Eleitores dos EUA antecipam voto nas eleições legislativas de 2026
Mais de 10 milhões de cédulas foram enviadas pelo correio, modalidade criticada por Donald Trump; democratas têm a maior fatia dos votos antecipados.
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Mais de 16 milhões de eleitores já votaram antecipadamente nas eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. Dados da Universidade da Flórida mostram que democratas representam 47,4% dos votos antecipados, contra 29,2% dos republicanos. A participação também é alta em estados como Texas e Geórgia.
Mais de 16 milhões de eleitores nos Estados Unidos já haviam votado antecipadamente nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, a menos de duas semanas da votação. Pouco mais de 10 milhões dessas cédulas foram enviadas pelo correio, modalidade que o presidente Donald Trump tentou restringir durante a campanha.
Os dados da Universidade da Flórida indicavam que 47,4% dos votos antecipados tinham sido registrados por eleitores democratas e 29,2% por republicanos. A votação antecipada permite que eleitores depositem seus votos antes do dia oficial da eleição; as regras e os prazos variam de estado para estado. Quarenta e sete estados e Washington, D.C., permitem essa opção sem exigir justificativa.
A disputa de 3 de novembro renovará assentos no Congresso, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado, e é considerada um teste para o governo Trump. Pesquisas apontam a possibilidade de os republicanos perderem a maioria nas duas casas. Entre as disputas acompanhadas está a corrida ao Senado no Texas, entre o republicano Ken Paxton e o democrata James Talarico.
A participação antecipada também era elevada em alguns estados. No Texas, 1.783.240 votos já haviam sido computados, em sua maioria presenciais, e os condados de Harris e Dallas registraram números históricos no primeiro dia. Na Geórgia, mais de 190 mil pessoas votaram no primeiro dia, acima do recorde registrado quatro anos antes.
Na Flórida, quase 20% dos eleitores que participaram da eleição de 2022 já tinham votado. O estado tem 6,7 milhões de habitantes hispânicos, e pesquisas citadas na cobertura da disputa apontam que parte dos latinos que apoiaram Trump em 2024 deve escolher candidatos democratas neste pleito. A votação antecipada começaria nos dias seguintes em estados como Maryland e Nova York.
Trump critica há anos o voto pelo correio e afirma, sem apresentar provas, que a modalidade facilita fraudes. Ainda assim, o presidente votou dessa forma em eleições recentes. Em setembro, a Suprema Corte rejeitou uma ordem executiva que alteraria de maneira ampla as regras para votação pelo correio antes das eleições de meio de mandato.
Após a decisão, Trump escreveu na rede Truth Social que ela era “horrível e altamente política”. Também afirmou que a decisão facilitaria fraudes com cédulas enviadas pelo correio. A controvérsia jurídica se desenvolveu enquanto os estados começavam a enviar as cédulas aos eleitores.
O cenário eleitoral ocorre em meio à queda na avaliação do presidente. Na pesquisa nacional Times/Siena mencionada na cobertura, 36% dos eleitores com maior probabilidade de votar disseram aprovar o desempenho de Trump, enquanto 59% o desaprovaram; entre independentes, mais de dois terços avaliaram negativamente sua atuação. O levantamento também apontou vantagem de 11 pontos percentuais para candidatos democratas na preferência dos eleitores em seus distritos.
A insatisfação com a guerra prolongada no Irã, os preços dos combustíveis, o custo de vida e a política migratória estão entre os fatores que pressionam os republicanos. No sábado anterior à publicação da notícia, protestos organizados pelo movimento “No Kings” (“Sem Reis”) também incentivaram os americanos a votar antecipadamente.