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Sábado, 17 de outubro de 2026

Corrente AMOC pode recuperar força se o planeta esfriar

Um estudo dinamarquês aponta que a circulação começaria a se fortalecer com a queda das temperaturas, mas a recuperação completa poderia levar séculos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mar do Atlântico com blocos de gelo e costa da Groenlândia ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mar do Atlântico com blocos de gelo e costa da Groenlândia ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A AMOC, corrente oceânica que leva águas quentes dos trópicos ao norte, poderia recuperar força caso o planeta esfriasse, segundo um estudo do Instituto Meteorológico Dinamarquês. A simulação não encontrou um ponto irreversível de colapso, mas a recuperação completa levaria séculos. Os autores alertam que o modelo é único e que o resfriamento necessário não é viável hoje.

Um estudo do Instituto Meteorológico Dinamarquês publicado na quarta-feira (14) concluiu que a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas enfraquecido pelo aquecimento global, poderia recuperar força se o planeta esfriasse. A pesquisa, divulgada na revista Science Advances, não identificou no modelo usado um ponto irreversível que levaria ao colapso da circulação, mas indica que a recuperação completa poderia levar séculos.

A AMOC transporta águas quentes dos trópicos para o norte, em direção ao Ártico, e contribui para manter invernos mais amenos na Europa. O sistema também influencia padrões de chuva e o nível do mar; uma perturbação pode alterar a distribuição global das chuvas e acelerar a elevação do oceano em áreas costeiras.

No cenário modelado, diante de um aquecimento global de cerca de 7°C, o fluxo poderia cair dos atuais aproximadamente 17 milhões de metros cúbicos de água por segundo para cerca de seis milhões. Segundo o principal autor do estudo, Chuncheng Guo, a corrente começaria a se fortalecer assim que as temperaturas globais diminuíssem, mas os efeitos da desaceleração continuariam por muito tempo.

A simulação não significa que o resfriamento necessário para reverter o processo seja viável. Guo afirmou que o ritmo de queda das temperaturas exigido está além do que a tecnologia atual permite. Ele também ressaltou que a pesquisa usou um único modelo, e que os resultados precisam ser testados em outras simulações.

O estudo aponta ainda um limite importante: a camada de gelo da Groenlândia, cujo derretimento libera água doce e fria no oceano e contribui para enfraquecer a AMOC, não se recomporia mesmo se o aquecimento fosse revertido. Os pesquisadores estimaram que o derretimento associado a uma elevação de 1,5°C na temperatura global poderia provocar, no longo prazo, uma alta de cerca de 20 centímetros no nível do mar.

A estimativa de 7°C foi usada para investigação científica e está muito acima das projeções atuais. Em setembro, um órgão ambiental da Organização das Nações Unidas afirmou que o limite de 1,5°C previsto no Acordo de Paris, de 2015, deverá ser ultrapassado dentro de poucos anos. Os países signatários se comprometeram a limitar o aquecimento a esse patamar para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.

Willem Huiskamp, do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, que não participou do trabalho, disse considerar positiva a possibilidade de maior estabilidade da AMOC, mas questionou se a corrente real é tão estável quanto alguns modelos sugerem. Guo afirmou que evitar o aquecimento desde o início é uma estratégia mais segura do que depender de um resfriamento posterior.

Fontes: Folha de S.Paulo

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