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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Rede Conexão Povos da Floresta amplia internet na Amazônia

A iniciativa reúne 60 organizações e atende 2.843 comunidades em nove estados, com conexão, formação digital e apoio a serviços de saúde.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Moradores de uma comunidade amazônica usam um computador perto de uma antena de internet. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Moradores de uma comunidade amazônica usam um computador perto de uma antena de internet.
Resumo em 30 segundos

Criada em 2023, a Rede Conexão Povos da Floresta reúne 60 organizações para ampliar o acesso à internet e a serviços digitais na Amazônia. A estrutura alcança 2.843 comunidades em nove estados e beneficia diretamente 217 mil pessoas. A iniciativa também promove formação digital, teleconsultas e monitoramento ambiental.

A Rede Conexão Povos da Floresta reúne 60 organizações para ampliar o acesso à internet e a serviços digitais em comunidades tradicionais da Amazônia. A iniciativa realizou seu terceiro encontro de 4 a 6 de agosto, na Escola Família Extrativista do Carvão, em Mazagão, no Amapá, com 176 participantes.

Criada em 2023, a rede tem entre seus objetivos conectar comunidades indígenas, quilombolas, seringueiras e ribeirinhas em territórios protegidos. A infraestrutura instalada alcança 2.843 comunidades em nove estados da Amazônia Legal e beneficia diretamente 217 mil pessoas, segundo os dados apresentados pela iniciativa. A proposta combina conexão à internet com formação, participação comunitária e acesso a serviços.

A rede é formada pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Joaquim Belo, ex-presidente do CNS por três mandatos, e Juliana Dib, secretária-executiva da iniciativa, estão entre as lideranças que conduzem o trabalho.

A estrutura oferecida inclui antena, roteador e kit de energia, sem custo para as comunidades, conforme a apresentação da rede. Outro componente é o controle local do uso da conexão por meio de um aplicativo que permite configurar filtros e bloqueios. Grupos de Trabalho promovem a inclusão digital e ajudam moradores a utilizar os recursos disponíveis.

A conectividade também tem sido usada para serviços de saúde e monitoramento ambiental. A rede contabiliza 8.370 teleconsultas e atendimentos médicos, com emissão de exames e laudos, além de apoiar o acompanhamento de 120 milhões de hectares de cobertura florestal. Telemedicina é o atendimento de saúde realizado a distância, por meios digitais, e pode facilitar o contato de moradores de localidades isoladas com profissionais e serviços.

Entre as ferramentas desenvolvidas está a IA Parente, sistema de inteligência artificial criado para orientar usuários sobre como acessar políticas públicas e benefícios. A rede também mantém o programa Sabedoria Digital, que capacitou 1.282 facilitadores comunitários. O objetivo, segundo os responsáveis, é que o acesso à tecnologia venha acompanhado de conhecimento sobre seu uso e de participação das próprias comunidades nas decisões.

“Não é só levar internet, porque senão vamos levar só mais problemas. Temos que utilizar a tecnologia com sabedoria”, afirmou Ludimar Kokama, representante da Coiab. A preocupação é que os moradores tenham conexão segura e possam definir como ela será usada, em vez de receber apenas equipamentos sem controle local ou formação.

A secretaria-executiva da rede é ocupada por Juliana Dib, que trabalhou em políticas públicas e no setor de tecnologia. De 2010 a 2013, ela atuou na Organização das Nações Unidas, em Genebra, com projetos relacionados a cadeias produtivas na África. Depois, trabalhou no Google como gerente de Desenvolvimento de Parceiros Estratégicos para as Américas. Em 2019, durante uma temporada no Xingu, participou de um trabalho de digitalização de cantos sagrados indígenas com o Instituto Socioambiental.

Joaquim Belo tem trajetória ligada à mobilização de povos tradicionais e ao movimento extrativista. Filho de um dos fundadores da escola onde ocorreu o encontro, ele cresceu em uma família extensa e enfrentou dificuldades para concluir os estudos. Mais tarde, presidiu o CNS, entidade criada pelo seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988.

A escola de Mazagão recebeu o encontro em um espaço organizado ao redor de uma canoa, referência ao cotidiano de quem vive às margens dos rios. Dalva Miranda, líder comunitária e coanfitriã, disse que a escolha também expressava o propósito de aproximar inovação e conhecimento tradicional. Os 187 alunos da instituição alternam períodos de 15 dias na escola e outros 15 com as famílias.

A rede afirma que sua missão é conectar as comunidades de territórios protegidos da Amazônia, que somam mais de 120 milhões de hectares. Além de facilitar serviços como saúde, educação e acesso a programas sociais, os organizadores defendem que a tecnologia fortaleça a autonomia local e contribua para proteger a floresta.

Fontes: Folha de S.Paulo

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