Crusoe e Araico planejam data center no Paraguai com energia de Itaipu
A primeira etapa terá 106 megawatts de capacidade e deve começar a operar em meados de 2027, atendendo clientes de nuvem nos EUA e na América Latina.
Resumo em 30 segundos
A americana Crusoe e a paraguaia Araico anunciaram uma parceria para construir um centro de computação de alto desempenho no Paraguai, abastecido com energia de Itaipu. A primeira fase, prevista para meados de 2027, terá 106 megawatts e poderá ser ampliada para cerca de 280 megawatts. O projeto ocorre enquanto Brasil e Paraguai discutem regras de comercialização de energia.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (21) uma parceria entre a empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico para construir no Paraguai uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida com energia da usina hidrelétrica de Itaipu. A primeira etapa deve entrar em operação em meados de 2027 e atender clientes de serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina.
O projeto, voltado a serviços de inteligência artificial e computação em nuvem, poderá se tornar um dos maiores investimentos privados da história paraguaia, segundo o Departamento de Estado americano. O comunicado oficial não detalhou o investimento nem as condições comerciais para o fornecimento de energia. A instalação será desenvolvida perto da subestação de Itaipu, segundo informações divulgadas sobre a parceria.
A empresa americana informou que a primeira fase terá capacidade de tecnologia da informação de 106 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para cerca de 280 MW. A Araico ficará responsável pelo desenvolvimento local e pela infraestrutura do terreno; a Crusoe administrará e operará a estrutura computacional e fornecerá serviços de nuvem.
O anúncio ocorreu durante a visita ao Paraguai, entre 19 e 21 de outubro, do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. Ele se reuniu com o presidente Santiago Peña e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez, para tratar do fortalecimento da parceria entre os dois países. Peña afirmou que a iniciativa pode ajudar o Paraguai a se consolidar como referência regional em infraestrutura de inteligência artificial.
Itaipu é uma usina binacional administrada por Brasil e Paraguai. Pelo tratado de 1973, cada país tem direito à metade da energia produzida. Como o consumo paraguaio é inferior à parcela que lhe cabe, o excedente tem sido tradicionalmente comprado pelo Brasil.
Em manifestação, o lado brasileiro de Itaipu afirmou que a visita de Landau foi organizada pela margem paraguaia, sem participação da diretoria brasileira ou do governo brasileiro. A nota também destacou que cada país-sócio pode receber autoridades estrangeiras sem autorização prévia. Segundo a usina, projetos como o anunciado não são de sua competência, e a contratação e a comercialização de energia devem seguir o tratado e seus instrumentos complementares.
A destinação da energia excedente e as regras comerciais estão no centro das conversas entre Brasil e Paraguai para rever o Anexo C do tratado, que define bases financeiras e critérios para a prestação dos serviços de eletricidade. Em 2024, os governos acordaram tarifas para três anos e previram a possibilidade de o Paraguai vender excedentes no mercado livre brasileiro a partir de 2027.
Durante a mesma visita, os Estados Unidos também anunciaram um investimento de US$ 12 milhões da Uranium Energy Corp para desenvolver uma concessão de urânio no Paraguai. A delegação americana discutiu ainda cooperação em minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.
Para entender
- Anexo C de Itaipu
- Parte do tratado de Itaipu que estabelece as bases financeiras e os critérios para a prestação dos serviços de eletricidade da usina. Brasil e Paraguai negociam sua revisão, incluindo regras relacionadas à comercialização da energia excedente paraguaia.