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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Eleitores dos EUA duvidam que Trump aceite derrota republicana

Pesquisa indica que 70% não acreditam que o presidente reconhecerá uma vitória democrata nas eleições legislativas dos EUA, marcadas para novembro.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitores genéricos em um local de votação nos Estados Unidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitores genéricos em um local de votação nos Estados Unidos.
Resumo em 30 segundos

Sete em cada dez americanos entrevistados duvidam que Donald Trump aceite uma derrota republicana nas eleições legislativas de novembro. A desconfiança é maior entre democratas e independentes, mas 65% dizem confiar na contagem dos votos. O levantamento também registra preocupações distintas entre os grupos partidários sobre a condução da votação.

Sete em cada dez americanos acreditam que o presidente Donald Trump não reconhecerá uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas de novembro, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (20). O levantamento foi realizado nos Estados Unidos entre 9 e 13 de outubro e ouviu 2.545 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A desconfiança aparece em diferentes grupos partidários, embora com intensidades distintas. Entre os democratas, 94% dizem duvidar que Trump aceite uma derrota do Partido Republicano; entre eleitores independentes, são 77%. O índice cai para 36% entre republicanos.

As eleições legislativas americanas estão marcadas para novembro e definirão a composição do Congresso, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado. Trump não concorre a um cargo, mas tem participado da campanha e vinculado o resultado à sua própria liderança. Em um comício no Kansas, na segunda-feira (19), pediu que os apoiadores votassem “como se meu nome estivesse na cédula”.

Os republicanos têm hoje uma margem estreita de controle no Congresso e podem perdê-la na votação. Uma mudança de maioria pode afetar a capacidade do governo de aprovar propostas e a atuação de comissões parlamentares. A pesquisa foi divulgada duas semanas antes do pleito.

A preocupação expressa pelos entrevistados se concentra na reação de Trump a uma derrota republicana, mas não equivale a uma rejeição generalizada da apuração. No mesmo levantamento, 65% disseram confiar na contagem dos votos. Outro estudo, do Pew Research Center, apontou que 87% dos eleitores acreditam que a votação será bem administrada em suas comunidades.

A pesquisa do Pew ouviu 5.062 adultos, dos quais 3.917 eram eleitores registrados, entre 28 de setembro e 4 de outubro. A confiança na votação pelo correio varia conforme a preferência partidária: entre democratas, 64% dizem confiar nesse método, ante 88% em 2022; entre republicanos, o percentual é de 42%, contra 37% naquele ano.

Também há diferenças sobre os riscos percebidos. Questionados sobre suas principais preocupações com a eleição, 11% dos democratas citaram espontaneamente uma possível interferência do governo federal na administração do pleito, enquanto 10% mencionaram o risco de eleitores habilitados serem impedidos de votar. Entre republicanos, 19% apontaram a possibilidade de votos fraudulentos ou de participação de pessoas sem direito ao voto.

A inquietação ocorre em meio a iniciativas e declarações de Trump sobre a condução das eleições. O presidente defendeu que republicanos assumissem o controle da votação em alguns locais e propôs “nacionalizar” o processo, embora a Constituição atribua aos estados a administração das eleições. O governo afirma que essas medidas buscam combater fraudes e garantir que apenas pessoas aptas votem; não há registros de fraude significativa nesse sentido.

Trump também pressionou pela aprovação do Save America Act, projeto que exigiria documento com foto e comprovante de cidadania para o registro de eleitores e ampliaria o compartilhamento de dados entre estados e governo federal. A proposta não foi aprovada. Em fevereiro, Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, defendeu que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) cercassem locais de votação em novembro. A Casa Branca afirmou depois que não havia planos formais para esse tipo de atuação.

A pesquisa foi divulgada em um momento de baixa aprovação para o presidente. Uma sondagem Reuters/Ipsos apontou aprovação de 31%, o menor nível de sua carreira política. Em janeiro, Trump disse que lamentava não ter usado a Guarda Nacional para apreender máquinas de apuração após perder para Joe Biden em 2020. Mais tarde, o FBI apreendeu cédulas e registros eleitorais no condado de Fulton, na Geórgia, onde Trump havia pressionado autoridades locais a “encontrar votos”.

Um grupo de cerca de dez atuais e ex-integrantes da área de segurança nacional tem orientado autoridades de dez estados sobre como responder a possíveis ações federais durante a votação. Entre os cenários discutidos estão o envio de militares ou agentes de imigração a locais de votação e tentativas de anular resultados sob alegações de fraude. O grupo afirma basear suas preocupações em declarações e iniciativas públicas, e não em informações sigilosas sobre planos concretos.

O professor de direito Richard Hasen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, avalia que uma vitória democrata ampla na Câmara reduziria a possibilidade de interferência presidencial. Se o controle de uma das casas depender de poucas disputas apertadas, diz ele, Trump poderia tentar influenciar a contagem ou a certificação dos resultados, como fez sem sucesso em 2020. A certificação é a etapa formal que confirma os resultados eleitorais; a administração da votação, porém, cabe aos estados.

Fontes: Folha de S.Paulo

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