Apartamentos novos em Tóquio atingem preço médio recorde
O preço médio dos apartamentos em Tóquio avançou 21,1% em um ano, enquanto a oferta caiu e juros mais altos dificultam as compras.
Resumo em 30 segundos
O preço médio dos apartamentos novos na região metropolitana de Tóquio chegou a 114,94 milhões de ienes no semestre encerrado em setembro, recorde para o período. A oferta caiu pelo terceiro ano seguido, e incorporadoras relatam dificuldades de venda. Custos de construção e financiamento mais caro pressionam preços e compradores.
O preço médio de apartamentos novos na região metropolitana de Tóquio chegou a 114,94 milhões de ienes no semestre encerrado em setembro, alta anual de 21,1% e recorde para o período. Ao mesmo tempo, a oferta de unidades caiu e as vendas começaram a perder ritmo, enquanto juros mais altos reduzem o poder de compra dos interessados.
Os dados foram divulgados pelo Instituto de Economia Imobiliária, sediado em Tóquio. A região pesquisada inclui a capital japonesa e as províncias vizinhas de Kanagawa, Saitama e Chiba. No intervalo, foram colocados no mercado 8.601 apartamentos novos, 6% a menos que no mesmo período do ano anterior; é o terceiro ano seguido com oferta inferior a 10 mil unidades.
Nos 23 distritos centrais da capital, o preço médio subiu 34,7%, para 179,25 milhões de ienes. Foi a quarta alta consecutiva para o primeiro semestre do ano fiscal, em uma série de levantamentos iniciada em 1973. Também houve aumento em outras áreas de Tóquio e em Chiba.
A elevação dos custos de construção, puxada pela escassez de trabalhadores e pelo encarecimento de materiais, tem levado incorporadoras a aumentar os preços para preservar margens. A concentração de lançamentos de alto padrão e a redução no número de novos imóveis disponíveis também pressionam os valores.
Indicadores de vendas, porém, apontam maior dificuldade para comercializar lançamentos. Em pesquisa da consultoria imobiliária Totalbrain, incorporadoras avaliaram como “bom” o desempenho de 27% dos empreendimentos que chegariam ao mercado nos seis distritos centrais de Tóquio entre novembro de 2025 e junho de 2026. Outros 12% foram classificados como tendo dificuldades. No período equivalente anterior, 71% receberam avaliação positiva e nenhum foi apontado como difícil de vender.
Yoshiyuki Sugihara, vice-presidente da Totalbrain, afirmou que muitas unidades com mais de 80 metros quadrados custam acima de 300 milhões de ienes. Segundo ele, esses preços estão fora do alcance até de famílias de alta renda com dois salários que, somados, chegam a cerca de 20 milhões de ienes anuais.
O custo do financiamento também pesa sobre os compradores. Nas últimas semanas, bancos elevaram juros de empréstimos imobiliários com taxas variáveis, após o Banco do Japão aumentar a taxa básica em junho. As taxas de financiamentos de longo prazo com juros fixos também estão subindo.
Takashi Shiozawa, diretor de marketing da MFS, que opera um serviço de comparação de financiamentos, estima que uma alta de um ponto percentual nos juros reduz em cerca de 15% o valor do imóvel que um comprador consegue pagar. Também subiram as taxas de referência usadas pelos bancos para avaliar crédito: elas passaram da faixa habitual de 3% a 3,5% para entre 3,5% e 4%, chegando a 5% em algumas instituições.
Com limites menores de empréstimo, compradores levam mais tempo para decidir. Um diretor de imobiliária afirmou que financiamentos equivalentes a dez vezes a renda já não são comuns: oito vezes é considerado alto, e a maioria fica entre cinco e seis vezes. Tadashi Matsuda, pesquisador sênior do Instituto de Economia Imobiliária, disse que a evolução dos juros deve ser acompanhada de perto diante dos preços elevados.