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Domingo, 4 de outubro de 2026

Renata Alves Mietto segue detida nos EUA após prisão em aeroporto

A atriz brasileira foi presa pelo ICE em Los Angeles em 27 de agosto; a família busca autorização para visitá-la e acompanha o processo com advogados.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher com uma bolsa em um portão de embarque, com agentes ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher com uma bolsa em um portão de embarque, com agentes ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Renata Alves Mietto, atriz brasileira de 26 anos, está detida nos Estados Unidos desde que agentes do ICE a prenderam no aeroporto de Los Angeles, em agosto. Segundo a mãe, ela está sem status migratório regular. Após uma audiência, foi transferida para El Paso, no Texas, e pediu para deixar o país voluntariamente, embora não queira sair dos EUA.

A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, está detida nos Estados Unidos desde 27 de agosto, quando agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) a prenderam no aeroporto de Los Angeles. Ela se preparava para embarcar para o Havaí com a família, em uma viagem para celebrar o aniversário da mãe, e foi abordada no portão de embarque, segundo a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis.

Renata havia passado pela segurança e pelo raio-X com o passaporte, de acordo com Márcia, que relatou que os agentes estavam à paisana. A mãe afirmou que a filha está detida por estar sem status migratório regular, e não por ter cometido um crime. A família tenta obter autorização para visitá-la e acompanha o caso com advogados.

A brasileira chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos. Concluiu o ensino médio no país e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos, vive em Los Angeles. Atuou em produções como “The Cool Kids” e também é proprietária de uma empresa de limpeza que emprega mais de 20 pessoas. Segundo a mãe, Renata sonha em trabalhar como atriz de cinema.

Márcia disse que a filha perdeu o status de permanência há cerca de dois anos, depois de receber uma orientação jurídica equivocada. Após a prisão, Renata foi levada a um centro de detenção em Los Angeles e depois transferida para Adelanto, na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias.

Em 18 de setembro, ela participou de uma audiência. A defesa pediu que Renata aguardasse o andamento do processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco. A afirmação sobre a ausência de antecedentes criminais é da mãe, que também diz que a detenção está relacionada exclusivamente à situação migratória da filha.

No dia seguinte à audiência, Renata foi transferida para El Paso, no Texas. Márcia relatou que a filha passou horas em uma van e depois em um voo, algemada nos pés, na cintura e nas mãos, sem poder beber água ou usar o banheiro. Segundo a mãe, ela ficou sentada desde a chegada, às 21h, até as 17h do dia seguinte, quando foi colocada em um quarto.

Márcia também afirmou que Renata passou a noite com frio e não conseguiu usar o suéter guardado na mala. A mãe disse que a bolsa de mão, com documentos, cartão de crédito e joias, desapareceu e que a mala ainda não foi localizada. Depois da transferência, Renata teria apresentado inchaço nas pernas e nos pés e dor de garganta, segundo o relato da família.

A jovem não quer deixar os Estados Unidos, mas, conforme a mãe, está seguindo a orientação jurídica e pediu para sair voluntariamente do país. Márcia disse que a filha gostaria de voltar à própria casa para buscar seus pertences e o coelho de estimação, que está com ela há seis anos. A mãe considera a saída voluntária uma possível solução, embora não seja o desejo de Renata.

A advogada de imigração Gisele Ambrósio, que também atua como advogada do Consulado de Los Angeles, afirmou que aumentaram desde junho as detenções em aeroportos, inclusive em voos domésticos. Ela disse que os casos envolvem pessoas com diferentes situações migratórias, como pedidos de asilo, extensão de visto ou residência permanente ainda pendentes, além de pessoas com ordem final de deportação ou autorização de trabalho sem aprovação definitiva do processo.

O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS, na sigla em inglês) recebeu 45% menos pedidos de imigração no segundo trimestre de 2026 do que no mesmo período de 2025, segundo dados do governo americano. Ambrósio relacionou a queda a um cenário de endurecimento das políticas migratórias e recomendou que imigrantes com processos pendentes consultem um advogado antes de viajar. Também aconselhou manter cópias de documentos com pessoas de confiança e planejar como agir caso ocorra uma detenção.

O status migratório indica a condição legal de permanência de uma pessoa nos Estados Unidos e pode depender do tipo e da validade do visto ou de outros procedimentos migratórios. Estar fora de status, como no caso descrito pela família, não é a mesma coisa que ter sido condenado por um crime; a detenção, porém, pode ocorrer enquanto as autoridades migratórias analisam o caso. A família e os advogados continuam tentando acompanhar o processo e obter autorização para a visita.

Para entender

ICE
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos é uma agência federal responsável, entre outras atribuições, por aplicar leis de imigração e realizar detenções relacionadas a esses casos.
Status migratório
É a condição legal que permite a uma pessoa permanecer nos Estados Unidos, conforme o visto ou outro procedimento migratório aplicável. Estar fora de status não equivale, por si só, a ter sido condenado por um crime.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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