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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Mulheres da classe C lideram grupo de indecisos entre Lula e Flávio

Pesquisa Meio Ideia aponta que mulheres da classe C, sobretudo no Sudeste, compõem a maior parte dos eleitores ainda indecisos entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por Ricardo Vasconcelos 2 min de leitura
Mulher compara preços em um supermercado com poucos produtos na cesta. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher compara preços em um supermercado com poucos produtos na cesta.
Resumo em 30 segundos

Pesquisa Meio Ideia indica que mulheres da classe C, especialmente no Sudeste, formam a maior parte dos eleitores indecisos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. O grupo, inferior a 5% da população, demonstra preocupação com o custo de vida e desconfiança dos candidatos. Eleitores de outros nomes também podem migrar por receio de uma vitória de Lula.

Mulheres da classe C que vivem principalmente no Sudeste representam o maior grupo entre os eleitores indecisos na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, segundo levantamento Meio Ideia. Os indecisos correspondem a menos de 5% da população e podem definir seus votos apenas na reta final da campanha.

Entre os entrevistados sem decisão, 63,3% são mulheres, 44,1% pertencem à classe C e 51,3% moram no Sudeste. A pesquisa também identifica eleitores nos arredores de Salvador e Recife, além das periferias de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A CEO do Instituto Idea, Cila Schuman, descreveu esse grupo como formado por mulheres endividadas, preocupadas com o custo de vida e descrentes de que qualquer candidato possa melhorar sua situação. “São mulheres muito práticas, que estão endividadas e não conseguem encher o carrinho de supermercado no final do mês. E estão desalentadas, porque não acreditam que nenhum dos candidatos vai melhorar a vida delas. É uma eleitora muito difícil de conquistar”, afirmou.

O perfil reúne pessoas que, segundo a análise apresentada, votaram em Jair Bolsonaro em 2018, influenciadas pela preocupação com a corrupção, mas se frustraram com a condução da pandemia de covid-19. Em 2022, apoiaram Lula por associarem seus primeiros mandatos a uma experiência positiva, mas agora também demonstram insatisfação.

Para esses eleitores, disputas políticas recentes, como os atritos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a controvérsia envolvendo a padroeira do Brasil, teriam pouco peso. A proibição das apostas on-line pode influenciar parte do grupo, sobretudo pessoas próximas de quem sofre prejuízos financeiros ou problemas de saúde ligados ao jogo, mas ainda não está claro se a medida terá efeito na intenção de voto.

Outro fator citado é o chamado “antipetismo de chegada”: a possibilidade de eleitores de outros candidatos migrarem para um adversário de Lula por receio de sua vitória. Entre apoiadores de Augusto Cury, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, um em cada quatro ainda poderia mudar de voto, conforme a pesquisa.

Esse movimento também foi associado a eleições anteriores: em 2014, eleitores deixaram Marina Silva para apoiar Dilma Rousseff; em 2018, Geraldo Alckmin perdeu espaço para Jair Bolsonaro; e, em 2022, Simone Tebet também teria sido afetada pelo fenômeno.

Quem é quem

Luiz Inácio Lula da Silva
Político brasileiro e presidente da República. Foi eleito para os mandatos presidenciais de 2003 a 2010 e voltou ao cargo após vencer a eleição de 2022.
Flávio Bolsonaro
Político brasileiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É senador pelo Rio de Janeiro e aparece na matéria como candidato na disputa presidencial.
Instituto Idea
Instituto brasileiro de pesquisa de opinião e análise política. Sua CEO, Cila Schuman, comentou o perfil dos eleitores indecisos identificado no levantamento Meio Ideia.

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