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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Carter Center elogia apuração da eleição presidencial no Brasil

A missão observou que a votação foi prorrogada por duas horas, mas os resultados das mais de 499 mil seções saíram poucas horas depois.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urna eletrônica em uma seção eleitoral após o encerramento da votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urna eletrônica em uma seção eleitoral após o encerramento da votação.
Resumo em 30 segundos

O Carter Center elogiou a apuração do segundo turno presidencial, apesar de avaliar que a prorrogação de duas horas no horário de votação dificultou a organização. A missão acompanhou locais no Distrito Federal e apontou questões sobre judicialização e plataformas digitais. A avaliação completa será divulgada em relatório final.

O Carter Center elogiou a apuração do segundo turno da eleição presidencial brasileira, realizado no domingo (25), mas afirmou que a extensão do horário de votação criou um ambiente operacional desafiador. A instituição disse que os resultados das mais de 499 mil seções eleitorais foram divulgados poucas horas depois do encerramento da votação, apesar das mudanças de última hora.

Em comunicado, Jennie Lincoln, assessora sênior do centro para a América Latina e o Caribe e chefe da missão, afirmou que a eleição foi concluída com sucesso e destacou o compromisso do Brasil com a democracia. Ela disse que candidatos e apoiadores devem respeitar os resultados e que alegações apoiadas por evidências devem ser encaminhadas pelos meios legais.

O grupo observou que a votação foi prorrogada por duas horas depois do horário previsto. Para o Carter Center, a alteração, determinada no próprio dia da eleição, tornou mais difícil a organização do trabalho eleitoral. Ainda assim, os resultados foram disponibilizados na noite de domingo no site e no aplicativo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A missão, formada por quatro integrantes, acompanhou locais de votação no Distrito Federal. O grupo incluiu especialistas da Alemanha, de Portugal e dos Estados Unidos, além de funcionários da instituição. Seu trabalho se concentrou nas regras eleitorais, no uso da tecnologia e nas ações de educação dos eleitores.

O Carter Center afirmou que não fará uma avaliação abrangente da votação nem da condução do pleito. A instituição informou que divulgará suas conclusões completas em um relatório final. Nas observações preliminares, descreveu a administração eleitoral como conduzida por servidores profissionais e qualificados e considerou o processo organizado e transparente, com possibilidade de fiscalização por partidos e eleitores.

O grupo também apontou complexidade no sistema de reclamações e recursos e disse que o pleito foi marcado por intensa judicialização. Segundo a avaliação preliminar, houve decisões consideradas inconsistentes ou contraditórias sobre questões eleitorais no TSE, no Supremo Tribunal Federal (STF) e em outras instâncias. A prorrogação do horário foi citada como exemplo.

A missão mencionou ainda alegações de interferência e de viés algorítmico em plataformas da Meta. O TSE respondeu exigindo que a empresa assegurasse tratamento igual às candidaturas e solicitou informações adicionais para verificar o cumprimento das regras brasileiras. O Carter Center afirmou que investigações sobre o tema continuam pendentes.

Entre as ações destacadas pelo grupo esteve o reforço da educação eleitoral entre os turnos, com mais publicações para desmentir informações falsas sobre mudanças nos locais de votação e sobre a transmissão dos votos. O TSE também enviou avisos pelo aplicativo e-Título a eleitores que tiveram o local de votação alterado em cerca de 100 localidades. Quase metade dos eleitores do país usa o aplicativo, segundo a instituição.

Convidado pelo TSE no início do ano, o Carter Center inicialmente recusou o envio de uma missão, mas reconsiderou a decisão no fim de agosto. A instituição disse que sua presença era importante diante das tensões nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O pleito também foi acompanhado por observadores da União Europeia, da Organização dos Estados Americanos e de outras entidades internacionais.

Fontes: Valor Econômico

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