Amazônia e Cerrado têm menor desmatamento já registrado pelo Prodes
No período de agosto de 2025 a julho de 2026, foram desmatados 3.335 km² na Amazônia Legal e 5.516,69 km² no Cerrado, segundo o Inpe.
Resumo em 30 segundos
O Prodes registrou os menores índices de desmatamento da série histórica na Amazônia Legal e no Cerrado. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram desmatados 3.335 km² na Amazônia e 5.516,69 km² no Cerrado. As áreas caíram em relação ao levantamento anterior e a 2022. O governo atribuiu o resultado à coordenação e à fiscalização; ambientalistas destacaram a retomada de políticas de proteção.
O desmatamento caiu na Amazônia Legal e no Cerrado no período entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente na sexta-feira. A Amazônia perdeu 3.335 km² de vegetação nativa, e o Cerrado, 5.516,69 km²: os menores índices desde o início das séries históricas de cada bioma.
Na comparação com 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, a área desmatada recuou 71,2% na Amazônia e 48,4% no Cerrado. Em relação ao levantamento anterior, que cobriu agosto de 2024 a julho de 2025, as quedas foram de 41,81% e 23,76%, respectivamente.
O Prodes é realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e mede anualmente a supressão de vegetação nativa. O período de agosto a julho é usado para que as medições contemplem ciclos comparáveis de seca e chuva. Na Amazônia, a série começou em 1988; no Cerrado, em 2001.
Desde o início do atual governo, em 2023, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu ano a ano, de acordo com os dados apresentados. No Cerrado, houve alta no primeiro ano do mandato, seguida por recuos. O ministro do Meio Ambiente, José Paulo Capobianco, atribuiu os resultados à coordenação entre diferentes pastas e à articulação com governos estaduais e municipais.
“Com um trabalho de inteligência e dados, conseguimos criar um ambiente de percepção de risco que desestimula aqueles que pensam em desmatar”, afirmou Capobianco.
Organizações ambientalistas relacionaram a queda à retomada de políticas de proteção e fiscalização. O Observatório do Clima afirmou que os números indicam ser possível alcançar a meta de desmatamento zero e ressaltou a importância de decisões políticas para a agenda ambiental. Márcio Astrini, secretário-executivo da rede, disse que o resultado reforça o papel do Brasil na proteção das florestas e no combate às emissões de gases de efeito estufa.
O Greenpeace Brasil também apontou o fortalecimento da fiscalização como fator para a redução. Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero da organização, citou investimentos em fiscalização e a atuação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ela afirmou, porém, que medidas aprovadas pelo Congresso podem enfraquecer a proteção ambiental e mencionou a lei de licenciamento ambiental aprovada em 2025.
O Ministério do Meio Ambiente informou que, entre 2023 e 2026, o Ibama fez 76.095 ações de fiscalização e aplicou 25.101 autos de infração relacionados à flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo intervalo, o órgão embargou 18.630 km², registrou 15.306 termos de apreensão, avaliados em R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, no valor de R$ 1,26 bilhão.
A aplicação de multas, porém, não significa que os valores tenham sido efetivamente arrecadados. A cobrança das penalidades é uma etapa posterior à autuação e depende dos procedimentos administrativos e de pagamento. O levantamento divulgado apresenta o total das multas aplicadas, mas não detalha quanto desse montante foi recebido.
Para entender
- Prodes
- Projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que monitora, por satélite, a supressão de vegetação nativa. Na Amazônia, a série histórica começou em 1988; no Cerrado, em 2001. O período de agosto a julho permite comparar ciclos semelhantes de seca e chuva.