Ryan Kainalo garante vaga na elite da WSL em 2027
O paulista de 20 anos liderou a Challenger Series e se prepara para estrear no circuito principal após uma trajetória iniciada em Ubatuba.
Resumo em 30 segundos
Ryan Kainalo disputará a elite da Liga Mundial de Surfe em 2027, depois de liderar a Challenger Series. Nascido em São Paulo, o surfista se mudou para Ubatuba ainda jovem para treinar diariamente. Campeão mundial júnior da ISA em 2023, ele também mira uma possível vaga nos Jogos Olímpicos.
Ryan Kainalo, surfista de 20 anos nascido em São Paulo e radicado em Ubatuba, garantiu vaga na elite da Liga Mundial de Surfe (WSL) para a temporada de 2027 após liderar a Challenger Series. A classificação foi confirmada em 3 de outubro e coloca o brasileiro entre os estreantes do circuito principal no próximo ano.
A Challenger Series é a divisão de acesso à elite da WSL: os surfistas competem ao longo da temporada por resultados que podem assegurar a promoção ao circuito principal. Kainalo afirmou que pretende aproveitar a oportunidade e disse estar confiante de que poderá evoluir diante dos principais atletas do mundo. “Claro que tem uma pressão de você entrar ali e conseguir se manter, mas sei o nível que tenho”, afirmou.
O brasileiro também espera que sua chegada à elite estimule outros atletas mais jovens. Ele citou como referência Matheus Herdy, Samuel Pupo e Chumbinho, que abriram caminho para surfistas da geração seguinte. “Igual quando a gente viu o Chumbinho, Matheus Herdy e Samuel Pupo entrar e pensamos: ‘A gente competiu com eles em divisões inferiores, então dá para chegar”, disse.
A vaga de Kainalo surge em um momento de debate sobre a renovação da Brazilian Storm, expressão usada para se referir à presença forte de surfistas brasileiros no circuito mundial. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira e Yago Dora, campeões da WSL ainda em atividade, estão na casa dos 30 anos. Entre os atletas de uma geração intermediária, Pupo, de 25 anos, compete na elite desde 2022, enquanto Herdy estreou no circuito principal neste ano. Chumbinho, de 26, foi quarto colocado em 2023, temporada em que chegou a liderar o ranking.
Kainalo nasceu na capital paulista e morou lá até os 12 anos. Seu pai, Alex Miranda, diretor de videoclipes e cineasta que também surfa, apresentou-lhe o esporte ainda na infância. Ao menos duas vezes por semana, o menino viajava para Ubatuba, onde viviam os avós, e passou a representar a cidade em competições. Ele afirma que se sentiu acolhido em Itamambuca, praia que se tornou sua base.
Quando os resultados começaram a indicar uma carreira mais séria, Kainalo pediu aos pais para morar com os avós. A mudança permitiu que voltasse da escola e fosse direto para a praia, com treinos diários. Os avós, que não eram ligados ao surfe — o avô tinha relação com o mar pela pesca —, apoiaram a decisão. A família também o ajudou com a rotina e a alimentação.
Aos 17 anos, em 2023, Kainalo conquistou o título mundial júnior da Associação Internacional de Surfe (ISA). Ele ainda disputa neste ano o Mundial Pro Júnior da WSL, enquanto se prepara para a estreia no circuito principal. Em 2026, estabeleceu como meta alcançar finais da Challenger Series, objetivo que superou ao conseguir a classificação para a elite.
“Eu trabalhei com meu psicólogo, a gente tinha metas. Por exemplo, de estar sempre nas finais da Challenger Series. Você faz a meta, tenta cumprir, mas não sabe o futuro”, afirmou. “Agora é acreditar e treinar mais, continuar focado, aumentar as metas.”
O surfista conta ainda com apoio do departamento de esportes radicais do Corinthians, clube para o qual torce e que o auxilia há cerca de quatro anos, inclusive com sessões de fisioterapia. Outro suporte veio do Comitê Olímpico do Brasil (COB): Kainalo participou do programa Vivência Olímpica, que lhe proporcionou dez dias de treino em Teahupoo, no Taiti, com surfistas que disputaram os Jogos de 2024, além de uma viagem ao Havaí.
A experiência ampliou o contato do atleta com o ambiente olímpico. Kainalo disse que já pensava na possibilidade de disputar os Jogos, mas considerava a classificação um objetivo distante. “Para se classificar tem de estar entre os melhores do mundo, sei lá se é possível, mas estou feliz só de ter a possibilidade de disputar uma vaga.”