Ministério Público mobiliza 3 mil fiscais para eleições de 2026
A força-tarefa acompanha regras da campanha e apura denúncias; o MPF contabilizou 37,8 mil processos eleitorais e 8,6 mil denúncias.
Resumo em 30 segundos
Mais de 3 mil promotores e procuradores eleitorais fiscalizam as eleições de 2026 em todo o país. Desde o início da campanha, o Ministério Público Eleitoral contabilizou 37,8 mil processos e recebeu cerca de 8,6 mil denúncias. A Justiça barrou 481 candidaturas, enquanto outras 547 aguardam decisões sobre recursos.
Mais de 3 mil promotores e procuradores eleitorais foram mobilizados neste domingo, 4 de outubro, para fiscalizar as eleições em todo o país. A força-tarefa do Ministério Público Eleitoral acompanha o cumprimento das regras e busca prevenir abusos e crimes que possam afetar a escolha dos eleitores, segundo o Ministério Público Federal (MPF).
Desde o início da campanha, o MPF contabilizou 37,8 mil processos eleitorais. A maior parte está ligada aos quase 21 mil pedidos de registro de candidaturas apresentados à Justiça Eleitoral para a disputa dos cargos de presidente, governador, senador e deputado federal, estadual e distrital. Outros 12,3 mil processos tratam de irregularidades na propaganda.
O órgão também recebeu cerca de 8,6 mil denúncias ao longo de 2026, encaminhadas por cidadãos, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. Entre os temas mais frequentes estão propaganda irregular, abuso de poder, assédio eleitoral, compra de votos, crimes eleitorais e violência política de gênero. Bahia, com 2,7 mil casos, lidera a lista de estados; São Paulo e Rio de Janeiro registram 2,4 mil cada, seguidos por Pernambuco e Distrito Federal, com 1,9 mil cada.
A atuação também envolve conteúdos publicados na internet. Cerca de 4,3 mil processos dizem respeito a postagens em redes sociais; quase 500 tratam do uso irregular de inteligência artificial e aproximadamente 200, de deepfakes, conteúdo audiovisual manipulado para simular pessoas ou situações. Há ainda cerca de 2,6 mil processos sobre divulgação de notícias falsas e 1,9 mil sobre propaganda antecipada.
O balanço da Procuradoria Eleitoral aponta que o Ministério Público contestou 1.011 registros de candidatura, aproximadamente 5% do total. As impugnações mencionam problemas como falta de quitação eleitoral, descumprimento de requisitos legais, inelegibilidade e suspeita de vínculo com organização criminosa. A impugnação é um pedido para que a Justiça examine se o candidato pode concorrer; cabe ao Judiciário decidir cada caso.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que 481 candidaturas foram barradas em todo o país. Outros 547 registros foram negados, mas ainda dependem de decisões sobre recursos apresentados pelos políticos. Também foram barrados cerca de 300 Demonstrativos de Regularidade dos Atos Partidários (Drap), documentos que comprovam que partidos e coligações cumpriram as exigências para participar da eleição. Em 67 casos, o motivo foi o descumprimento da cota que exige pelo menos 30% de candidaturas femininas nas eleições proporcionais.
Para enfrentar a influência do crime organizado nas eleições, o Ministério Público criou um grupo de trabalho de apoio às investigações e encaminhou orientações aos partidos. A Procuradoria também apontou cerca de 700 ocorrências de uso de outdoor, proibido na propaganda eleitoral, e irregularidades em campanhas na televisão.
Para entender
- Demonstrativo de Regularidade dos Atos Partidários
- O Drap é o documento apresentado à Justiça Eleitoral para comprovar que um partido ou uma coligação cumpriu as exigências legais para participar da eleição. A análise do documento é distinta da avaliação individual dos pedidos de registro de candidatura.
- Cota de candidaturas femininas
- Nas eleições proporcionais, cada partido ou federação deve preencher pelo menos 30% das candidaturas com mulheres. A regra se aplica às disputas para vereador e para deputado federal, estadual ou distrital.