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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Assembleias de Deus ampliam apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno

Dirigentes de convenções assembleianas e integrantes da família de José Wellington declaram apoio ao candidato do PL, enquanto a Universal orienta pastores a manter neutralidade.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fiéis acompanham uma celebração em uma igreja evangélica. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fiéis acompanham uma celebração em uma igreja evangélica.
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Lideranças de grandes convenções da Assembleia de Deus e integrantes da família do pastor José Wellington manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Lula. A Igreja Universal orienta seus pastores a não apoiar publicamente nenhum candidato, embora o Republicanos tenha aderido à candidatura do senador. A legislação eleitoral proíbe pedidos de voto dentro de igrejas.

Lideranças de grandes ministérios da Assembleia de Deus manifestaram apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, na reta final do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Igreja Universal do Reino de Deus, por sua vez, orienta seus pastores a não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos.

O posicionamento ganhou força nos últimos dias entre dirigentes evangélicos com influência nacional. No sábado (17), o deputado federal Paulo Freire Costa (PL-SP), filho do pastor José Wellington Bezerra da Costa, publicou um vídeo em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo e declarou apoio a Flávio. Segundo ele, o candidato “defende os nossos princípios”.

No domingo (18), a vereadora Rute Costa (PL-SP), também filha de José Wellington, divulgou uma foto em um ato bolsonarista na avenida Paulista. Já José Wellington Júnior, o filho mais velho do pastor, pediu que dirigentes de cultos reservassem um momento para orar pelo Brasil.

A aproximação da família com candidaturas contrárias ao PT tem precedentes. Em 1997, durante um congresso liderado por José Wellington, pastores apoiaram a reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2010, o líder religioso gravou uma participação para a campanha presidencial de José Serra, também do PSDB, que disputava com Dilma Rousseff (PT).

Em 2018, José Wellington declarou que os fiéis estavam “polarizados” e orientou que não votassem na esquerda. Quatro anos depois, José Wellington Júnior afirmou que lamentava a tentativa de pastores de aproximar seu pai de candidatos petistas. Em abril deste ano, o patriarca recebeu Flávio em uma igreja e orou para que Deus o levasse à Presidência.

O pastor adotou um tom mais conciliador em um vídeo gravado antes do primeiro turno, sem indicar preferência eleitoral. Disse que era necessário “reaprender a respeitar as lideranças, as instituições e uns aos outros” e citou a passagem bíblica “bem-aventurados os pacificadores”. No segundo turno, porém, integrantes da família e dirigentes de outras convenções assembleianas passaram a explicitar apoio ao senador.

Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira (Conamad), recebeu Flávio em uma celebração dos cem anos do ministério, seis dias depois do primeiro turno. Durante a ocasião, afirmou que “irmão vota em irmão”. Em 2026, o bispo disse que, se pudesse pedir votos dentro de igrejas, defenderia o candidato do PL, a quem chamou de honesto, sério e crente, além de mencionar que ele foi indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A legislação eleitoral proíbe pedidos de voto dentro de igrejas. A fala de Ferreira foi apresentada como uma manifestação hipotética, sem um pedido explícito aos fiéis durante o culto. Em outro momento, o bispo havia recebido Lula no Palácio do Planalto e orado com o presidente; o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), ligado ao ministério, também teve aproximação com o governo petista depois de apoiar Jair Bolsonaro quando ele ocupava a Presidência.

Outros líderes regionais também se posicionaram. O pastor José Carlos de Lima, da Paraíba, recomendou que fiéis se opusessem a partidos que, em sua avaliação, quisessem “ridicularizar a nossa fé”, numa referência à esquerda.

Para o cientista político Vinicius do Vale, estudioso do campo evangélico, a influência de José Wellington não depende de presença frequente nos meios de comunicação. O pastor, que presidiu por três décadas a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), mantém ascendência por meio de uma rede de igrejas locais e da atuação política de integrantes da família, segundo o pesquisador.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que considera novidade a manifestação eleitoral de líderes que antes não se posicionavam publicamente. Ele citou José Wellington e Samuel Ferreira, que chefiam duas das maiores convenções assembleianas. Malafaia disse ser difícil encontrar um pastor de grande influência alinhado a Lula, embora haja exceções.

A Igreja Batista da Lagoinha, liderada por André Valadão, não tem repetido nesta eleição o engajamento político que demonstrou em 2022. Em dezembro de 2025, Valadão recebeu Flávio em uma unidade da igreja em Orlando, nos Estados Unidos. Na ocasião, o senador pediu que Deus renovasse as forças de seus apoiadores para a disputa de 2026.

Na Universal, o fundador Edir Macedo não declarou apoio público a Flávio, ao contrário do que fez em favor de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022. A denominação orientou pastores a evitar manifestações eleitorais. O Republicanos, partido ligado a nomes da igreja, aderiu à candidatura do senador no segundo turno.

O bispo Alessandro Paschoall, que atua como interlocutor da Universal com a política, afirmou em um videocast que não se identifica com direita, esquerda ou centro. Ele também rejeitou a ideia de que todo cristão deva ser de direita e disse que o fiel deve estar ligado ao “reino de Deus”. Em 2022, o bispo Renato Cardoso, genro de Macedo e uma das principais lideranças da igreja, havia declarado incompatibilidade entre ser cristão e votar na esquerda.

Para entender

CGADB
A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil é uma entidade que reúne igrejas e ministros assembleianos. As Assembleias de Deus não formam uma estrutura única: diferentes ministérios e convenções têm lideranças e organizações próprias.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo

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