Escala 6x1 pressiona ações de varejistas por risco de custos maiores
A redução da jornada para 40 horas pode elevar despesas com pessoal e afetar margens; supermercados e redes de vestuário estão entre os mais expostos.
Resumo em 30 segundos
A perspectiva de redução da jornada semanal para 40 horas e de fim da escala 6x1 pressionou ações de varejistas e prestadoras de serviços. Analistas apontam que empresas intensivas em mão de obra podem ter custos maiores e margens menores, mas o impacto dependerá da adaptação de cada companhia e de mudanças regulatórias.
A perspectiva de aumento dos custos com pessoal diante de uma eventual redução da jornada semanal para 40 horas e do fim da escala 6x1 pressionou ações de varejistas e prestadoras de serviços nesta quinta-feira. Analistas avaliam que empresas com muitas despesas de pessoal podem ter as margens de lucro afetadas, embora o impacto dependa de como cada companhia se adaptar e de eventuais mudanças regulatórias.
A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. Com menos dias trabalhados por funcionário, empresas que precisam manter operações durante toda a semana podem ter de ampliar equipes ou reorganizar turnos. Se a remuneração mensal não cair, o custo por hora trabalhada também tende a subir.
Lucca Silva, gestor de ações da Persevera Asset, estima que, se a folha representar 10% das despesas de uma empresa e esse gasto subir 10%, a pressão sobre as margens pode ficar entre um e dois pontos percentuais. Supermercados e redes de vestuário estariam entre os mais expostos, por terem uma parcela relevante de gastos com pessoal.
A corretora Monte Bravo também aponta risco de pressão nos custos em setores intensivos em mão de obra, caso a jornada seja reduzida gradualmente sem corte salarial. Já Andréa Angelo, estrategista de inflação na Warren Rena, calcula que a mudança pode provocar um choque equivalente a 6% de aumento real do salário mínimo nos próximos 14 meses. Na avaliação dela, parte desse custo pode ser repassada aos preços, sobretudo em serviços domésticos, alimentação, turismo, lazer e planos de saúde.
A necessidade de contratar trabalhadores para cobrir folgas adicionais é outro fator citado por analistas. Régis Chinchila, da Terra Investimentos, observa que supermercados precisam manter equipes em áreas como caixas, reposição, açougue, padaria, logística e atendimento. Como operam com margens relativamente estreitas, aumentos de despesas podem ter efeito relevante sobre a rentabilidade, segundo ele.
Chinchila citou SmartFit, RD Saúde, C&A, Renner, Grupo Mateus e Assaí entre as ações potencialmente mais expostas. Ele ressalvou que o efeito não é necessariamente igual para todas as empresas nem garante queda de rentabilidade.
No pregão desta quinta-feira, a MRV recuava 6%, enquanto Magazine Luiza caía 4,7%. C&A perdia 3,55%, SmartFit recuava 3,4% e Assaí, 3%. Analistas também relacionaram a pressão sobre papéis ligados à economia doméstica ao acirramento do cenário eleitoral indicado por pesquisa Quaest e à aversão ao risco no exterior.
Para entender
- Escala 6x1
- Modelo de organização do trabalho em que a pessoa trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. Uma eventual mudança pode exigir novas equipes ou reorganização de turnos em negócios que funcionam todos os dias.
- Margem de lucro
- Indicador que mostra quanto da receita de uma empresa sobra após descontar custos e despesas. Quando os gastos aumentam e a receita não acompanha, a margem pode diminuir.