Keisha Lance Bottoms é eleita governadora e faz história na Geórgia
A democrata será a primeira mulher negra a governar um estado dos Estados Unidos e devolverá o governo da Geórgia ao partido após 28 anos.
Resumo em 30 segundos
Keisha Lance Bottoms venceu a eleição para governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra a ocupar o cargo em um estado americano. A vitória marca o retorno dos democratas ao governo estadual, que estava sob controle do partido desde 1998. A votação também registrou marcos de representação em outros estados.
Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), tornando-se a primeira mulher negra a ocupar o cargo nos Estados Unidos. A vitória também devolve o governo estadual aos democratas, que não administravam a Geórgia desde 1998.
Bottoms integra uma série de candidatos que romperam barreiras históricas na votação deste ano. Na Califórnia, Xavier Becerra foi eleito o primeiro governador latino do estado. No Texas, Gina Hinojosa também alcançou esse marco e encerrou um período de três décadas e meia sem um democrata no governo estadual: o partido não vencia a disputa desde 1990.
Ainda no Texas, o deputado James Talarico conquistou uma vaga democrata no Senado federal pela primeira vez desde 1988. No Kansas, Adam Hamilton, pastor e ex-republicano, garantiu ao partido sua primeira cadeira no Senado pelo estado desde 1932.
Outros resultados ampliaram a representação de grupos pouco presentes nos cargos de poder. Deb Haaland se tornou a primeira pessoa indígena eleita para governar um estado, o Novo México. Em Minnesota, Peggy Flanagan foi a primeira mulher indígena a chegar ao Senado dos Estados Unidos. Abdul El-Sayed, filho de imigrante egípcio criado em Michigan, foi eleito o primeiro senador muçulmano do país; Chris Pappas, de New Hampshire, será o primeiro senador eleito abertamente gay.
As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e definem disputas para cargos federais e estaduais. A votação deste ano também renovou assentos no Congresso e escolheu governadores. Mais de 100 mulheres democratas foram eleitas para a Câmara dos Representantes, um recorde para o partido, segundo o comitê de mulheres democratas.
Colin Seeberger, diretor de estratégia do Center for American Progress Action Fund e assessor sênior do Center for American Progress, avaliou que várias vitórias ocorreram em estados vencidos por Donald Trump em 2024, mas com eleitorados diversos. Ele citou a presença de latinos no Texas e de negros e árabes-americanos em Michigan. Para Seeberger, os resultados mostram que candidatos podem conquistar apoio apesar de grandes investimentos dos republicanos em campanhas adversárias e de ataques pessoais.
Talarico declarou a apoiadores que sua campanha não venceu ao afastar ou envergonhar vizinhos. O lema da candidatura no Texas era “ame seu vizinho”. Seeberger afirmou que os novos eleitos podem representar de forma mais próxima a diversidade da população americana e trazer experiências distintas à política.
A disputa também produziu marcos entre os republicanos. Byron Donalds foi eleito o primeiro governador negro da Flórida, enquanto Marsha Blackburn se tornou a primeira mulher eleita governadora do Tennessee. Na Câmara, o líder democrata Hakeem Jeffries foi reeleito; ele é cotado para assumir a presidência da Casa e, se confirmado, será a primeira pessoa negra a ocupar o posto.