Lula vence Flávio Bolsonaro em Minas e vira eleição presidencial
Com 50,43% dos votos no estado, Lula reverte a vantagem do primeiro turno; o TSE confirmou a vitória nacional do petista com 100% das urnas apuradas.
Resumo em 30 segundos
Lula venceu Flávio Bolsonaro em Minas Gerais no segundo turno, depois de ter ficado atrás no estado na primeira votação. A virada contribuiu para a vitória nacional do petista, confirmada pelo TSE. Lula também reduziu a diferença em estados do Sudeste e do Sul e ampliou sua vantagem no Nordeste.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, realizado neste domingo (25), e foi reeleito para um quarto mandato. Em Minas Gerais, único estado em que o resultado se inverteu em relação ao primeiro turno, Lula obteve 6.351.099 votos, ou 50,43%, contra 6.241.786 votos (49,57%) do senador.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória às 21h09, com 100% das urnas apuradas. Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79%, enquanto Flávio somou 59.826.041, ou 48,25%. A diferença nacional foi de pouco mais de 4,4 milhões de votos.
Minas Gerais voltou a se destacar como estado decisivo: o resultado local foi apertado, mas a virada contribuiu para a vitória nacional de Lula. No primeiro turno, Flávio havia liderado no estado, com 5.777.548 votos (48,24%), enquanto o presidente registrou 5.188.936 (43,33%). No segundo turno, Lula ampliou seu total em mais de um milhão de votos em relação à primeira votação.
O desempenho dos candidatos em Minas ocorreu apesar do apoio local a Flávio de Nikolas Ferreira (PL), deputado federal reeleito com mais de 3 milhões de votos, e de Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador no primeiro turno. O estado havia dado a vitória a Flávio na primeira etapa da disputa, mas os apoios não impediram a mudança de resultado no segundo turno.
A vitória em Minas é a quarta de Lula no estado. Ele também venceu ali em 2002, com 66,45% dos votos, e em 2006, com 65,19%. Em 2022, teve vantagem estreita: 50,20%, ante 49,80% de Jair Bolsonaro.
Lula também reduziu a distância para Flávio em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, estados que elegeram governadores alinhados ao bolsonarismo. No Nordeste, o presidente ampliou sua vantagem e aumentou em quase 3 milhões sua votação em comparação com o primeiro turno. O desempenho nacional resultou na primeira virada de um candidato à Presidência entre os turnos desde a redemocratização.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, foi um dos locais em que Lula avançou. Flávio, apoiado pelo governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), terminou o primeiro turno com pouco mais de 12,9 milhões de votos no estado, ou 51,93% dos válidos. No segundo, cresceu cerca de 1,2 milhão, mas Lula elevou sua votação de aproximadamente 9,5 milhões para 12,1 milhões. Na capital paulista, o petista passou de 46,6% para 55% dos votos válidos e virou o resultado em regiões como Jaçanã e Cangaíba.
No Rio de Janeiro, Lula acrescentou 870 mil votos e reduziu pela metade a vantagem de Flávio. A diferença, que era de 1,2 milhão no primeiro turno, caiu para 603,6 mil; Lula alcançou 4,5 milhões de votos no estado. Na capital, conseguiu vencer em áreas do subúrbio, como Irajá e Brás de Pina. Em São Gonçalo, município associado à trajetória de Douglas Ruas (PL), eleito governador no primeiro turno, Lula chegou a 48% dos votos.
No Paraná, onde Sérgio Moro (PL) foi eleito governador, Lula cresceu meio milhão de votos, enquanto Flávio avançou 300 mil. No Rio Grande do Sul, governado por Luciano Zucco (PL), a diferença entre os candidatos caiu de quase 1,3 milhão para pouco mais de um milhão.
Com a reeleição, Lula será o primeiro presidente do Brasil eleito quatro vezes pelo voto direto. Ele tomará posse em 5 de janeiro de 2027, aos 81 anos, e será o presidente mais velho a iniciar um mandato no país. O petista, nascido em Garanhuns (PE), completa 81 anos nesta terça-feira (27).