Protestos estudantis afetam 735 escolas e deixam feridos na França
Protestos por melhores condições de ensino atingiram 735 escolas francesas nesta sexta-feira; autoridades registraram feridos, detenções e danos a prédios.
Resumo em 30 segundos
Protestos estudantis por melhores condições de ensino atingiram ao menos 735 escolas secundárias na França nesta sexta-feira, com cerca de 400 unidades fechadas. O Ministério da Educação informou feridos entre funcionários, estudantes e agentes, além de danos a escolas e quase 2 mil detenções. O governo anunciou medidas para acelerar substituições de professores, mas estudantes prometem manter os atos.
Manifestações de estudantes do Ensino Médio por melhores condições de ensino afetaram pelo menos 735 das 3.700 escolas secundárias da França nesta sexta-feira. Segundo o Ministério da Educação, cerca de 400 unidades suspenderam as atividades; ao menos 65 funcionários da educação ficaram feridos, entre eles 40 diretores. Quase 2 mil pessoas foram detidas em conexão com os protestos, a maioria menor de idade.
O movimento começou na semana passada na região de Paris e se espalhou por várias partes do país, com atos também em cidades como Nantes, Lille e Marselha. Os estudantes pedem a contratação de professores substitutos, após apontarem ausências frequentes, além de melhorias nas instalações e mudanças na carga horária. Também reclamam de salas de aula superaquecidas.
Nesta sexta-feira, houve novos confrontos. Manifestantes acenderam fogueiras e lançaram projéteis contra policiais, que usaram gás lacrimogêneo. Desde o início dos atos, estudantes bloquearam entradas de escolas e ergueram barricadas; em alguns casos, veículos foram incendiados e houve confrontos com agentes.
O ministro da Educação Nacional, Edouard Geffray, afirmou que cerca de cem escolas de Ensino Fundamental também foram afetadas, em sua maioria dentro de complexos escolares ou nas proximidades de escolas secundárias. Ele informou que mais de 300 policiais e gendarmes e 170 estudantes ficaram feridos, e que mais de cem escolas de Ensino Médio tiveram danos graves.
Em Belfort, no leste francês, um estudante de 17 anos foi preso após um policial ser cercado e derrubado a pontapés por um grupo de jovens, segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez. O agente perdeu a consciência, mas seu estado não era considerado preocupante. Nunez classificou o episódio como um caso de “violência rara e intolerável”.
Na capital, incêndios danificaram as entradas de duas escolas secundárias, Léonard de Vinci e Gaston-Bachelard, e os bombeiros foram chamados. Em Nantes, a Escola Nelson Mandela foi incendiada durante os protestos. A polícia precisou ajudar a retirar 160 alunos do prédio, que atende cerca de 1,7 mil estudantes e havia sido reformado recentemente, com custo de 64 milhões de euros, equivalentes a R$ 375,8 milhões. A escola não deve reabrir em breve.
O presidente Emmanuel Macron e ministros reconheceram que as reivindicações dos estudantes são legítimas, mas condenaram os episódios de violência. Geffray disse que o governo lançará, a partir da próxima semana, um plano para acelerar a substituição de professores e começará conversas sobre os calendários escolares. Ele afirmou, porém, que não pode garantir mudanças para o início do ano letivo de 2027.
Representantes estudantis disseram que não obtiveram medidas concretas na reunião com o ministro e convocaram a continuidade das manifestações na próxima semana. O governo atribuiu influência sobre o movimento ao partido de esquerda França Insubmissa (LFI), cujo líder, Jean-Luc Mélenchon, concorre novamente à Presidência. Manuel Bompard, dirigente da sigla, acusou o governo de recorrer a “teorias da conspiração”.
Em entrevista à BFMTV, Geffray disse que grupos “marginais ultraviolentos” teriam se aproveitado dos atos. Ele citou o incêndio na escola de Nantes e afirmou que professores relataram a presença de pessoas que não eram seus alunos. Já o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou ter pedido a promotores que responsabilizem pais por danos causados pelos filhos. Segundo ele, 90% dos quase 2 mil detidos eram menores de idade.
Sindicatos franceses declararam apoio aos estudantes e convocaram seus membros a participar das mobilizações. A Federação Sindical Solidaires afirmou que os alunos têm liberdade para se reunir, associar e manifestar. Paralelamente, a polícia abriu investigações internas após acusações de brutalidade contra três manifestantes.
Quem é quem
- Ministério da Educação Nacional da França
- Órgão do governo francês responsável pela política educacional e pela administração do sistema escolar. Durante os protestos, divulgou dados sobre escolas afetadas e feridos; o ministro Edouard Geffray anunciou ações para acelerar a substituição de professores.
- França Insubmissa (LFI)
- Partido político francês de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon, que concorre novamente à Presidência segundo a matéria. O governo atribuiu influência da sigla sobre as manifestações estudantis, enquanto Manuel Bompard criticou essa interpretação.