Milton Soldani Afonso, fundador da Golden Cross, morre aos 104 anos
Empresário também atuou em educação e comunicação; morreu em 2 de setembro, no Rio de Janeiro, de causas naturais.
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Fundador da Golden Cross, Milton Soldani Afonso morreu aos 104 anos, no Rio de Janeiro. Nascido em Nova Lima, começou a carreira com atividades editoriais e jurídicas e também atuou na educação e na comunicação. Ele deixa quatro filhos, 14 netos e quatro bisnetos.
Milton Soldani Afonso, fundador da Golden Cross e empresário com atuação em educação, comunicação e saúde, morreu em 2 de setembro, aos 104 anos. Ele estava internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, e morreu de causas naturais.
Nascido em 12 de dezembro de 1921, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Afonso cresceu em condições de pobreza. Filho de José Afonso Filho e Genebra Soldani, ajudava a família vendendo doces feitos pela mãe, que trabalhava como costureira. Foi registrado apenas aos 13 anos.
Na adolescência, mudou-se para São Paulo e estudou no Colégio Adventista Brasileiro, hoje Unasp 1, no bairro de Capão Redondo. Sem recursos para pagar os estudos, vendia livros da instituição. Em 1943, ingressou na faculdade de direito e participou de um protesto contra o governo de Getúlio Vargas. Foi detido pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), torturado e mantido preso por 15 dias.
Depois de deixar a prisão, foi para o Rio de Janeiro. Casou-se em 1947 com Arlete da Silva, que conheceu na cidade, e teve quatro filhos: Celso, Carlos, Neide e Paulo. No início dos anos 1950, formou-se em direito pela Faculdade de Niterói.
Em 1951, criou a Casa Editora de Legislação e fundou a revista Legislação Federal, voltada a temas jurídicos e tributários. Também passou por atividades nos setores de sorvetes, avicultura e bancos. Em 1971, deixou o conselho do Hospital Adventista Silvestre e fundou a Golden Cross, empresa de assistência à saúde que destinava recursos a iniciativas educacionais, sociais e religiosas.
A companhia cresceu e, em 1984, era a maior do setor de saúde na América do Sul e a quarta maior do mundo. Afonso permaneceu à frente do negócio até os anos 1990, quando transferiu a gestão para profissionais. A Golden Cross se tornou conhecida por oferecer planos de saúde, que dão acesso a serviços médicos e hospitalares mediante pagamento e conforme as condições contratadas.
Em 1985, assumiu a administração da Organização Santamarense de Educação e Cultura (Osec), transformada em 1994 na Universidade de Santo Amaro (Unisa). Também ampliou bolsas em instituições adventistas e financiou mensalidades de dezenas de milhares de estudantes, além de apoiar orfanatos, lares substitutos, escolas, internatos e igrejas.
A atuação na comunicação começou em 1997, quando doou um terreno em Jacareí, no interior de São Paulo, para a instalação de um centro de mídia adventista. Nos anos seguintes, comprou estações de rádio no Brasil e no exterior. O projeto deu origem à Rede Novo Tempo de Comunicação, com programação de televisão, rádio e internet em português e espanhol.
Afonso deixa os filhos Celso, Carlos, Neide e Paulo César, 14 netos e quatro bisnetos. A trajetória empresarial começou em meio a dificuldades financeiras e foi acompanhada por iniciativas de apoio à educação ligadas à Igreja Adventista do Sétimo Dia.