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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Brasileiros mostram interesse em cirurgia plástica se fosse gratuita

Pesquisa ouviu 2.086 pessoas com 16 anos ou mais; especialistas ressaltam a importância de avaliar expectativas e saúde emocional antes do procedimento.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Cirurgião plástico conversa com uma paciente em consultório. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Cirurgião plástico conversa com uma paciente em consultório.
Resumo em 30 segundos

Pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica aponta que 31% dos entrevistados teriam algum ou muito interesse em fazer cirurgia plástica se fosse gratuita. O interesse declarado foi maior entre mulheres. Especialistas destacam que avaliar as motivações, as expectativas e a saúde emocional ajuda a decidir se o procedimento é apropriado.

Cerca de um terço dos brasileiros com 16 anos ou mais teria algum interesse em fazer uma cirurgia plástica se o procedimento fosse gratuito, segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Entre 2.086 entrevistados, 19% disseram ter “algum interesse” e 12%, “muito interesse”.

O interesse foi maior entre as mulheres: 41% afirmaram que fariam o procedimento, ante 22% dos homens. Elas também representaram 88% dos pacientes que realizaram cirurgias estéticas de médio e grande porte no ano passado, de acordo com outro levantamento feito com cirurgiões plásticos.

A pesquisa também levanta questões sobre as razões que levam alguém a buscar uma mudança no corpo. O psiquiatra e psicoterapeuta Arthur Kaufman, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que é importante distinguir o desejo ligado à autoestima de uma tentativa de resolver sofrimento emocional ou transtornos de imagem.

Um desses transtornos é a dismorfia corporal, também chamada de “síndrome da feiura imaginária”. Segundo Kaufman, pessoas com essa condição podem enxergar defeitos que não são percebidos por outras pessoas e passar a se comparar ou buscar repetidamente tratamentos estéticos. Nesses casos, a avaliação psicológica pode ajudar a identificar expectativas incompatíveis com os resultados possíveis de uma cirurgia.

A vulnerabilidade emocional também pode levar pacientes a depositar esperanças exageradas no procedimento, segundo o psiquiatra. Por isso, avaliar os motivos e as expectativas antes de decidir é parte importante da escolha, além de buscar um profissional habilitado.

Marcelo Sampaio, cirurgião plástico e presidente da SBCP, afirma que não existem soluções milagrosas e alerta para promessas desse tipo. Ele defende que o cirurgião plástico deve conversar com o paciente sobre o que o procedimento pode entregar e também está preparado para agir caso ocorram complicações.

A cirurgia plástica pode alterar características físicas, mas não substitui o tratamento de problemas emocionais. A dismorfia corporal, por exemplo, envolve uma percepção persistente e angustiante da própria aparência; a intervenção estética, por si só, pode não responder à causa desse sofrimento. A avaliação das condições de saúde e das expectativas ajuda a determinar se a cirurgia é apropriada para cada paciente.

Para entender

Dismorfia corporal
Transtorno de saúde mental marcado por preocupação persistente e angustiante com aspectos da aparência que a pessoa considera defeituosos. A percepção pode causar sofrimento e interferir na vida cotidiana; uma intervenção estética, por si só, não trata necessariamente o transtorno.

Fontes: Estadão

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