Trump enfrenta desconfiança de 7 em cada 10 americanos nas eleições
Pesquisa aponta que 70% duvidam que ele aceite uma derrota republicana nas eleições legislativas dos EUA, marcadas para 3 de novembro.
Resumo em 30 segundos
Levantamento com 2.545 adultos americanos mostra que sete em cada dez não confiam que Donald Trump aceitará uma derrota republicana nas eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Apesar disso, seis em cada dez entrevistados confiam que a votação será justa, e 65% acreditam que os votos serão contados corretamente.
Sete em cada dez americanos dizem não confiar que o presidente Donald Trump aceitará uma derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A votação definirá o controle da Câmara dos Deputados e do Senado e será realizada em todo o país, com impacto sobre a segunda metade do mandato presidencial.
A desconfiança sobre a reação de Trump diante de um resultado desfavorável atravessa os grupos políticos, mas varia conforme a preferência partidária. Entre os republicanos, 36% não acreditam que ele reconhecerá uma derrota; o índice sobe para 77% entre eleitores independentes e 94% entre democratas.
A avaliação sobre a postura do presidente contrasta com a confiança na condução da votação. Seis em cada dez entrevistados disseram estar muito ou razoavelmente confiantes de que a eleição será justa. Democratas e republicanos têm níveis próximos de confiança nesse aspecto: 70% e 67%, respectivamente. Entre independentes, 51% confiam na lisura do processo, enquanto 47% desconfiam.
Também há maioria que acredita que os votos serão contados corretamente: 65% dos entrevistados expressaram confiança. O resultado é próximo dos 66% registrados antes das eleições legislativas de 2022. Na pesquisa atual, a confiança na apuração é maior entre democratas, com 76%, do que entre republicanos, com 68%; entre independentes, chega a 55%.
A percepção republicana sobre a contagem mudou desde a eleição presidencial de 2024. Naquele momento, 49% dos simpatizantes do partido confiavam que os votos seriam contabilizados corretamente. Depois da vitória de Trump, quase todos os republicanos passaram a considerar legítimo o resultado presidencial, e 77% disseram não haver evidências sólidas de fraude eleitoral, segundo levantamento posterior citado na pesquisa.
A expectativa sobre o controle da Câmara também favorece os democratas nas respostas. Enquanto 35% dos entrevistados preveem que o partido conquistará a maioria, 16% esperam que os republicanos a mantenham. Outros 28% consideram a disputa indefinida, e 21% não souberam responder. A eleição também definirá a composição do Senado.
O histórico de Trump inclui questionamentos à legitimidade de eleições, sobretudo depois de sua derrota para Joe Biden, em 2020. Na ocasião, ele não reconheceu o resultado e divulgou alegações de fraude eleitoral, embora não houvesse evidências de irregularidades generalizadas. Em fevereiro deste ano, ao ser questionado sobre se aceitaria o resultado caso os republicanos perdessem o controle do Congresso, respondeu: “Confiarei se as eleições forem honestas.”
A Constituição dos Estados Unidos atribui aos Estados a organização das eleições, e o presidente não controla diretamente a votação. Trump, porém, defendeu “nacionalizar a votação” e ampliar a influência federal sobre o processo. Seu governo também tentou impor restrições ao voto pelo correio, medidas bloqueadas pela Suprema Corte, e enfraqueceu órgãos federais encarregados de proteger as eleições.
Autoridades eleitorais locais se prepararam para a possibilidade de apreensão de cédulas e presença de agentes federais nos locais de votação. Ainda assim, a confiança na administração eleitoral permanece acima da desconfiança em parte expressiva dos entrevistados. Sobre os líderes democratas, 61% disseram acreditar que reconheceriam uma derrota; o índice é de 88% entre democratas, 58% entre independentes e 36% entre republicanos.
A pesquisa foi realizada pela internet entre 9 e 13 de outubro com 2.545 adultos americanos. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos; nas perguntas sobre a lisura da votação, feitas a aproximadamente metade dos participantes, é de 2,8 pontos.