Anthropic identifica falhas em navegadores e sistemas operacionais
As brechas no Chrome, Safari, Windows e Linux já foram corrigidas; não há registro de que tenham sido usadas em ataques reais na internet.
Resumo em 30 segundos
Uma inteligência artificial ainda não lançada da Anthropic encontrou falhas no Chrome, Safari, Windows e Linux e combinou algumas para criar códigos de ataque funcionais em laboratório. As vulnerabilidades já foram corrigidas. A empresa defende o uso controlado de modelos avançados para ajudar equipes a localizar problemas de segurança.
Uma inteligência artificial ainda não lançada pela Anthropic identificou vulnerabilidades no Chrome, no Safari, no Windows e no Linux e combinou algumas delas para produzir códigos de ataque funcionais. A equipe de segurança da empresa apresentou os resultados em um relatório publicado na terça-feira (27), com testes feitos em laboratório e sem registro de exploração dessas falhas em ataques reais na internet.
Em um dos experimentos, o sistema conseguiu abrir a calculadora em um computador Mac com o Chrome logo depois que uma página da internet foi carregada, sem que o usuário clicasse em algo. No navegador do Google, o modelo encadeou quatro vulnerabilidades para executar comandos fora do ambiente isolado que limita o acesso de páginas ao restante do computador.
O teste demonstra como falhas distintas podem ser usadas em sequência para contornar proteções. O isolamento do navegador, também chamado de sandbox, restringe o que um site pode fazer no dispositivo; escapar desse ambiente pode ampliar o alcance de um ataque. A Anthropic não identificou o modelo usado nem detalhou quanto trabalho humano foi necessário para construir os exploits, nome dado a códigos que exploram vulnerabilidades.
As falhas descritas já foram corrigidas. O Google solucionou os problemas do Chrome na versão 156, disponibilizada em 20 de outubro, e creditou os pesquisadores da Anthropic nos registros de segurança. A equipe de segurança da empresa afirmou que recebeu relatos de pesquisadores que usavam inteligência artificial e agiu para proteger a plataforma antes de uma exploração maliciosa.
No Safari, a vulnerabilidade permitia que um site mal-intencionado contornasse regras de segurança e acessasse dados de outras páginas abertas pelo usuário. A Apple corrigiu o problema no final de junho e registrou os nomes dos pesquisadores. Em um boletim, a fabricante afirmou que a colaboração com pesquisadores externos e novas ferramentas de auditoria ajudam a antecipar riscos complexos.
No Windows e no Linux, as brechas estavam na pilha de rede, conjunto de componentes que permite a comunicação entre computadores e servidores. Elas poderiam provocar a interrupção de servidores ou, no caso de acesso root remoto, dar a um invasor controle total sobre uma máquina. As correções foram distribuídas ao longo deste ano; no Linux, uma delas aparece no registro CVE-2026-98432.
A Anthropic defendeu que modelos avançados com capacidade de identificar falhas sejam disponibilizados de forma controlada para apoiar equipes de defesa. A empresa ampliou um programa de verificação de segurança para permitir que organizações e órgãos governamentais usem versões avançadas da tecnologia na análise de códigos e na busca por vulnerabilidades antes que possam ser exploradas por criminosos.