Aura Sul Wind prepara teste de turbina eólica flutuante no RS
Duas boias já chegaram ao país e devem ser posicionadas no verão de 2027, a até 65 quilômetros da costa de Rio Grande, para coletar dados do mar.
Resumo em 30 segundos
O projeto Aura Sul Wind prevê instalar duas boias de monitoramento no verão de 2027, a 35 a 65 quilômetros da costa de Rio Grande. Os equipamentos vão medir condições do mar e captar sons subaquáticos. A iniciativa planeja testar uma turbina eólica flutuante de 18,5 megawatts a partir de 2029.
Duas boias de monitoramento oceânico do projeto Aura Sul Wind já chegaram ao Brasil e devem ser instaladas no verão de 2027, a 35 a 65 quilômetros da costa de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. A iniciativa prevê testar, a partir de 2029, uma turbina eólica offshore flutuante de 18,5 megawatts, em uma plataforma posicionada a cerca de 60 quilômetros do litoral. A previsão é que o experimento dure três anos.
O empreendimento é liderado pela JB Energy e está em fase de preparação para a instalação dos equipamentos, que dependem de liberações. Uma terceira boia também está prevista. Os instrumentos começarão a produzir dados assim que forem posicionados no mar, segundo Henrique Ilha, diretor de Meio Ambiente da Portos RS.
Além de registrar ondas e condições oceanográficas e meteorológicas, duas boias terão sistemas para captar sons subaquáticos. As medições podem ajudar a identificar a presença e a movimentação de animais marinhos, especialmente mamíferos, e fornecer subsídios a estudos e ao licenciamento ambiental.
Parte dos dados deverá ser incorporada a bancos públicos. As informações também poderão ser usadas por pesquisadores, navegadores, pescadores e órgãos de monitoramento, além de contribuir para análises sobre eventos climáticos extremos e as condições do ambiente marinho no sul do Estado.
O projeto é apresentado como uma experiência-piloto para um setor ainda em desenvolvimento no país. Ilha afirmou que a instalação permitirá avaliar, na prática, exigências para licenciamento, operação e ocupação de áreas no mar. As regras para a geração eólica offshore — feita por parques instalados no oceano — ainda estão sendo elaboradas no Brasil.
A turbina ficará sobre uma estrutura flutuante de concreto. Parte da plataforma poderá ser fabricada no Rio Grande do Sul, o que, segundo Ilha, pode abrir oportunidades para a indústria local e para o desenvolvimento de tecnologia ligada à transição energética. O empreendimento também envolve empresas, universidades e instituições.
A convivência com atividades já realizadas na costa é outro tema em discussão. De acordo com Ilha, representantes do setor pesqueiro já foram procurados para tratar da compatibilidade entre o projeto e os usos existentes do mar, inclusive diante de possíveis expansões futuras.
Se o cronograma for mantido, Rio Grande será o local do teste de uma turbina flutuante que, segundo Ilha, será a maior das Américas. A etapa experimental deverá avaliar o funcionamento do equipamento em condições reais, além de produzir informações ambientais e operacionais úteis para futuros empreendimentos offshore no país.