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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Plantio de soja em Passo Fundo começa no fim de outubro

A saca de 60 quilos chegou a R$ 142 em 1º de outubro, enquanto a região projeta produção de 2,4 milhões de toneladas na safra 2026/2027.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Produtor observa plantas de soja em lavoura no norte do Rio Grande do Sul sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Produtor observa plantas de soja em lavoura no norte do Rio Grande do Sul sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

O plantio de soja na região de Passo Fundo deve começar no fim de outubro e ganhar ritmo na primeira quinzena de novembro. A previsão de chuvas acima da média e a alta recente no preço da saca elevam o otimismo, mas o excesso de precipitação pode atrasar a semeadura e causar perdas. A produção regional é estimada em 2,4 milhões de toneladas.

O plantio de soja da safra 2026/2027 deve começar no fim de outubro na região de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, e ganhar força na primeira quinzena de novembro. A perspectiva de chuvas acima da média e a valorização recente da saca aumentaram o otimismo dos produtores, embora o excesso de precipitação também possa dificultar a semeadura e prejudicar as lavouras.

O calendário de plantio no Estado teve início em 1º de outubro e se estende até 28 de janeiro. Na região de Passo Fundo, porém, os agricultores não aderiram de forma geral à possibilidade de semear antes do período habitual. A Emater/RS-Ascar relaciona a decisão às temperaturas mais baixas e ao costume local de iniciar o trabalho mais tarde.

Na quinta-feira, 1º de outubro, a saca de soja de 60 quilos chegou a R$ 142, conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. No mesmo período do ano passado, estava cotada a R$ 122,45. Para o gerente regional da entidade, Oriberto Antonio Adami, a manutenção da valorização nos últimos dias contribui para elevar a confiança no resultado da safra.

A região deve cultivar 642,8 mil hectares, cerca de 1% menos que no ciclo anterior. A produtividade média estimada, por outro lado, é 14,3% maior e pode chegar a 3,7 mil quilos por hectare. Com isso, a produção regional está projetada em aproximadamente 2,4 milhões de toneladas, alta de 13% em relação à safra 2025/2026.

A previsão associada ao El Niño é um dos fatores acompanhados pelos agricultores. Chuvas acima da média podem reduzir o risco de estiagens, mas precipitações muito fortes ou concentradas em poucos dias podem atrasar a semeadura, provocar erosão do solo e causar perdas. Adami afirma que o cenário mais favorável é de chuva regular, sem volumes excessivos em intervalos curtos.

O período de semeadura é definido também pelo vazio sanitário, intervalo em que não pode haver plantas de soja nas lavouras. A medida busca conter a ferrugem-asiática, doença causada por um fungo que afeta a cultura. Para a safra 2026/2027, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação autorizou o plantio no fim de setembro em áreas aprovadas, com o objetivo de reduzir possíveis impactos climáticos e observar o desempenho das lavouras antecipadas.

O Departamento de Defesa Vegetal da secretaria e a Emater/RS-Ascar vão monitorar essas áreas. O acompanhamento deve ajudar a avaliar se a antecipação pode ser incorporada ao calendário futuramente e se o Estado precisa adotar zonas com períodos de plantio diferentes. Na região de Santa Rosa, no noroeste gaúcho, mais de 100 produtores solicitaram autorização para plantar antes.

A antecipação pode permitir que a colheita da soja ocorra mais cedo e liberar a área para culturas posteriores, como o milho safrinha. A família Wammes, de São Paulo das Missões, já semeou 18 hectares em setembro, de um total de 80 previstos. O produtor Martinho Wammes disse que adiantar a soja pode abrir espaço para plantar o milho mais cedo, em condições que favoreçam sua produtividade.

A estratégia, contudo, não é considerada adequada para todas as áreas. Plantios antecipados podem enfrentar falta de chuva em novembro e dezembro, período em que a soja pode estar enchendo os grãos. A escassez de água nessa fase pode reduzir a produtividade, segundo João Gabriel da Silva Dias, supervisor técnico da Cooperativa Mista São Luiz (Coopermil).

Há ainda uma restrição ligada ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que orienta as épocas de plantio com menor risco para cada cultura e região. Áreas semeadas fora das indicações podem ficar sem cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) em caso de perdas. Por isso, a Emater/RS-Ascar recomenda cautela e que os produtores não concentrem toda a área no plantio antecipado.

Para entender

Vazio sanitário
Intervalo em que é proibido manter plantas vivas de soja nas lavouras. A medida ajuda a interromper o ciclo da ferrugem-asiática, doença causada por um fungo que afeta a cultura e pode reduzir a produtividade.
Zoneamento Agrícola de Risco Climático
Instrumento que indica períodos de plantio considerados menos arriscados para diferentes culturas, regiões e tipos de solo. As orientações também podem ser relevantes para o acesso a mecanismos de proteção financeira ligados à atividade agrícola.

Fontes: Zero Hora, O Globo

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