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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Fumaça de queimadas cobre Manaus e suspende aulas presenciais

Alerta da Defesa Civil recomenda evitar sair de casa; índice de qualidade do ar chegou a 366, nível perigoso, nesta sexta-feira (9).

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manaus sob uma camada de fumaça que encobre parcialmente a cidade e a floresta ao redor. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manaus sob uma camada de fumaça que encobre parcialmente a cidade e a floresta ao redor.
Resumo em 30 segundos

A fumaça de queimadas voltou a cobrir Manaus nesta sexta-feira, e a Defesa Civil alertou para riscos à saúde. A Prefeitura suspendeu aulas da rede municipal e atividades presenciais de órgãos públicos; Ufam, UEA e Ifam também interromperam atividades presenciais. O índice de qualidade do ar chegou a 366, classificado como perigoso.

A fumaça das queimadas voltou a cobrir Manaus nesta sexta-feira (9), levando a Defesa Civil do Amazonas a enviar um alerta de risco à saúde e recomendação para evitar sair de casa e usar máscara ao deixar o local. A Prefeitura de Manaus, escolas e universidades suspenderam atividades presenciais, enquanto o ar na capital chegou a ser classificado como o de pior qualidade do Brasil.

Por volta das 5h, o índice de qualidade do ar AQI⁺ monitorado pela plataforma IQAir chegou a 366, nível considerado “perigoso”. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³). A Organização Mundial da Saúde recomenda que a média de 24 horas desse poluente não ultrapasse 15 µg/m³. Os indicadores variam conforme o horário e o sistema de monitoramento; na noite de quinta-feira (8), a Universidade do Estado do Amazonas registrou picos de 337 µg/m³ de material particulado.

O PM2.5 é formado por partículas muito pequenas, que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode causar irritação e agravar problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes. O epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), relatou aumento de queixas de irritação nos olhos, congestão nasal, dor de cabeça e problemas na garganta.

Orellana também chamou atenção para trabalhadores que passam longos períodos ao ar livre, como ambulantes, entregadores, profissionais da construção civil e da limpeza pública. Segundo ele, respiradores N95 e PFF2 não filtram gases tóxicos, embora sejam usados para reduzir a inalação de partículas. O especialista defendeu a suspensão de atividades, sobretudo para pessoas mais vulneráveis, caso a qualidade do ar permaneça nos mesmos níveis.

A Prefeitura de Manaus suspendeu aulas da rede municipal, que atende 242 mil crianças, e atividades presenciais de órgãos municipais. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também interromperam as atividades presenciais. A prefeitura informou que servidores administrativos trabalharão remotamente e que os serviços essenciais serão mantidos. A UEA justificou a decisão pela necessidade de proteger a saúde da comunidade universitária.

A fumaça tem origem em incêndios na Região Metropolitana de Manaus e em municípios do interior, segundo a prefeitura. A pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirmou que há queimadas na margem sul do Rio Amazonas, em frente à capital, sobretudo em Careiro da Várzea, Careiro e Autazes. O calor dificulta a dispersão da fumaça, que também é transportada de áreas próximas a Santarém e Rurópolis.

A situação se agravou após um incêndio em uma área de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus, na quarta-feira (7). A Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo instaurou inquérito para investigar o caso. A queima de lixo pode liberar poluentes além dos produzidos por incêndios em vegetação, ampliando os riscos associados à fumaça.

Nos primeiros nove dias de outubro, as queimadas atingiram 122.794 hectares no Amazonas, área 97,3% superior à média histórica de todo o mês, de 62.239 hectares, segundo o Sistema Alarmes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Até sexta-feira, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia registrado 782 focos de calor no estado durante outubro. Focos de calor são pontos detectados por satélite que podem indicar incêndios, mas não correspondem necessariamente a um incêndio individual.

O governo estadual informou que intensificou ações de fiscalização e combate por meio da operação Tamoiotatá, na Região Metropolitana e em municípios como Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea. Entre 1º de junho e 8 de outubro, o Corpo de Bombeiros registrou 3.380 ocorrências de incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 19.650 focos. Cerca de mil servidores e brigadistas participam das operações, e o número de bases permanentes dos bombeiros no interior passou de 11 para 25 municípios.

Um decreto estadual publicado há um mês proibiu o uso do fogo por 120 dias, com exceções previstas em lei, e instituiu um plano de prevenção e controle do desmatamento e das queimadas. A medida ocorre em meio ao avanço dos incêndios desde setembro e à seca na região, que pode ser intensificada por efeitos do El Niño, segundo especialistas.

Para entender

PM2.5
Partículas finas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode irritar as vias aéreas e agravar problemas respiratórios.
Focos de calor
Pontos detectados por satélites que indicam uma fonte de calor na superfície, como um possível incêndio. Não equivalem necessariamente a incêndios individuais: um foco pode não corresponder a uma queimada ou vários focos podem estar associados ao mesmo incêndio.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo

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