Companhias aéreas chinesas têm lucro pressionado pelo combustível
As três registraram prejuízo líquido nos nove primeiros meses de 2026, e analistas estimam que podem encerrar o ano no vermelho, apesar da alta na receita.
Resumo em 30 segundos
China Southern, China Eastern e Air China tiveram resultados pressionados pelo aumento dos custos de combustível no terceiro trimestre. Embora a receita das três companhias tenha crescido, elas acumularam prejuízo nos nove primeiros meses de 2026. Analistas estimam que as empresas podem fechar o ano no vermelho, em um cenário de tarifas limitadas e expansão da oferta de voos.
China Southern Airlines, China Eastern Airlines e Air China registraram queda nos resultados no terceiro trimestre e prejuízo líquido nos nove primeiros meses do ano, em comparação com o lucro obtido no mesmo período de 2025. O avanço dos custos de combustível, em meio ao conflito no Oriente Médio, pressionou as três maiores companhias aéreas da China durante a alta temporada de viagens.
A China Southern informou na sexta-feira, dia 30, que teve prejuízo líquido de 609 milhões de yuans no terceiro trimestre, equivalente a US$ 91,5 milhões. No mesmo trimestre do ano anterior, a empresa havia registrado lucro. A companhia atribuiu a reversão à volatilidade dos preços dos combustíveis.
A China Eastern teve lucro trimestral de 64 milhões de yuans, uma queda de 98%. A empresa afirmou que a alta do querosene de aviação elevou diretamente seus custos operacionais. Já a Air China registrou redução de 93% no lucro líquido do trimestre e também apontou os custos de combustível como fator para o resultado.
Apesar da pressão sobre a rentabilidade, as receitas cresceram nas três empresas. A Air China teve alta de 5,35%, enquanto a receita da China Eastern avançou 8,2%. A receita operacional da China Southern aumentou 2,3% no período.
Estimativas de analistas compiladas pela Bolsa de Londres indicavam, nesta segunda-feira, dia 2, que as três companhias poderiam fechar o ano no prejuízo. A avaliação ocorre após perdas acumuladas nos nove primeiros meses, embora a demanda tenha aumentado em algumas rotas.
Segundo dados da Administração de Aviação Civil da China, o mercado aéreo do país transportou 593 milhões de passageiros nos três primeiros trimestres de 2026, alta de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas rotas internacionais, o número de passageiros cresceu 4,7%; nos voos domésticos, a expansão foi de 1,7%.
O aumento dos custos ocorre em um cenário em que a capacidade de elevar tarifas é limitada. Passagens mais caras podem levar passageiros a optar por alternativas, como os trens de alta velocidade, enquanto a oferta de voos cresce. A análise da DBS Group Research apontou que a expansão da capacidade dificulta o aumento das tarifas a níveis que permitam lucros e pode tornar o quarto trimestre especialmente difícil para as empresas.
As companhias aéreas chinesas citadas são grandes operadoras do mercado asiático, mas os dados apresentados não detalham quais delas mantêm voos regulares no Brasil. O desempenho financeiro também não determina, por si só, qual empresa é a melhor opção para passageiros: isso depende de fatores como rotas disponíveis, preço, conexões e serviços oferecidos.