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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

COP-31 retoma mapa de Baku a Belém e debate financiamento climático

O plano busca mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para ações climáticas em países em desenvolvimento, mas o valor não está comprometido.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Engenheiros avaliam um projeto de energia renovável com turbinas eólicas e painéis solares ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Engenheiros avaliam um projeto de energia renovável com turbinas eólicas e painéis solares ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A COP-31 começa em 9 de novembro, na Turquia, com debates sobre financiamento climático, adaptação, redução de emissões e mercados de carbono. Entre os temas está o Mapa do Caminho de Baku a Belém, que busca orientar a mobilização de pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para países em desenvolvimento. O montante é uma meta, não dinheiro já distribuído.

A COP-31 começa em 9 de novembro, em Antália, na Turquia, com uma divisão inédita de funções: o país-sede organizará a conferência e exercerá a presidência, enquanto a Austrália conduzirá as negociações. O encontro deverá discutir como transformar compromissos climáticos anteriores em medidas práticas, com destaque para financiamento, adaptação e redução de emissões.

O Brasil chega à conferência após sediar a COP-30, em Belém, em 2025, que terminou com 56 decisões aprovadas por consenso. Entre os temas que terão continuidade está o financiamento climático para países em desenvolvimento, considerado essencial para executar projetos de redução de emissões e de preparação para os impactos do aquecimento global.

Um dos instrumentos em debate é o Mapa do Caminho de Baku a Belém, elaborado pelas presidências das COPs 29 e 30. A iniciativa busca orientar a mobilização de pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para financiar ações climáticas em países em desenvolvimento. O valor é uma meta de recursos anuais, não um montante já comprometido ou distribuído.

A dificuldade, segundo uma proposta apresentada à presidência da COP-30, não se limita à disponibilidade de capital. O custo elevado do dinheiro, a percepção de risco e a falta de projetos preparados para receber investimentos dificultam que os recursos cheguem às iniciativas, especialmente nos países em desenvolvimento.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) articulou uma contribuição para implementar o mapa, com Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander, além de apoio técnico da EY e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entregue no fim de outubro à presidência da COP-30, o documento identifica oito obstáculos ao financiamento e reúne recomendações.

Entre as propostas está ampliar garantias e recursos públicos para reduzir riscos de projetos e atrair capital privado. Para obras de adaptação, que podem evitar prejuízos sem gerar receita direta, o grupo recomenda incorporar medidas de proteção contra eventos extremos aos contratos de concessão de infraestrutura. A medida poderia facilitar o financiamento dessas obras.

O Mapa de Baku a Belém integra um conjunto de três roteiros climáticos que ganharam força após a COP-30. Os outros dois, conduzidos pela presidência brasileira fora dos acordos formais da conferência, tratam da transição para longe dos combustíveis fósseis e do fim do desmatamento até 2030. As agendas dependem de investimentos e de condições para que tecnologias e modelos produtivos menos poluentes sejam adotados.

Na COP-31, a agenda de ação também deverá abordar as emissões de metano, com foco na gestão de resíduos. A presidência turca pretende promover a captura do gás produzido em aterros sanitários para gerar biogás e biometano. A iniciativa pode reduzir emissões e, ao mesmo tempo, criar fontes de energia e oportunidades de negócio.

Outro objetivo proposto pela Turquia é elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia no mundo, de pouco mais de 20% para 35% até 2035. Para isso, será necessário ampliar o uso de eletricidade nos transportes e na indústria, além de investir em redes, armazenamento e infraestrutura. A proposta inclui a necessidade de garantir fornecimento confiável a custos competitivos.

O Brasil pode se beneficiar desse movimento porque sua matriz elétrica é predominantemente renovável, conforme a contribuição empresarial apresentada. A eletrificação, porém, exige coordenação entre setores: a adoção de frotas e equipamentos elétricos depende de redes e pontos de recarga, enquanto biocombustíveis conectam atividades agrícolas, industriais e de transporte.

Desde 2024, coalizões empresariais coordenadas pelo Cebds reúnem organizações de agricultura, transportes, mineração e energia elétrica para identificar soluções de descarbonização. Em outubro, os resultados foram apresentados à presidência da COP-30: um Núcleo Intersetorial do Clima, com 33 alavancas de descarbonização, 190 indicadores e 100 ações. As frentes de agricultura, transportes e mineração têm potencial estimado de reduzir cerca de 900 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano até 2050.

A conferência também deve tratar dos mercados de carbono e dos mecanismos previstos nos artigos 6.2 e 6.4 do Acordo de Paris. Eles permitem que países cooperem para reduzir emissões. As regras internacionais sobre transferência de resultados de mitigação, metodologias e integridade ambiental podem influenciar a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, que o país está desenvolvendo.

Financiamento, infraestrutura e regras claras afetam as decisões de investimento e a competitividade dos países. A COP-31 deverá discutir como aproximar instituições financeiras, empresas e projetos, além de dar continuidade às iniciativas lançadas em Belém. A conferência ocorre em um momento de pressão para que os compromissos do Acordo de Paris se convertam em ações concretas de redução de emissões e adaptação.

Para entender

Mapa do Caminho de Baku a Belém
Iniciativa elaborada pelas presidências das COPs 29 e 30 para orientar a mobilização de recursos destinados à ação climática em países em desenvolvimento. A proposta trata de financiamento, mas não representa, por si só, dinheiro já comprometido ou distribuído.
Artigos 6.2 e 6.4
Dispositivos do Acordo de Paris que estabelecem formas de cooperação entre países para reduzir emissões. Incluem regras para transferências internacionais de resultados de mitigação e mecanismos de crédito de carbono, com exigências para preservar a integridade ambiental.

Fontes: Estadão

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