Tifanny Abreu critica CBV após ser barrada da Superliga 2026/2027
Tifanny Abreu criticou a CBV durante o lançamento da Superliga 2026/2027, nesta quinta-feira, após ser impedida de disputar a competição.
Resumo em 30 segundos
Tifanny Abreu criticou a CBV após ser impedida de disputar a Superliga 2026/2027 devido à nova regra de elegibilidade, anunciada em agosto. O Osasco contesta a aplicação nesta temporada e avalia medidas jurídicas. A entidade afirma que a norma acompanha critérios já adotados em competições internacionais; as inscrições terminam em 5 de outubro.
Tifanny Abreu criticou dirigentes da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) nesta quinta-feira, durante o lançamento da Superliga 2026/2027 na COB Expo, feira de esportes olímpicos do Comitê Olímpico do Brasil. A jogadora foi barrada da competição pelas novas regras de elegibilidade para atletas trans e compareceu ao evento representando o Osasco São Cristóvão Saúde, que tenta obter sua liberação para a temporada.
A norma da CBV, anunciada em 14 de agosto, estabelece a triagem do gene SRY como critério de participação na categoria feminina, com exceções previstas no regulamento. A medida também vale para a Supercopa de 2026 e a Copa Brasil de 2027. As inscrições para a Superliga terminam em 5 de outubro.
“Estou representando o meu clube, que eu já estou há seis anos, e é a minha casa. Infelizmente não é uma época tão favorável, mas aqui estou, presente, para mostrar que eu existo e que também tenho o direito de estar aqui e de jogar esta Superliga também”, afirmou Tifanny. Ela disse que a CBV não havia conversado com ela ou com o clube antes da entrada em vigor da regra nesta temporada. “Fomos pegos de surpresa e isso foi extremamente doloroso”, declarou.
O técnico do Osasco, Luizomar de Moura, afirmou que o clube contratou a atleta para a temporada com base nas regras então vigentes e que ela estava elegível para jogar. Segundo ele, a CBV não comunicou que a alteração seria aplicada já na Superliga 2026/2027, mesmo após o posicionamento do Comitê Olímpico Internacional (COI).
“Vamos ver, o departamento jurídico de Osasco está nesse tema e vai nos orientar. Contratamos a Tifanny com base no regulamento e ela estava elegível para esta temporada. Vamos lutar pelo direito dela e pelo direito do Osasco”, disse Luizomar. Ele também afirmou que os elencos são montados com antecedência e que a mudança ocorreu “com o carro andando”.
O presidente da CBV, Radamés Lattari, declarou que a entidade esperava que a regra passasse a valer a partir de 2028. Segundo ele, porém, a triagem do gene SRY já é exigida em competições internacionais de vôlei neste ano, incluindo a Liga das Nações (VNL) e os pré-olímpicos. Lattari afirmou que o Brasil permitia a participação com base em uma taxa hormonal específica, mas que o COI concluiu, após novos estudos, que esse critério não seria mais válido.
Tifanny disse que entendia que a restrição internacional se aplicaria a torneios entre seleções e competições olímpicas, não aos campeonatos nacionais. Ela criticou o que chamou de “política transfóbica” dos dirigentes e afirmou que sente “um profundo desprezo pela falta de empatia demonstrada”. A jogadora disputa competições femininas há cerca de dez temporadas e, segundo Luizomar, esta poderia ser sua última Superliga antes de uma transição de carreira.
Quem é quem
- Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)
- Entidade responsável pela organização e administração do voleibol no Brasil. A confederação estabelece regulamentos para competições nacionais e representa o esporte em relações com organismos internacionais.
- Comitê Olímpico Internacional (COI)
- Organização internacional responsável pelo movimento olímpico e pela coordenação dos Jogos Olímpicos. Reúne comitês olímpicos nacionais e federações esportivas internacionais.
- Osasco São Cristóvão Saúde
- Clube brasileiro de voleibol feminino sediado em Osasco, no estado de São Paulo. A equipe disputa competições nacionais, incluindo a Superliga.