Tony Bellotto relata experiência com câncer de pâncreas em congresso
O guitarrista dos Titãs participa nesta sexta-feira, no Rio, de conversa com profissionais de saúde sobre tratamento, ciência e criação artística.
Resumo em 30 segundos
Tony Bellotto participa nesta sexta-feira do Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Rio de Janeiro, para falar sobre sua experiência com câncer de pâncreas. Diagnosticado em 2025, ele passou por cirurgia e quimioterapia e afirma que segue em tratamento para controlar a doença. O evento termina no sábado.
Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs e escritor, vai falar sobre sua experiência com o câncer de pâncreas durante o XXVII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Rio de Janeiro. O evento começa nesta quinta-feira e termina no sábado; a participação do músico está prevista para sexta-feira, diante de médicos e outros profissionais da área.
Bellotto, de 66 anos, recebeu o diagnóstico em 2025, após um check-up, e passou por cirurgia e sessões de quimioterapia. Ele afirma que não está fazendo quimioterapia no momento, mas continua em tratamento para controlar a doença. Diz que retomou atividades como tocar, escrever e fazer exercícios.
“Nos próximos anos, primeiro eu gostaria de continuar vivo. Isso vai ser o suficiente”, afirmou Bellotto ao falar sobre o que deseja para o futuro. O músico descreve o diagnóstico como uma mudança na maneira de perceber a vida e diz que tenta enfrentar cada dia com pragmatismo, bom humor e atenção ao presente.
A conversa no congresso foi proposta por Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), para abordar a relação entre medicina, criatividade artística e tratamento do câncer. Bellotto convidou sua oncologista, Fernanda Capareli, para participar. O encontro deve apresentar a perspectiva de um paciente a profissionais que trabalham com a doença.
O músico afirma que recebeu apoio de sua equipe médica, incluindo o cirurgião Marcel Cerqueira Cesar. Para ele, confiar na ciência é fundamental diante de um diagnóstico grave. Também diz que, durante o tratamento, não sentiu falta de acolhimento e que mantém uma relação positiva com os médicos.
Bellotto relata que a cirurgia provocou uma neuropatia, com formigamento na mão direita e dificuldade temporária para tocar guitarra. Segundo ele, o desconforto diminuiu com a prática e a adaptação, e hoje não interfere na atividade. O músico afirma que voltou a tocar normalmente.
A doença, diz, continua sendo alvo de estigma. Bellotto observa que, em livros e filmes, o câncer é frequentemente usado para indicar que um personagem enfrentará uma situação extrema. Ele defende que o diagnóstico não deve apagar a identidade do paciente e que é possível manter uma rotina durante o tratamento, embora reconheça que a condição é grave e pode envolver momentos difíceis.
O câncer de pâncreas pode ser difícil de detectar porque nem sempre provoca sintomas claros nas fases iniciais. Quando aparecem, sinais como dor abdominal ou nas costas, perda de peso, falta de apetite e pele ou olhos amarelados podem ter outras causas e precisam de avaliação médica. A ausência de sintomas específicos dificulta a identificação precoce; exames e avaliação clínica são necessários para investigar cada caso.
A evolução e as possibilidades de tratamento variam conforme o estágio da doença, a saúde geral do paciente e outros fatores. Por isso, não há um prazo único de sobrevida que possa ser aplicado a todos. Cirurgia, quimioterapia e outras abordagens podem ser consideradas pela equipe médica conforme as características do tumor. Bellotto não informou o estágio de seu câncer, e sua experiência não permite prever o curso da doença em outras pessoas.
O músico diz que não está livre da doença, mas tenta não deixar que ela ocupe todos os seus pensamentos. Também afirma que tocar o ajuda: durante os shows, segundo ele, a preocupação com o câncer se afasta. Para quem recebe um diagnóstico, recomenda calma e atenção às opções apresentadas pelos profissionais de saúde, sem abandonar o tratamento científico.
Bellotto reconhece que pensar na morte e nos efeitos da doença é inevitável em alguns momentos, mas afirma que prefere concentrar-se nas atividades cotidianas. A participação no congresso amplia esse relato para uma plateia médica e busca aproximar a experiência do paciente das discussões sobre cuidado oncológico. O evento da SBOC reúne profissionais de oncologia clínica no Rio de Janeiro até sábado.