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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Douglas Ruas pode vencer eleição do Rio no primeiro turno

O TSE ainda vai decidir se os votos de Anthony Garotinho serão excluídos da contagem; sem eles, Ruas teria cerca de 50,9% dos votos válidos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urnas lacradas e mesas de apuração em uma sala eleitoral no Rio de Janeiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urnas lacradas e mesas de apuração em uma sala eleitoral no Rio de Janeiro.
Resumo em 30 segundos

Douglas Ruas terminou o primeiro turno da eleição para o governo do Rio com 49,27% dos votos, à frente de Eduardo Paes. Anthony Garotinho pediu para desistir do recurso contra o indeferimento de sua candidatura. O TSE analisa se a saída do recurso altera a contagem e pode levar Ruas à vitória no primeiro turno.

Douglas Ruas (PL) terminou o primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro, neste domingo (4), com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Eduardo Paes (PSD). A definição sobre a realização de um segundo turno depende agora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa a desistência do recurso de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato cujos votos podem ser retirados da contagem e levar Ruas a ultrapassar 50%.

Garotinho protocolou nesta segunda-feira (5) um pedido para desistir do recurso que buscava reverter o indeferimento de seu registro de candidatura. Ele recebeu 3,17% dos votos, contabilizados como anulados sob condição, porque concorreu enquanto aguardava uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral sobre sua candidatura.

Se os votos de Garotinho forem excluídos da totalização dos votos válidos, Ruas passará a cerca de 50,9%. Nesse cenário, poderá ser declarado eleito no primeiro turno, sem nova votação contra Paes. O ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo no TSE, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral para manifestação em dois dias.

Ainda não há decisão final sobre os efeitos da desistência. A campanha de Paes avalia que o TSE pode analisar recursos mesmo após o candidato desistir quando os votos em disputa influenciam o resultado. O advogado de Garotinho, Admar Gonzaga, afirma que essa regra vale para eleições proporcionais, destinadas à escolha de representantes do Legislativo, e não para a disputa ao governo.

Ruas disse confiar na Justiça e afirmou que as duas candidaturas que aguardam a decisão têm o mesmo entendimento sobre o destino dos votos de Garotinho. Paes, por sua vez, pediu nas redes sociais que apoiadores se mobilizem para o segundo turno e criticou a tentativa de impedir uma nova votação. Ele chamou Garotinho de “candidato laranja” e afirmou que a decisão poderia retirar dos eleitores o poder de escolher o governador.

Garotinho teve o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) em razão de uma condenação por improbidade administrativa. O caso envolve a acusação de desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde para organizações não governamentais que teriam financiado sua pré-candidatura à Presidência da República em 2006. Os fatos ocorreram durante o governo de Rosinha Garotinho, mulher do ex-governador.

A defesa de Garotinho sustenta que a suspensão dos direitos políticos, aplicada por oito anos, começou a valer em 2018 e terminou em agosto deste ano. O TRE-RJ considerou que a condenação só transitou em julgado — quando não cabe mais recurso — no ano passado e, por isso, entendeu que a inelegibilidade segue até 2033. Na sexta-feira (2), o ministro Floriano Marques determinou que os votos de Garotinho fossem tratados como nulos enquanto persistisse o indeferimento da candidatura.

A disputa chegou a esse impasse depois de uma virada expressiva de Ruas durante a campanha. Em agosto, ele aparecia com 19% das intenções de voto em pesquisa Datafolha, ante 41% de Paes. A vantagem do ex-prefeito diminuiu nos levantamentos seguintes, e Ruas chegou a 38% dos votos válidos na pesquisa divulgada na véspera da votação. Na apuração, ficou à frente em 79 dos 92 municípios fluminenses; Paes venceu nos outros 13.

O avanço teve como base uma estrutura política que se expandiu para além de São Gonçalo, principal reduto eleitoral de Ruas. Filho do prefeito do município, Capitão Nelson, e inspetor da Polícia Civil, ele foi eleito deputado estadual em 2022 com cerca de 175 mil votos, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa naquele ano. Aproximadamente 85% de seus votos vieram de São Gonçalo.

A projeção estadual ganhou força quando Ruas assumiu a Secretaria das Cidades no governo de Cláudio Castro, em 2023. O cargo ampliou seu contato com prefeitos e deputados de diferentes regiões e sua presença em agendas ligadas a obras e repasses. Em fevereiro, o PL definiu sua candidatura com apoio do presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, e de Flávio Bolsonaro, que passou a associar publicamente a disputa estadual à sua candidatura presidencial.

Essa ligação também apareceu nos dados eleitorais: entre o fim de agosto e o fim de setembro, a parcela dos eleitores de Flávio que declarava voto em Ruas subiu de 37% para 63%, segundo levantamentos Datafolha. A estratégia buscou consolidar o chamado voto casado, em que eleitores apoiam candidatos da mesma corrente política em disputas diferentes.

Ruas não chegou à campanha como governador interino, embora essa fosse uma possibilidade considerada por seus aliados. Após ser eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio, ele tentou assumir o Executivo estadual na linha sucessória, mas o Supremo Tribunal Federal manteve Ricardo Couto no comando enquanto julga a sucessão. A Corte formou placar de 4 a 1 favorável a uma eleição indireta para o mandato-tampão, escolhida pelos deputados estaduais, mas suspendeu a análise após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Para entender

Votos anulados sub judice
São votos de candidatos cujo registro foi indeferido pela Justiça Eleitoral, mas que concorreram enquanto aguardavam uma decisão definitiva sobre recursos. A situação pode afetar a totalização dos votos válidos, conforme o desfecho do processo.
Segundo turno
Nas eleições para governador, há segundo turno quando nenhum candidato alcança mais da metade dos votos válidos no primeiro. A nova votação é disputada pelos dois candidatos mais votados.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo, Zero Hora

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