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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Democratas assumem controle das duas casas do Congresso dos EUA

Nas eleições de meio de mandato de 2026, o partido garantiu 52 cadeiras no Senado e avançou para superar o mínimo necessário na Câmara; Trump disse que teria vencido se estivesse nas cédulas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos iluminado ao entardecer, em Washington, D.C. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos iluminado ao entardecer, em Washington, D.C.
Resumo em 30 segundos

Os democratas conquistaram a maioria no Senado e projetavam superar os 218 assentos necessários para controlar a Câmara dos Representantes. A vitória dá à oposição poder para comandar pautas e comissões e fiscalizar o governo Trump. A economia esteve entre as principais preocupações dos eleitores, e o resultado pode influenciar a disputa presidencial de 2028.

Os democratas conquistaram a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira, impondo uma derrota ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano. Na apuração da madrugada desta quarta-feira, 4 de novembro, a oposição já havia garantido 52 das 100 cadeiras do Senado, enquanto projeções indicavam que também superaria os 218 assentos necessários para controlar a Câmara dos Representantes.

A mudança de maioria dá aos democratas poder para comandar as pautas e as comissões do Congresso durante a segunda metade do mandato de Trump. O controle das duas casas também pode dificultar a aprovação de propostas presidenciais, embora o presidente mantenha o poder de vetar projetos aprovados pelos parlamentares. A eleição não escolhe o presidente: as disputas de meio de mandato renovam cargos legislativos e estaduais no meio do ciclo presidencial.

Trump respondeu ao resultado em sua rede social: “Meu nome não estava nas cédulas e, se estivesse, nós teríamos vencido de forma arrasadora!” No dia da votação, ele também minimizou a preocupação com o custo de vida e afirmou: “A inflação está resolvida”. A inflação e o preço dos produtos, porém, estavam entre as questões que preocupavam eleitores, junto com o custo da energia e as tarifas comerciais.

O comparecimento às urnas parece ter sido superior ao de eleições de meio de mandato anteriores, embora os números oficiais ainda não estivessem disponíveis. Projeções apontavam mais de 10 milhões de votos no Texas e mais de 7,2 milhões na Flórida. A Universidade da Flórida registrava quase 61 milhões de votos antecipados.

Os democratas também conquistaram vitórias simbólicas em disputas estaduais. Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira governadora negra da Geórgia, e Deb Haaland será a primeira mulher indígena a governar o Novo México. No Texas, James Talarico venceu uma eleição para o Senado, tornando-se o primeiro democrata eleito para a Casa pelo estado desde 1988.

No Michigan, o democrata Abdul El-Sayed liderava a apuração na disputa por uma cadeira no Senado, ocupada até então por um democrata. A corrida ganhou importância para os republicanos, que viam a possibilidade de vencer como uma oportunidade de conter o avanço da oposição. Nas últimas 72 horas antes da votação, Haley Stevens, derrotada nas primárias democratas, declarou apoio ao republicano Mike Rogers.

A economia foi um dos temas centrais da campanha. O custo de vida, os preços dos combustíveis e as tarifas impostas por Trump apareceram entre as preocupações dos eleitores. Na Virgínia, a expansão de centros de processamento de dados também entrou no debate, porque o consumo de eletricidade dessas instalações pode elevar custos para moradores, segundo o professor de Ciência Política Alex Keena.

A votação ocorreu em meio a tentativas de redesenhar distritos eleitorais para favorecer partidos. Nos Estados Unidos, as regras e a administração das eleições são descentralizadas e ficam a cargo dos estados. Essa divisão dificulta que uma autoridade federal controle diretamente a realização do pleito em todo o país, embora as regras variem de um estado para outro.

Com a oposição no comando das duas casas, o Congresso poderá fiscalizar o governo e bloquear ou modificar iniciativas presidenciais. A Câmara pode iniciar processos de impeachment, mas uma eventual condenação exige votação no Senado. Trump também pode vetar projetos aprovados pelos parlamentares; para derrubar um veto, o Congresso precisa reunir apoio de dois terços em cada casa.

O resultado abre uma disputa sobre a direção do Partido Republicano e pode influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028. A resposta de Trump à perda de maioria também será acompanhada pelos partidos, mas sua primeira reação pública foi dizer que teria vencido caso seu nome estivesse nas cédulas.

Fontes: Valor Econômico

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