Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Christa Pike sobrevive a injeção letal e Tennessee abre investigação

Christa Pike recebeu duas doses de pentobarbital durante uma tentativa de execução no Tennessee, mas sobreviveu e está em estado crítico.

Por Felipe Rocha 3 min de leitura
Câmara de execução vazia, com maca e equipamentos médicos sob iluminação fria. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Câmara de execução vazia, com maca e equipamentos médicos sob iluminação fria.
Resumo em 30 segundos

Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, após receber duas doses de pentobarbital, e está em estado crítico. Seus advogados pediram a comutação da pena e apontaram possíveis falhas no acesso às veias e no atendimento. O governador Bill Lee adiou a execução e ordenou uma investigação independente.

Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, nos Estados Unidos, na noite de quarta-feira. A condenada, de 50 anos, recebeu duas doses de pentobarbital e permanece em estado crítico, segundo seus advogados, que pediram ao governador Bill Lee a comutação da pena de morte. Lee adiou a execução por tempo indeterminado e determinou uma investigação independente sobre o procedimento.

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Ela estava programada para ser executada na manhã de quarta-feira, mas um tribunal de apelações suspendeu o procedimento cerca de uma hora antes do horário previsto. Horas depois, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a suspensão, e a execução começou no início da noite.

Segundo os advogados, a equipe responsável passou cerca de uma hora tentando administrar as substâncias. Randy Spivey, que integra a defesa, disse ter contado ao menos sete perfurações de agulha no braço esquerdo de Pike. Durante as tentativas de encontrar uma veia, ela teria indicado aos funcionários possíveis locais para inserir a agulha e perguntado se era normal o aspecto do braço.

A defesa afirma que Pike havia alertado previamente sobre dificuldades de acesso às veias. O advogado Steve Ferrell disse que ela tinha um distúrbio sanguíneo que complicava a inserção de agulhas e a coleta de sangue. Para os advogados, é possível que o acesso intravenoso não tenha sido colocado corretamente e que o pentobarbital tenha se acumulado no braço, sem chegar à corrente sanguínea.

Os advogados também afirmaram que ainda não há informação sobre eventual dano cerebral causado por falta de oxigênio, nem um prognóstico para o estado de saúde de Pike. Antes da execução, disseram ter levantado riscos relacionados à dificuldade de encontrar uma veia, à possível degradação do medicamento e à falta de atendimento médico de emergência caso surgissem complicações.

Após a primeira dose, Pike continuou viva. Testemunhas relataram que uma segunda dose foi administrada cerca de uma hora depois da abertura inicial das cortinas da câmara. Quase meia hora depois, quando o microfone da sala foi desligado, ela ainda roncava, segundo os relatos citados pela defesa. Spivey descreveu a tentativa como cruel e torturante e disse que ficou marcado por ouvi-la falar, cantar e, depois, roncar durante mais de 90 minutos na câmara.

“Estou pronta para ser livre. Este é um dia feliz”, disse Pike antes do procedimento, segundo jornalistas presentes. Ela pronunciou suas últimas palavras às 19h26 no horário local. A execução teria sido a primeira de uma mulher no Tennessee em mais de 200 anos.

Lee classificou o episódio como “perturbador”, adiou a execução de Pike sem estabelecer nova data e suspendeu a última execução que ainda estava prevista no estado neste ano. Também ordenou uma revisão independente para apurar o que ocorreu. O governador afirmou que, aparentemente, os funcionários da prisão seguiram o protocolo estabelecido. O gabinete do procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti, declarou que Lee agiu corretamente ao pedir uma investigação.

Este foi o segundo caso neste ano em que o Tennessee não conseguiu concluir uma execução. Na ocorrência anterior, as autoridades não encontraram uma veia adequada e não chegaram a administrar as substâncias letais. O caso de Pike é diferente porque os medicamentos foram aplicados, embora ela tenha sobrevivido.

Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o episódio como singular. Segundo ela, outras sete pessoas sobreviveram a problemas em tentativas de execução depois que as equipes não conseguiram encontrar uma veia, mas ninguém havia permanecido vivo após receber os medicamentos.

Em 2009, autoridades de Ohio tentaram executar Romell Broom por injeção letal, mas não conseguiram estabelecer acesso intravenoso. Em 2016, a Suprema Corte estadual decidiu que a colocação do acesso era uma etapa preliminar e que uma nova tentativa não configuraria dupla punição. Broom morreu de Covid-19 em 2020, ainda no corredor da morte. O caso de Pike, segundo Austin Sarat, professor do Amherst College e especialista em pena de morte, é diferente porque as substâncias destinadas a matá-la foram administradas.

Quem é quem

Christa Pike
Cidadã dos Estados Unidos condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, em 1995. Sua tentativa de execução por injeção letal no Tennessee foi interrompida depois que ela recebeu duas doses de pentobarbital e sobreviveu.
Bill Lee
Político republicano que exerce o cargo de governador do Tennessee. Após a tentativa de execução de Christa Pike, adiou o procedimento por tempo indeterminado e determinou uma revisão independente para esclarecer o ocorrido.
Death Penalty Information Center
Organização dos Estados Unidos que reúne e divulga informações sobre pena de morte, incluindo casos judiciais, procedimentos de execução e debates sobre a aplicação da pena capital.

Leia também