Airbus projeta 233 milhões de passageiros no Brasil em 2045
Arturo Barreira atribui o avanço à expansão econômica e da classe média; a projeção também prevê mais viagens por habitante e aumento da frota.
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A Airbus projeta que o número de passageiros transportados no Brasil suba de 114 milhões em 2025 para 233 milhões em 2045, crescimento médio anual de 3,3%. Para atender à demanda, a frota de aviões também precisaria aumentar. A previsão ocorre em meio a atrasos nas entregas e à transição para combustíveis menos poluentes.
O Brasil deverá passar de 114 milhões de passageiros transportados em 2025 para 233 milhões em 2045, segundo projeções apresentadas pela Airbus durante o fórum ALTA AGM, no México. Arturo Barreira, presidente da fabricante para a América Latina e o Caribe, afirmou que o crescimento regional será impulsionado pela expansão econômica e pelo aumento da classe média.
A estimativa para o país corresponde a uma alta média anual de 3,3% no período. A taxa de viagens por habitante também deve avançar: de 0,5 por ano em 2025 para uma viagem anual em 2045. A projeção considera a ampliação do mercado doméstico e a migração de passageiros do transporte rodoviário para o aéreo.
Para atender à demanda brasileira, a frota necessária de aviões de corredor único, usados sobretudo em rotas de curta e média distância, deve crescer de 459 para 855 unidades. Já a frota de aeronaves de dois corredores, geralmente empregadas em trajetos de maior alcance, passaria de 133 para 236.
Barreira citou a geografia do país como oportunidade para novas ligações aéreas. Ele afirmou que aviões de corredor único com maior autonomia, como o A321XLR, poderiam conectar o Nordeste à Europa. Rotas desse tipo já são operadas por empresas como TAP e Iberia, segundo o executivo. Ele também mencionou os centros de manutenção da Airbus no Brasil e a linha de montagem de helicópteros da companhia em Minas Gerais.
Na América Latina, o tráfego aéreo de passageiros deve crescer 3,4% ao ano até 2045. Para atender a esse aumento, a região precisaria de 2.700 aeronaves novas, mais de 90% delas de corredor único. A Airbus estima que a classe média latino-americana ganhará 100 milhões de pessoas em duas décadas, chegando a 500 milhões — quase 70% da população regional.
O crescimento previsto, porém, ocorre em meio a dificuldades para receber aviões já encomendados. Barreira atribuiu os atrasos a problemas na cadeia de suprimentos que afetam diversos setores desde a pandemia de Covid-19. Na indústria aeronáutica, disse, a retomada é mais complexa porque novos fornecedores precisam passar por certificações e cumprir exigências rigorosas de qualidade.
O executivo afirmou que a Airbus aumentou de sete para dez o número de linhas de montagem da família A320 no mundo e deslocou funcionários para acompanhar a produção presencialmente. As dificuldades de entrega podem limitar a capacidade das companhias de ampliar suas frotas no ritmo necessário para responder à demanda projetada.
Barreira também apontou a descarbonização como um dos principais desafios do setor. Segundo ele, o Brasil já aprovou um marco legal para a adoção do Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês), e as companhias aéreas deverão começar a cumprir obrigações de consumo a partir do ano que vem. O combustível sustentável é uma alternativa usada para reduzir as emissões associadas à aviação.