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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Literatura brasileira amplia apoios para tradução no exterior

A Fundação Biblioteca Nacional concedeu 133 bolsas em 2025, o maior total desde 2014; espanhol foi o idioma mais contemplado entre 2023 e 2025.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Livro brasileiro ao lado de manuscritos de tradução em uma feira internacional do livro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Livro brasileiro ao lado de manuscritos de tradução em uma feira internacional do livro.
Resumo em 30 segundos

A Fundação Biblioteca Nacional concedeu 133 apoios a projetos de publicação de autores brasileiros no exterior em 2025, o maior número desde 2014, mas abaixo do pico de 206 registrado em 2013. Entre 2023 e 2025, Argentina, Itália e França lideraram os destinos, e Machado de Assis e Itamar Vieira Junior estiveram entre os autores mais apoiados.

A circulação da literatura brasileira no exterior voltou a crescer nos últimos anos, mas ainda não recuperou o pico de apoios à tradução registrado em 2013, quando o Brasil foi país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt. Em 2025, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) concedeu 133 apoios a projetos de publicação de autores brasileiros fora do país, o maior total desde 2014.

Os números fazem parte do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior. O total de 2025 ficou acima dos 122 apoios concedidos em 2023 e dos 112 em 2024, mas abaixo dos 206 registrados em 2013, que somaram US$ 691,7 mil. Em 2012, foram 128 concessões; depois, o programa chegou a 53 em 2019 e a 48 em 2022.

A homenagem de 2013 ampliou a visibilidade dos escritores brasileiros, mas o interesse daquela ocasião não se manteve no mesmo nível. Anna Luiza Cardoso, da agência literária LVB & Co., observa uma nova alta de atenção, ligada à valorização da cultura brasileira e ao desempenho internacional do cinema nacional. Ela avalia, porém, que o movimento ainda não se compara à procura de 2012 e 2013.

Os dados da FBN retratam apenas os projetos que receberam apoio público, e não todas as traduções de livros brasileiros. Além disso, o ano registrado é o da concessão da bolsa, ligado ao empenho orçamentário, e pode não coincidir com a publicação da obra traduzida. Dos 133 projetos aprovados em 2025, 117 eram para edições em idiomas diferentes do português, abrangendo 26 línguas.

Entre 2023 e 2025, a Argentina foi o principal destino dos apoios à tradução, com 64 projetos. Itália e França vieram em seguida, com 24 e 22, respectivamente. O espanhol foi o idioma mais contemplado, com 101 bolsas. A procura também alcança mercados menos associados à circulação da literatura brasileira: em 2013, a Alemanha liderou entre os países com mais projetos apoiados, com 35.

Machado de Assis e Itamar Vieira Junior estão entre os autores mais contemplados no período recente. Excluídas as edições em português, cada um recebeu apoio para 18 e 16 projetos, respectivamente, entre 2023 e 2025. Clarice Lispector e Mário de Andrade tiveram nove cada. Nesse recorte, Torto Arado, de Itamar, recebeu nove apoios, e Salvar o Fogo, também do autor, teve seis.

A concessão de uma bolsa não significa necessariamente que o livro já tenha chegado às livrarias do país de destino. O apoio ajuda a custear a tradução e a publicação, etapas que podem ser decisivas para editoras menores. No edital de 2026, a FBN prevê valores de US$ 1.000 a US$ 6.000 para projetos inéditos ou de nova tradução e de até US$ 3.000 para reedições.

Editoras estrangeiras interessadas apresentam os projetos à Fundação, que os avalia segundo os critérios definidos em cada edital. Em alguns casos, agentes literários fecham contratos de opção condicionados à obtenção do financiamento. Assim, o subsídio pode tornar viável uma edição que, sem esse recurso, não avançaria; para grandes editoras, seu peso na decisão tende a ser menor.

A presença internacional também depende de relações comerciais e da promoção dos livros. O Brazilian Publishers, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), organiza ações para aproximar editoras nacionais de compradores estrangeiros e apoiar a participação em feiras. Criado em 2008, o projeto busca ampliar a venda de direitos de tradução e de livros físicos.

Segundo dados da CBL, os negócios associados à participação brasileira em Frankfurt passaram de US$ 330 mil em 2014 para US$ 890 mil em 2019. Após a interrupção causada pela pandemia, chegaram a US$ 928 mil em 2022, US$ 5,5 milhões em 2023 e US$ 8,1 milhões em 2025. O indicador inclui negócios fechados e expectativas para os 12 meses seguintes e não corresponde a uma contagem de traduções publicadas.

A presidente da CBL, Sevani Matos, afirma que a preparação das editoras e a construção de relações de longo prazo são parte do legado da participação brasileira em Frankfurt. Para ela, a venda dos direitos é apenas o começo: depois vêm tradução, edição, divulgação e circulação. O desafio, portanto, não termina quando um contrato é assinado; é preciso que o livro encontre leitores no novo mercado.

O reconhecimento no Brasil pode ajudar a despertar a atenção de editoras estrangeiras. Cardoso cita Torto Arado e Tudo é Rio, de Carla Madeira, como exemplos de obras cuja repercussão doméstica fortalece sua apresentação a compradores de outros países. Ainda assim, o sucesso nacional não garante um contrato: segundo a agente, a quantidade de livros vendidos ao exterior é pequena em relação ao volume de títulos apresentados.

Agentes dizem que o interesse estrangeiro costuma se voltar a histórias com elementos reconhecíveis da experiência brasileira e, ao mesmo tempo, capazes de dialogar com leitores de outros lugares. Há espaço tanto para obras literárias quanto para títulos comerciais, como os thrillers de Raphael Montes. Itália e França estão entre os mercados receptivos, enquanto editoras independentes britânicas têm demonstrado maior aproximação com livros brasileiros em inglês.

Para entender

Programa de Apoio à Tradução
Iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional que concede recursos a editoras estrangeiras para apoiar a tradução e a publicação de obras de autores brasileiros. A concessão da bolsa não significa necessariamente que o livro já tenha sido publicado no país de destino.
Brazilian Publishers
Projeto de internacionalização do setor editorial brasileiro realizado pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Atua na aproximação entre editoras brasileiras e compradores estrangeiros e na promoção de livros e direitos de publicação.

Fontes: Estadão

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