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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Israel critica Nobel da Paz concedido à jurista Navi Pillay

O governo afirma que a premiação legitima o que chama de ódio anti-Israel, após Pillay liderar comissão que concluiu que houve genocídio em Gaza.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Medalha do Nobel da Paz sobre uma almofada em um palco iluminado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Medalha do Nobel da Paz sobre uma almofada em um palco iluminado.
Resumo em 30 segundos

Israel criticou a concessão do Nobel da Paz à jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu uma comissão de inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado. A comissão concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio em Gaza; o governo israelense rejeitou o relatório. Pillay foi reconhecida por seu trabalho em favor da paz e do direito internacional.

Israel criticou nesta sexta-feira, 9 de outubro, a concessão do Prêmio Nobel da Paz à jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos. O Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que a decisão legitima o que chamou de “ódio anti-Israel”, em referência ao trabalho de Pillay sobre a guerra na Faixa de Gaza.

Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Território Palestino Ocupado. Em 2025, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O governo israelense rejeitou o relatório e o classificou como “tendencioso e mentiroso”. A comissão não fala em nome da ONU.

Em publicação na rede social X, a chancelaria israelense escreveu que o Comitê Nobel havia recompensado “a maior mentira do século 21” e afirmou que Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, estaria “aplaudindo do inferno”. Em outro comunicado, o ministério disse que Pillay seria favorita a um prêmio por “mentiras, ódio e calúnias de sangue” e acusou a jurista de contribuir para a “demonização” de Israel.

O Comitê Norueguês do Nobel afirmou que Pillay foi reconhecida por seus esforços em favor da paz e do direito internacional. No primeiro discurso após o anúncio, ela mencionou o relatório sobre Gaza e disse que uma das reações ao documento era homenageá-la por sua coragem. “Por que eu precisaria de coragem para dizer a verdade?”, questionou.

A jurista também brincou sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já afirmou que merecia o Nobel da Paz. “Se vocês aplaudirem um pouco mais forte, talvez eu divida o prêmio com Trump”, disse. No ano passado, a vencedora do Nobel, a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado, presenteou Trump com sua medalha.

Pillay foi alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos e a primeira juíza não branca da Suprema Corte da África do Sul. Também atuou no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou responsáveis pelo genocídio de 1994, e atualmente é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya.

O Nobel da Paz é concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel. A premiação a Pillay não significa que Israel tenha recebido a honraria: ela foi reconhecida individualmente por seu trabalho, em meio à controvérsia sobre suas conclusões a respeito da guerra entre Israel e o Hamas.

Para entender

Comissão de inquérito da ONU
A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado investiga violações do direito internacional relacionadas à situação nos territórios palestinos. É um órgão independente criado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e não fala em nome de toda a organização.
Comitê Norueguês do Nobel
Órgão responsável por escolher o laureado do Prêmio Nobel da Paz. Seus cinco integrantes são nomeados pelo Parlamento da Noruega, e a decisão sobre o prêmio é distinta das posições oficiais do governo norueguês.

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo

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