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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Líderes religiosos reagem à vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro

Após o segundo turno, pastores e bispos se dividiram entre reconhecer a vitória, defender o respeito às urnas e questionar o resultado; Lula teve 51,54%.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Líderes cristãos falam à imprensa durante um encontro após uma eleição. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Líderes cristãos falam à imprensa durante um encontro após uma eleição.
Resumo em 30 segundos

Líderes evangélicos e católicos reagiram à vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Enquanto alguns reconheceram o resultado e defenderam o respeito à escolha dos eleitores, integrantes do grupo Assembleianos de Valor disseram que a campanha do senador pode recorrer ao TSE. A CNBB destacou a participação popular e as instituições democráticas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Lula recebeu 51,54% dos votos válidos, ante 48,46% do adversário, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O resultado provocou manifestações de líderes evangélicos e católicos, incluindo apoiadores de Flávio e representantes que defenderam o respeito à decisão das urnas.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, reconheceu a vitória de Lula em um vídeo publicado no Instagram nesta segunda-feira. Aliado da família Bolsonaro e contrário à reeleição do petista, ele criticou pregadores, cantores e influenciadores gospel que, segundo sua avaliação, evitaram declarar apoio a candidatos por receio de perder seguidores.

“Os pregadores que profetizam, denunciam igrejas, denunciam pastores, denunciam o pecado do povo de Deus, mas quando se trata dos pecados da nação e de líderes corruptos, se calam e se omitem”, afirmou Malafaia. O pastor Elizeu Rodrigues, da Igreja Assembleia de Deus, apoiou a crítica em um comentário na publicação.

O apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, reconheceu o resultado nesta terça-feira, ao lado da esposa, a bispa Sônia Hernandes. Ele disse que a vitória de Lula não era a esperada pelo casal, mas afirmou respeitar a escolha democrática dos eleitores e os cristãos que votaram de outra forma.

“Eu creio que o nosso papel, como servos de Deus, é prosseguirmos. Porque a vontade de Deus é soberana. Não tem como questioná-la”, disse Hernandes. Ele acrescentou que o grupo trabalhou para que o resultado fosse diferente, mas que aceita o que considera determinado por Deus.

Outros líderes ligados a Flávio reagiram de forma distinta. O grupo Assembleianos de Valor, formado por lideranças da Assembleia de Deus, afirmou em pronunciamento que a campanha do senador pode questionar o resultado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O porta-voz, Fábio Filho, declarou que “as regras do jogo foram alteradas durante o jogo” e classificou a eleição como uma disputa espiritual.

A manifestação não altera, por si só, o resultado proclamado pelas urnas. O TSE é responsável pela organização e pela totalização das eleições; questionamentos formais precisam ser apresentados à Justiça Eleitoral, que analisa os pedidos conforme as regras legais. A declaração do grupo não detalha, no entanto, qual medida judicial pretende adotar.

O pastor Felippe Valadão, da Igreja Novos Começos, publicou uma mensagem dizendo estar pronto para “sair na rua nos próximos 4 anos” e pediu apoio de seguidores de direita a empresas divulgadas nos comentários. Já o pastor e escritor Tiago Brunet respondeu a cobranças por posicionamento político dizendo que cada pessoa pode ter opinião própria sobre temas como política e futebol.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se manifestou. A entidade católica destacou a participação dos eleitores e a importância das instituições democráticas para o país, além de afirmar que o voto representa a confiança dos cidadãos em quem recebe a missão de representá-los e servir ao interesse público.

A declaração ocorreu depois de a CNBB ter divulgado cartas durante a campanha, em meio ao debate sobre uma possível retirada do título de Padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida. O tema mobilizou manifestações de religiosos durante o período eleitoral.

Nas redes sociais, o padre Elias Eliot criticou a contradição entre pedir que a vontade de Deus prevalecesse na eleição e, depois do resultado, expressar ódio contra adversários. Ele afirmou que a crítica não era dirigida ao jejum como prática de fé, mas ao contraste entre pregar o amor e agir com hostilidade. O frei Gilson, sacerdote, cantor e influenciador, não havia se manifestado até a publicação das reações citadas.

Antes do segundo turno, uma pesquisa Datafolha apontou que Flávio tinha 62% das intenções de voto entre eleitores evangélicos, enquanto Lula registrava 29%. Igrejas também promoveram campanhas de oração pela eleição do senador. O resultado nacional, contudo, confirmou a vitória do petista e reacendeu entre lideranças religiosas o debate sobre participação política, aceitação da escolha popular e manifestações de fé.

Fontes: O Globo, Zero Hora, Valor Econômico

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