Irã mantém negociações com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão
Encontro em Teerã reúne representantes de alto escalão enquanto ataques houthis e o temor de ofensiva dos EUA e Israel elevam a tensão regional.
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Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram em manter conversas sobre cooperação regional e segurança. A reunião em Teerã ocorre em meio a ataques houthis contra o território saudita e ao risco de novos confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Os países também discutiram esforços diplomáticos para reduzir a tensão.
Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão concordaram nesta segunda-feira, em Teerã, em manter negociações para ampliar a cooperação regional, sobretudo em temas de paz e segurança. A reunião, descrita pela televisão estatal iraniana como a primeira entre os quatro países, ocorreu em meio ao temor de uma retomada dos confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A delegação saudita foi liderada pelo ministro da Defesa, príncipe Khalid bin Salman, irmão do príncipe herdeiro. Também participaram o chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, e Ibrahim Kalin, chefe da agência de inteligência turca. Os representantes se reuniram com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e com o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei.
O encontro busca reduzir tensões em uma região marcada por ataques e iniciativas diplomáticas paralelas. Segundo comunicado saudita, a reunião foi organizada por iniciativa do Paquistão para diminuir a tensão entre as partes envolvidas na crise. A televisão estatal iraniana informou que as conversas trataram da cooperação regional e das consequências dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram neste ano o Pacto de Meca, um acordo de defesa coletiva. O pacto prevê cooperação entre os três países em matéria de segurança; a reunião em Teerã aproxima diplomaticamente seus signatários do Irã, que não faz parte do acordo. O entendimento foi firmado em agosto, em meio a dúvidas de países da região sobre a confiabilidade da proteção dos Estados Unidos.
A aproximação ocorre enquanto a Arábia Saudita enfrenta ataques dos houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. Nas últimas semanas, os ataques atingiram diferentes áreas do reino, incluindo aeroportos e instalações petrolíferas. A coalizão militar liderada por Riade afirmou nesta segunda-feira que interceptou três drones na região da capital e no sul do país, sem informar a origem dos aparelhos.
A televisão estatal iraniana também relatou que os houthis reivindicaram um ataque ao aeroporto internacional de Riade no domingo. Outra informação divulgada sobre a ofensiva no reino foi a de que um ataque ao aeroporto deixou 13 mortos. A escalada entre a Arábia Saudita e o grupo iemenita aumenta a pressão para que os governos da região busquem canais de diálogo.
O risco de novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã também está no centro das conversas. Autoridades americanas e pessoas informadas sobre discussões entre os dois países indicaram que haveria planos para uma possível ofensiva depois das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para 3 de novembro. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã começou no fim de fevereiro, e os lados têm alertado para a possibilidade de retomada das hostilidades.
As conversas em Teerã se somam aos esforços de mediação do Catar e do Paquistão entre Washington e Teerã. Uma delegação catariana esteve na capital iraniana no domingo. As negociações incluem uma proposta para que Irã e Estados Unidos façam concessões ao longo de cinco dias: Teerã reabriria o Estreito de Ormuz à navegação comercial, e Washington suspenderia o bloqueio naval aos portos iranianos.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica para o transporte de energia no Golfo Pérsico. Um dos impasses nas conversas é o momento em que cada lado faria suas concessões; mediadores também pressionam o Irã a assumir um compromisso sobre seu programa nuclear no início de um eventual acordo. Rezaei rejeitou a saída de urânio enriquecido do país e afirmou na semana passada que “nem uma única partícula de material nuclear enriquecido” deixaria o território iraniano.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que a busca por mecanismos regionais de segurança baseados nos interesses dos países da região é bem-vinda. A presença de autoridades sauditas de alto escalão em Teerã representa uma iniciativa de aproximação entre os dois países, apesar das tensões ligadas aos ataques dos houthis e do risco de uma nova confrontação envolvendo o Irã.