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Sábado, 17 de outubro de 2026

CGPM antecipa fim dos segundos bissextos para 2027

A mudança começa em 20 de maio e encerra ajustes usados desde 1972 para aproximar o UTC da rotação terrestre, após o risco de um segundo negativo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Relógio atômico em laboratório, com um globo ao fundo representando a rotação da Terra. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Relógio atômico em laboratório, com um globo ao fundo representando a rotação da Terra.
Resumo em 30 segundos

A Conferência Geral de Pesos e Medidas decidiu antecipar para 20 de maio de 2027 o fim dos segundos bissextos no UTC. Os ajustes, usados desde 1972 para aproximar o horário oficial da rotação da Terra, podem causar falhas em sistemas digitais. Sem eles, o UTC poderá se afastar gradualmente do tempo solar.

A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) decidiu abolir os segundos bissextos a partir de 20 de maio de 2027. A votação ocorreu na quinta-feira, 15 de outubro, em Versalhes, na França, e antecipa uma mudança que os delegados já haviam aprovado como meta para 2035. O ajuste usado para aproximar o tempo oficial da rotação da Terra deixará de ser aplicado ao Tempo Universal Coordenado (UTC), referência internacional dos relógios civis.

Um segundo bissexto é um ajuste de um segundo acrescentado ao UTC quando a rotação terrestre fica dessincronizada em relação aos relógios atômicos, que medem o tempo com maior regularidade. Desde 1972, foram incluídos 27 desses segundos. A mudança agora aprovada busca manter um padrão global de horário sem os ajustes que podem causar dificuldades a sistemas que dependem de marcações precisas.

O UTC é calculado com base em relógios atômicos, mas os segundos bissextos permitem aproximá-lo do tempo solar, definido pelo movimento da Terra. A rotação do planeta não é perfeitamente constante, por isso o horário solar e o dos relógios atômicos podem se afastar. Até agora, o ajuste mantinha a diferença dentro de um limite estabelecido internacionalmente.

A decisão tem impacto potencial em serviços que precisam coordenar registros com precisão, como telecomunicações, energia, centros de dados e mercados financeiros. Em servidores distribuídos, a sincronização ajuda diferentes máquinas a operar em conjunto. No setor financeiro, os carimbos de data e hora registram a sequência das ordens e podem servir como trilha de auditoria para o cumprimento de regras.

A inclusão de um segundo extra já provocou problemas em sistemas digitais. Em 2012, quando o ajuste foi aplicado, sites como Reddit e LinkedIn falharam, e a companhia aérea Qantas registrou atrasos em voos. O episódio mostrou que softwares e equipamentos nem sempre lidam de maneira uniforme com um minuto que contém um segundo adicional.

A forma de aplicar o ajuste também contribuiu para a discussão. Em 2008, a Google evitou acrescentar o segundo de uma só vez e distribuiu a correção ao longo de 20 horas, alterando gradualmente os relógios de seus servidores. A prática, conhecida como “distribuição” do segundo, foi adotada por outras empresas, que passaram a usar soluções próprias para sincronizar os sistemas.

Essas adaptações criaram um desafio para o UTC: se empresas e setores recorrem a métodos diferentes, fica mais difícil manter um horário comum como referência. A decisão da CGPM procura dar continuidade ao uso do padrão internacional, ao mesmo tempo que evita a necessidade de inserir segundos extras em momentos determinados. O diretor da União Internacional de Telecomunicações, Mario Maniewicz, afirmou que o horário precisa ser atualizado para atender às necessidades dos usuários do século 21.

Na reunião de 2022, os delegados haviam concordado em tornar o UTC efetivamente livre de segundos bissextos até 2035. A decisão de antecipar a mudança para 2027 veio após previsões sobre a rotação futura da Terra levantarem a possibilidade de um segundo bissexto negativo. Nesse caso, em vez de acrescentar um segundo, seria necessário retirar um, uma mudança sem precedente que poderia representar novos riscos para sistemas informatizados.

A extinção dos ajustes, porém, reduz a ligação direta entre o UTC e a rotação terrestre. Astrônomos que usam o horário como referência geral para acompanhar o movimento do planeta precisarão recorrer a outras alternativas. A proposta apresentada à conferência reconhece essa necessidade, embora a mudança tenha sido definida para preservar um padrão de tempo que possa ser usado de forma ampla.

A decisão não altera a duração física do dia nem a maneira como a Terra gira. Ela muda a regra usada para manter o relógio civil sincronizado com esse movimento. O UTC continuará a ser uma referência comum, mas poderá se afastar gradualmente do tempo solar, em vez de receber correções de um segundo em intervalos determinados.

A discussão sobre o tempo oficial envolve, assim, a escolha de um padrão que atenda a usos distintos. Sistemas digitais e transações financeiras precisam de registros uniformes; observações astronômicas dependem de acompanhar a rotação terrestre. A decisão da CGPM dá prioridade à continuidade do padrão global sem segundos bissextos e deixa para os usuários com necessidades específicas a busca por outras formas de medir o tempo.

Fontes: Folha de S.Paulo

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