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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Tubarão-da-Groenlândia pode viver mais de 400 anos e ameaça pesca

Pescadores da ilha relatam perdas de equipamentos; plano municipal para abater mil animais foi abandonado após questionamento do governo.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Tubarão-da-Groenlândia sob uma embarcação de pesca nas águas frias da costa da Groenlândia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Tubarão-da-Groenlândia sob uma embarcação de pesca nas águas frias da costa da Groenlândia.
Resumo em 30 segundos

Pescadores da costa oeste da Groenlândia dizem perder linhas e anzóis quando tubarões-da-Groenlândia ficam presos nos equipamentos. Um plano municipal para abater mil animais, com recompensa por captura, foi abandonado após questionamentos sobre sua legalidade. Conservacionistas defendem alternativas, pois a espécie cresce e se reproduz lentamente.

Pescadores da costa oeste da Groenlândia disputam peixes e espaço com tubarões-da-Groenlândia, que podem viver mais de 400 anos e acabam presos nas linhas usadas para capturar alabote e bacalhau. Neste ano, o município de Avannaata aprovou um plano para abater mil animais, mas abandonou a proposta depois que o governo questionou sua legalidade.

O plano previa pagar 300 coroas dinamarquesas por cada coração de tubarão capturado. A iniciativa pode voltar a ser discutida, enquanto pescadores relatam prejuízos com equipamentos rompidos e conservacionistas alertam que reduzir a população teria efeitos difíceis de reverter.

A espécie vive em águas profundas e frias do Atlântico Norte e Ocidental. Pode alcançar seis ou sete metros de comprimento e, segundo estimativas, demora cerca de 150 anos para chegar à maturidade sexual. Esse ciclo reprodutivo lento torna a reposição da população particularmente demorada.

O tubarão-da-Groenlândia não foi descoberto recentemente: é uma espécie existente, conhecida por sua longevidade excepcional. A estimativa de que pode ultrapassar 400 anos não significa que todos os indivíduos atinjam essa idade. Um estudo publicado em 2016 estimou a idade de um exemplar em pelo menos 272 anos e calculou que o animal mais velho analisado poderia ter cerca de 392 anos.

Os tubarões se alimentam de espécies que também são pescadas e podem ficar presos acidentalmente em linhas destinadas ao alabote e ao bacalhau. Estimativas citadas por especialistas apontam que cerca de 3.500 tubarões-da-Groenlândia são capturados dessa forma por ano, enquanto a população mundial está em declínio.

A pesca direcionada à espécie, para extrair óleo do fígado, foi encerrada na década de 1960. Ainda assim, os animais se recuperam da exploração intensa dos séculos XIX e XX: em 1948, no auge da atividade, 58 mil foram desembarcados.

Para os pescadores, o conflito causa custos concretos. Henrik Jensen, de 27 anos, disse ter perdido cerca de 6 mil anzóis neste ano e calculou que, em alguns dias, o prejuízo chega a 30 mil coroas dinamarquesas. Timotheus Petersen, presidente da associação de pescadores de Kullorsuaq, afirmou que uma única linha custa 1.599 coroas.

Jensen considera insuficiente a recompensa municipal de 300 coroas. Capturar os tubarões exige anzóis maiores e correntes mais resistentes, o que também aumenta o custo da operação. A presença dos animais, porém, não é a única pressão relatada pelos pescadores: eles apontam a redução do tamanho médio do alabote e a atuação de grandes arrastões em alto-mar. O Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia registra que o tamanho médio dos peixes vem diminuindo ano a ano.

A organização Oceans North Kalaallit Nunaat (ONKN) avalia que um abate no noroeste da ilha não resolveria o problema, pois os tubarões percorrem grandes distâncias. Alguns podem nadar até 2 mil quilômetros por ano, e animais de outras regiões poderiam ocupar as áreas afetadas. O diretor da entidade, Jenseeraq Poulsen, relacionou o conflito a pressões mais amplas sobre a pesca, atividade que representa cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) da Groenlândia.

Entre as alternativas ao abate estão compensar pescadores por equipamentos perdidos, testar dispositivos acústicos para afastar os animais e adotar equipamentos que reduzam capturas incidentais. O governo também avalia ampliar o registro desses episódios. A cooperativa Halibut Greenland financia a retirada de “linhas-fantasma”, equipamentos abandonados que podem danificar novas linhas e continuar capturando animais. Para conservacionistas, medidas desse tipo podem enfrentar o problema sem atingir uma espécie de reprodução muito lenta.

Para entender

Tubarão-da-Groenlândia
Espécie de águas profundas e frias do Atlântico Norte e Ocidental, conhecida por sua longevidade excepcional. Pode atingir grande porte e demora muitas décadas para chegar à maturidade sexual, o que torna a recuperação de populações afetadas particularmente lenta.
Linhas-fantasma
São equipamentos de pesca perdidos ou abandonados no mar. Podem continuar capturando animais e também se prender a outros equipamentos, provocando danos e ampliando os impactos da pesca.

Fontes: O Globo

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