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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Abstenção cai em 4.442 municípios no segundo turno

Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas; a participação de Lula cresceu em média nas cidades onde a abstenção recuou.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores aguardam para votar em uma seção eleitoral. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores aguardam para votar em uma seção eleitoral.
Resumo em 30 segundos

A abstenção caiu em 79,7% dos municípios no segundo turno, com redução mais frequente nas cidades grandes. Lula ampliou sua participação média nos locais com menos ausências, mas a queda não revela em quem votaram os eleitores que faltaram no primeiro turno. No Norte, o padrão foi diferente em alguns municípios.

A abstenção caiu em 4.442 municípios no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo, em comparação com o primeiro turno. A redução ocorreu em 79,7% das cidades brasileiras e foi mais frequente entre os municípios grandes: entre os 102 com mais de 200 mil eleitores, 90% registraram menos ausências. Quase 3 milhões de eleitores a mais foram às urnas nessa etapa da votação.

O comparecimento maior não se converteu de forma uniforme em votos para os candidatos. Lula, do PT, ampliou sua participação em média 4,3 pontos percentuais nos municípios onde a abstenção recuou. Nas cidades com mais de 200 mil eleitores, seu crescimento médio foi de 5,7 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro, do PL, obteve a maioria dos votos em 2.379 municípios com queda nas ausências; Lula teve a maioria em 2.250.

A redução da abstenção, por si só, não permite determinar em quem votaram os eleitores que faltaram no primeiro turno. Os novos votos também podem ter vindo de pessoas que escolheram outros candidatos ou votaram em branco ou nulo na primeira etapa. Lula recebeu 10,4 milhões de votos a mais do que no primeiro turno, mas nem todos vieram de eleitores que passaram a comparecer. Mesmo que tivesse conquistado todos os que votaram apenas na segunda rodada, esse contingente seria menor que sua vantagem final de 4,4 milhões sobre Flávio.

Em 97% dos municípios, Lula aumentou sua margem sobre Flávio ou reduziu a desvantagem em relação à primeira rodada. Ainda assim, entre as cidades que tiveram queda na abstenção, o petista recebeu a maioria dos votos em apenas 171, o equivalente a 3,85% do total. Flávio também perdeu votos nominais em alguns lugares onde mais eleitores compareceram, sobretudo no Norte: 88% dos 25 municípios com as maiores quedas de votos para ele ficam nessa região.

Tacuru, em Mato Grosso do Sul, teve a maior redução proporcional da abstenção: o índice passou de 33,4% para 24,4%. Lula ampliou ali sua vantagem em 4,31 pontos percentuais. Em Narandiba, no interior paulista, a ausência caiu de 19,87% para 11,73%; embora Flávio tenha vencido, Lula reduziu a diferença entre os dois em 5,88 pontos percentuais.

Na Bahia, Camaçari e Salvador tiveram quedas de 4,82 e 4,37 pontos percentuais na abstenção, respectivamente. Salvador enfrentou restrições à circulação de eleitores por falta de transporte. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia chegou a decretar a prisão do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza, no domingo, mas a ordem foi revogada. Em Lauro de Freitas, também na região metropolitana de Salvador, a ausência recuou de 22,9% para 17,3%, apesar de problemas no transporte público.

O movimento foi diferente em municípios do Amapá. Em Itaubal, a abstenção subiu de 17,19% no primeiro turno para 41,01% no segundo; em Cutias, foi de 17,60% para 40,36%. Lula venceu nos dois turnos nas duas cidades. Macapá, entre os municípios com mais de 200 mil habitantes, também registrou alta na ausência, de 5,96 pontos percentuais, apesar de Lula ter virado o resultado local.

No conjunto da região Norte, Flávio terminou com saldo de 14,1 mil novos eleitores, com aumento de votos apenas no Pará e em Rondônia. Lula, porém, venceu a região por cerca de mil votos, depois de ter perdido no primeiro turno, e somou 474 mil votos a mais que na etapa inicial. No Pará, o acréscimo passou de 263 mil.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora

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