Irmão de Patrícia presta depoimento sobre mortes em Candelária
O irmão de Patrícia Cristina Pereira depôs nesta sexta-feira; ela e a filha, de 13 anos, foram mortas a facadas em casa, na zona rural.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil ouviu nesta sexta-feira o irmão de Patrícia Cristina Pereira, morta com a filha de 13 anos em Candelária. Três pessoas são investigadas, e ninguém foi preso. A polícia analisa imagens de câmeras e celulares apreendidos. Feminicídio e vingança não foram descartados; o latrocínio foi afastado porque nada foi levado.
A Polícia Civil ouviu nesta sexta-feira (2) o irmão de Patrícia Cristina Pereira, de 31 anos, assassinada com a filha Karolayne Cristina Costa, de 13, na casa onde moravam na localidade de Passa Sete, zona rural de Candelária, no Vale do Rio Pardo. Mãe e filha foram encontradas mortas na terça-feira (29), após serem atacadas com golpes de faca. Ninguém foi preso até o momento.
O homem, de 29 anos, ficou cerca de 50 minutos na delegacia e foi a terceira pessoa ouvida desde a abertura do inquérito. Ele afirmou que se afastou da irmã após a morte dos pais e que os dois começaram a se reaproximar no início deste ano, mas não tinham intimidade. “O que aconteceu não foi um acaso, não foi uma surpresa. Espero que a polícia consiga descobrir tudo e responsabilizar quem fez isso”, disse.
A investigação considera três pessoas como possíveis autores do crime, depois de descartar um quarto suspeito nesta sexta-feira. Segundo a polícia, os indícios apurados até agora apontam que o autor pode ter agido sozinho. O delegado Paulo César Schirrmann afirmou que já existe uma linha de investigação sobre as circunstâncias e a autoria, mas que as equipes ainda buscam provas.
A polícia aguarda a análise de imagens de câmeras instaladas em casas a menos de um quilômetro do imóvel. Também devem ser periciados três celulares apreendidos: dois pertenciam a Patrícia e um à adolescente. As gravações e os dados dos aparelhos ainda não foram divulgados.
A hipótese de feminicídio e a de crime por vingança continuam em consideração. O latrocínio foi afastado porque nenhum objeto das vítimas foi levado. A babá dos outros filhos de Patrícia e uma mulher que trabalhava no bar da vítima já prestaram depoimento; a funcionária do estabelecimento deve ser ouvida novamente na próxima semana.
Além de Karolayne, Patrícia tinha uma filha de dez anos e gêmeos de nove meses. As três crianças estavam na casa da babá, na região central de Candelária, no dia do crime. O bar de Patrícia, que funcionava desde abril ao lado da residência, está fechado.
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santa Cruz do Sul auxilia a investigação. Patrícia havia registrado diversos boletins de ocorrência, inclusive relacionados a violência doméstica.
O caso ocorre na mesma localidade onde os pais de Patrícia foram assassinados em 2012. O casal foi morto a tiros quando voltava de motocicleta do centro para o interior, depois de registrar na delegacia uma ocorrência de ameaça. O ex-companheiro de Patrícia e o ex-sogro foram condenados por duplo homicídio pelas mortes. O ex-sogro morreu na prisão em 2015; o ex-companheiro cumpre pena com tornozeleira eletrônica e reside em Lajeado.
Quem é quem
- Polícia Civil do Rio Grande do Sul
- Instituição responsável pela investigação de crimes no estado do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil conduz inquéritos, reúne provas e ouve testemunhas, sob coordenação de delegados e equipes especializadas.
- Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam)
- Unidade policial especializada no atendimento e na investigação de ocorrências de violência contra mulheres. A Deam de Santa Cruz do Sul auxilia a apuração do caso ocorrido em Candelária.