é necessariamente igual para todas as empresas nem garante queda de rentabilidade.

No pregão desta quinta-feira, a MRV recuava 6%, enquanto Magazine Luiza caía 4,7%. C&A perdia 3,55%, SmartFit recuava 3,4% e Assaí, 3%. Analistas também relacionaram a pressão sobre papéis ligados à economia doméstica ao acirramento do cenário eleitoral indicado por pesquisa Quaest e à aversão ao risco no exterior.

Para entender

Escala 6x1
Modelo de organização do trabalho em que a pessoa trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. Uma eventual mudança pode exigir novas equipes ou reorganização de turnos em negócios que funcionam todos os dias.
Margem de lucro
Indicador que mostra quanto da receita de uma empresa sobra após descontar custos e despesas. Quando os gastos aumentam e a receita não acompanha, a margem pode diminuir.

Fontes: O Globo

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